Em mais uma rodada da pesquisa Real Time Big Data em Pernambuco, as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegam a 60% na estimulada, mais que o dobro dos 26% de Flávio Bolsonaro (PL). Muito distante dos dois, estão Augusto Cury (Avante), com 4%; Renan Santos (Missão), com 3%; Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) têm 1% cada; e os demais sete candidatos, juntos, somam 1%. No estado, há ainda 2% que dizem estar indecisos sobre a disputa nacional, além de outros 2% que declaram voto branco ou nulo.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa tem registro BR-02938/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Real Time também perguntou aos eleitores sobre as intenções de voto para o Governo de Pernambuco e para o Senado Federal.
Chama atenção a diferença das intenções de voto no presidente Lula (PT) entre a pesquisa espontânea (sem que os nomes dos postulantes sejam apresentados) e a estimulada (com os nomes dados). Enquanto a espontânea tem 22% de indecisos e 8% de votos brancos e nulos (ou seja, 30 pontos os dois grupos somados), na estimulada 20 desses pontos migram para Lula (salta de 40% para 60%), apenas dois para Flávio Bolsonaro (24% para 26%), dois para Cury (2% sobe para 4%), um para Renan Santos (2% para 3%) e um para Zema (zero para 1%).
A pesquisa espontânea, sem os nomes dos candidatos, ajuda a medir a temperatura do eleitor, o nível de engajamento ou comprometimento dele com aquele voto. Se Lula tem 60% na estimulada, mas apenas 40% dos eleitores dele o mencionam na pesquisa espontânea, isso indica que pelo menos um terço dos pernambucanos que podem votar no petista não estão com o nome do presidente na cabeça ao serem perguntados. São votos que podem não ser convertidos, seja por adesão a outra candidatura ou pela decisão de não ir votar no dia quatro de outubro.
Quem são os eleitores indecisos?
Numa eleição que se desenha para ser decidida voto a voto, os 2% de eleitores pernambucanos indecisos e os 2% que declaram voto branco ou nulo podem fazer a diferença na disputa. O Brasil de Fato mergulhou na pesquisa para tentar entender melhor quem é esse eleitor. Na divisão de gêneros, tanto homens quanto mulheres têm o mesmo percentual (2%) de indecisos, enquanto os homens tendem a votar mais branco ou nulo (3%) do que as mulheres (1%).
Nas faixas de idade, os jovens de 16 a 34 anos são os que somam maior índice de indecisos (4%) e também os que mais declaram voto branco ou nulo (5%). É justamente nessa faixa etária que o presidente Lula tem o seu pior desempenho em Pernambuco (51%). No grupo de adultos entre 35 e 59 anos, tanto os indecisos (1%) quanto os votos brancos e nulos (1%) são residuais. O mesmo se repete entre os 60+, com 2% de indecisos e 1% de brancos e nulos.
Por faixa de renda, temos 2% de indecisos na faixa de até R$ 3,2 mil mensais; 2% de indecisos na faixa de até R$ 8 mil mensais; e 6% de indecisos nos que recebem acima de R$ 8,1 mil. No entanto, em números absolutos, a amostragem tem seis vezes mais eleitores com renda de até R$ 3,2 mil do que eleitores acima de R$ 8,1 mil. Sendo assim, os 2% de indecisos na faixa de renda mais baixa correspondem, em números absolutos, ao dobro de eleitores dos 6% indecisos na faixa de renda mais alta. Os votos brancos e nulos seguem o mesmo padrão: 2% até dois salários mínimos; 1% nos entre dois e cinco salários; e 6% nos que recebem mais de cinco salários mínimos.
Por localização geográfica, tanto os eleitores indecisos quanto os votos brancos e nulos aparecem mais nas regiões do São Francisco (5% indecisos e 4% brancos e nulos), no Sertão (4% indecisos e 3% brancos e nulos), no Agreste (3% e 3%) e na Zona da Mata (3% indecisos e 2% brancos e nulos). Esse número é menor no Recife (1% e 1%) e nos demais municípios que compõem a Região Metropolitana (1% indecisos e 2% brancos e nulos). Desta forma, o perfil predominante dos votos indecisos, brancos e nulos seria o de jovens (até 34 anos), residentes no interior do estado e com renda mensal abaixo dos R$ 3,2 mil (dois salários mínimos mensais).

