ELEIÇÕES 2026

Candidaturas ao governo do DF discutem BRB, direitos e políticas públicas em debate na UnB

Encontro organizado pelo DCE, Sintfub e ADUnB abordou violência contra mulheres, população trans e transporte

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Leandro Grass (PT), Professor Robson (PSTU), Professora Samara Mineiro (UP), Paula Belmonte (PSDB), Elisson (Agir) e Expedito Mendonça (PCO) participaram de debate na Universidade de Brasília (UnB)
Leandro Grass (PT), Professor Robson (PSTU), Professora Samara Mineiro (UP), Paula Belmonte (PSDB), Elisson (Agir) e Expedito Mendonça (PCO) participaram de debate na Universidade de Brasília (UnB) | Crédito: Divulgação/ADunB

O auditório do Ceubinho, na Universidade de Brasília (UnB), recebeu nesta quarta-feira (30) um debate entre candidaturas ao Governo do Distrito Federal. Organizado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE/UnB), pelo Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e pela Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), o encontro abordou temas como educação, transporte público, violência contra mulheres, direitos da população trans e a situação do Banco de Brasília (BRB).

Participaram Leandro Grass (PT), Professor Robson (PSTU), Professora Samara Mineiro (UP), Paula Belmonte (PSDB), Elisson (Agir) e Expedito Mendonça (PCO). A atividade foi mediada pelo jornalista Beto Almeida e contou com perguntas dos organizadores e do público, encaminhadas por formulário eletrônico. A organização montou ainda uma mesa de checagem de fatos e outra para analisar eventuais pedidos de direito de resposta.

Universidade no centro do debate

A coordenadora-geral do DCE da UnB, Wicky Carvalho, destacou as dificuldades enfrentadas por estudantes e trabalhadores da universidade, especialmente nas áreas de transporte, assistência estudantil e alimentação.

“É essencial que a gente debata qual o projeto de país nós queremos no futuro e qual o projeto de governo também queremos no Distrito Federal. Os trabalhadores e estudantes da Universidade de Brasília sofrem diariamente com o transporte, com a assistência estudantil, dificuldades de alimentação. E isso tem sido uma dificuldade que tem que ser debatida”, afirmou.

A coordenadora defendeu ainda a participação da comunidade universitária nas discussões políticas e criticou a destinação de recursos públicos para o pagamento da dívida pública. “Se as grandes mídias não debatem com a democracia, a gente trouxe o debate para dentro da Universidade, para que todos conseguissem participar”, destacou Wicky Carvalho.

A coordenadora do Sintfub, Carla Vizzotto, destacou a defesa da universidade pública independente de quem esteja no governo. “A UnB é resistência de todo mundo que trabalha aqui, estuda aqui e que desfruta das transformações que proporcionamos na sociedade. Não desistiremos da nossa Universidade pública, gratuita e de qualidade. Seja quem estiver no poder, estaremos lá para defender os nossos interesses e os interesses da sociedade que tanto se beneficia dessa Universidade democrática”, destacou Carla.

Já a presidenta da ADUnB, Maria Luiza Pinho Pereira, ressaltou a participação dos três segmentos na construção do encontro e o peso eleitoral da comunidade universitária. “Não podíamos estar ausentes desta oportunidade, diante de uma UnB que tem no mínimo mais de 50 mil eleitores, que fazem, sim, não só a reitoria, mas fazem, sim, a política de pautas que interessem e que de fato atendam à população do Distrito Federal”, afirmou.

Ela ainda citou o episódio ocorrido no domingo (27), quando o candidato a deputado federal Wilker Leão foi preso em flagrante pela Polícia Federal após pintar um muro no Instituto de Artes (IdA) da UnB, e defendeu a universidade como espaço de participação política.

“O ataque recente a essa Universidade foi feito de forma estúpida, atingindo estudantes. E é, portanto, com esse sentimento de defesa e, sobretudo, de esperança, que a gente entenda esse debate como uma oportunidade de escolha qualificada para o DF, para o povo do Brasil”, concluiu Maria Luiza.

