O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 42% no primeiro turno das eleições, segundo pesquisa Atlas. No segundo turno, os candidatos aparecem em empate técnico. O número de indecisos fica em 1%.
O advogado e cientista político Jorge Folena avalia que a pesquisa ainda não conseguiu capturar todo o impacto da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e as ofensas contra a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), uma das mais importantes entidades católicas, e também o fim das bets decretado pelo governo Lula. “Nós não podemos, a partir dessas pesquisas ainda, definir o cenário eleitoral do próximo domingo. Algumas pesquisas, como a do BTG, deram uma certa calibragem com relação ao presidente Lula, que é o candidato que conseguiu, nesse período, politizar a campanha eleitoral”, avalia em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Sobre essa mudança na campanha de Lula, Folena destaca o reajuste de 15,04% no Bolsa Família, a inclusão das canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS) e o fim das casas de aposta online, previsto para ocorrer após o primeiro turno das eleições. Mesmo assim, ele reforça que nada disso ainda aparece consolidado nas pesquisas.
“O quadro político já está bem delineado. Há aqueles que vão consolidados no presidente Lula e há os que estão consolidados na candidatura do Flávio Bolsonaro, e tem uma faixa intermediária sendo disputada pelas duas candidaturas, ou seja, aqueles que são menos politizados, aqueles que não têm uma definição política por nenhum lado. Essas pessoas vão tomar uma decisão e quem votar efetivamente a partir de quinta, sexta e sábado”, analisa.
Nesse sentido, ainda que difícil, o cientista político disse que não se surpreenderia caso a eleição terminasse no primeiro turno, “seja para um lado, seja para outro”. Ele observa que as outras candidaturas nos últimos dias “estão derretendo” e, por isso, “existe a perspectiva de a eleição ser concluída no primeiro turno”.
Em um cenário de segundo turno, Jorge Folena avalia que o fato de o debate público ter sido capturado pela situação de embate no Supremo Tribunal Federal (STF) favoreceu a candidatura de Flávio em um primeiro momento, mas agora ele começa a cair. “Foi a partir da última semana, de quinta para sexta-feira, que começou a acontecer essa desconstrução da candidatura de Flávio Bolsonaro”, aponta.
Sobre a participação de Lula no debate da Globo, na próxima quinta-feira (1º), Folena avalia que o presidente não deve participar. “Talvez seja melhor o presidente Lula fazer o que ele está programando: convidar vários meios de comunicação e fazer uma entrevista e apresentar ali as ideias dele. Ele foi impedido de apresentar as ideias dele nessa campanha eleitoral. Quem impediu foram os meios de comunicação tradicionais, que protegem os interesses e são patrocinados pelo sistema financeiro. Impediram que o presidente Lula pudesse informar à opinião pública o que ele fez recebendo um governo anterior que destruiu o Brasil”, reforça.
Para ouvir e assistir
Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.


