Após gastar R$ 2,5 milhões de recursos partidários, o pastor Ronaldo Fonseca (PSD-DF) desistiu da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal e afirmou que vai apoiar as candidaturas de Bia Kicis (PL) e Michelle Bolsonaro (PL) e de Celina Leão (PP) ao governo. O anúncio foi feito durante encontro promovido pela governadora com aliados na manhã desta segunda-feira (28).
Em pesquisa da Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira (29), que ouviu eleitores entre os dias 24 e 28 de setembro, Fonseca aparece com 1% das intenções de votos.
“Eu não poderia permitir que a direita ficasse dividida em um momento tão decisivo para o Brasil como hoje. Tomei uma decisão pública de renúncia da minha candidatura ao Senado para me aliar a Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e, obviamente, me aliar a Celina. Independente de nomes, nós temos uma batalha para ser vencida, que é a direita contra a esquerda”, afirma Fonseca em vídeo publicado nas redes sociais.
Paralelo à decisão de deixar a disputa ao Senado, Fonseca, que é ex-deputado federal, recebeu R$ 3 milhões da direção nacional do PSD para a campanha eleitoral. Do montante arrecadado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), R$ 2,5 milhões já foram gastos. Desse valor, 55% – o equivalente a R$ 1,25 milhão – foram destinados a uma empresa de produção de vídeos, sediada em São Paulo.
“Do ponto de vista eleitoral, ele deve seguir com a prestação de contas normalmente e, caso constatada alguma irregularidade, poderá ser condenado a devolver valores. No entanto, apenas a renúncia não representa uma ilegalidade”, observa o advogado Miguel Novaes, especialista em direito eleitoral.
No entanto, o advogado pontua que, considerando que a campanha encerrou, Fonseca não pode utilizar os recursos do Fundo Eleitoral para a contratação de novos serviços.
O aceno do PSD às candidatas do PL ocorre após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar a candidatura de José Roberto Arruda (PSD), que concorria ao cargo de governador. Em vídeo publicado nas redes sociais, Arruda disse que respeita a decisão de seu partido, mas enfatizou que “eles não terão o meu apoio”, em referência a Celina e ao vice, Gustavo Rocha (Republicanos).
‘Enfraquecimento da sigla no DF’
O PSD não está na coligação do PL, que é formada por 11 partidos. Na avaliação da advogada e especialista em direito eleitoral Priscilla Sodré, a campanha de Fonseca, realizada com recursos públicos, pode ajudar a construir “a visibilidade e o capital político que agora são colocados a serviço de duas candidaturas do PL”.
Ainda na avaliação de Sodré, o apoio de Ronaldo Fonseca à chapa ao Senado do PL pode favorecer principalmente a candidatura de Kicis, que aparece nas pesquisas tecnicamente empatada com as outras candidatas. Ela também argumenta que o gesto favorável do PSD à direita, conhecido por ser um partido de centro, somado ao indeferimento da candidatura de Arruda, evidenciam um “enfraquecimento” da sigla no DF.
“O 1% de intenção de voto atribuído a Fonseca pode parecer pouco, mas, em uma disputa apertada, pode fazer diferença. Claro que essa transferência não é automática: o eleitor de Fonseca não necessariamente acompanhará sua orientação. Ainda assim, a desistência e o anúncio de apoio têm um significado político que vai além da simples saída da disputa”, explica Priscilla Sodré.
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