Debate na UnB reuniu candidaturas ao Governo do Distrito Federal
Debate na UnB reuniu candidaturas ao Governo do Distrito Federal

Situação do BRB

A situação do Banco de Brasília (BRB) foi um dos principais pontos abordados por Leandro Grass. O candidato do PT criticou a gestão de Celina Leão (PP). “Todo mundo sabe que saíram R$ 17 bilhões, bi, do BRB, e foi para um banco chamado Banco Master. Desses R$ 17, R$ 12 bi compraram títulos inexistentes. Ou seja, o Master inventou papéis, o BRB pagou por eles R$ 12 bi, e esse dinheiro foi para a conta do que roubaram. Cadê esse dinheiro, gente?”, questionou Grass.

Na sequência, Grass questionou se os recursos poderiam ter sido destinados a campanhas de aliados de Celina Leão e cobrou explicações sobre o destino do dinheiro. “Esse dinheiro foi para a campanha da Celina? Esse dinheiro foi para a campanha dos deputados federais e estaduais que apoiam a Celina? Vocês têm certeza de que não foi? Eu não tenho”, declarou.

Transporte e violência contra mulheres

A mobilidade urbana foi outro tema de críticas durante o encontro. Samara Mineiro responsabilizou as empresas privadas de ônibus pelo modelo de transporte público do Distrito Federal e questionou os repasses feitos pelo governo.

“A gente hoje, no Distrito Federal, tem um repasse para as empresas privadas de ônibus que ultrapassa os R$ 2 bilhões. Então, se tem um responsável hoje por esse transporte precário, são os grandes empresários dessas empresas de transporte que lucram com esse sistema de transporte público que humilha a gente todos os dias”, criticou Samara.

A violência contra as mulheres também foi discutida durante o debate. Samara criticou as gestões de Ibaneis Rocha e Celina Leão e afirmou que o governo não tem apresentado respostas para o problema. “A gente vive uma epidemia de violência contra a mulher. E o governo de Celina Leão e Ibaneis Rocha não é capaz de dar uma solução para esse enfrentamento”, afirmou Samara.

Grass também criticou a situação da violência contra mulheres e meninas no Distrito Federal. “A gente sabe que o DF, com Celina e Ibaneis, virou um lugar horrível para as mulheres, para as meninas. Aumentou o feminicídio, 28% no ano passado. Estamos tendo um aumento das tentativas de feminicídio. Aumentou todo tipo de violência, roubo, furto, latrocínio, mas as mulheres são as maiores vítimas”, declarou Grass.

Representantes da comunidade acadêmica acompanharam o encontro, que contou com perguntas dos organizadores e do público
Representantes da comunidade acadêmica acompanharam o encontro, que contou com perguntas dos organizadores e do público | Crédito: Kennedy Cruz/BdF DF

Cotas para pessoas trans

As políticas de acesso à universidade para pessoas trans foram discutidas após pergunta do DCE/UnB. O candidato do PCO, Expedito Mendonça, afirmou ser contrário à adoção de cotas específicas para esse grupo. Ele disse defender os direitos da população trans, mas argumentou que a maioria pertenceria à classe média.

“Nós acreditamos, sim, que os direitos dos companheiros trans devem ser preservados, mas não entendemos que haja necessidade de cotas especiais. Por quê? A maioria pertence à classe média. Nós não vemos necessidade de cotas especiais”, afirmou Expedito.

A declaração foi contestada pela mesa de checagem do debate. Os responsáveis pela verificação citaram levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), realizado em 2024, segundo o qual 76% das pessoas trans pesquisadas tinham renda per capita entre um e meio salário mínimo.

“Ao contrário da afirmação do candidato, de que pessoas trans, travestis são de classe média, estudo realizado pela Antra, Associação Nacional de Travestis e Transexuais, 76% têm renda per capita entre um e meio salário mínimo. Estudo realizado em 2024. É a hora do conhecimento”, afirmou a mesa de checagem.

UnB como espaço de ciência

Leandro Grass destacou ainda o papel da universidade no desenvolvimento de políticas e soluções para o Distrito Federal. “Essa universidade tem um papel muito importante para Brasília, não só de ofertar o ensino superior, mas um papel estratégico para desenvolver as soluções que Brasília precisa. Uma universidade de inovação, uma universidade que, durante a pandemia, contribuiu para o enfrentamento da covid, no desenvolvimento de soluções sanitárias, soluções técnicas”, afirmou Grass.

O encontro integrou uma série de atividades promovidas pelo DCE, Sintfub e ADUnB durante o período eleitoral. Na segunda-feira (28), as organizações realizaram um debate com candidaturas ao Senado pelo Distrito Federal.


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Editado por: Clivia Mesquita

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