PROTEÇÃO

Cartilha orienta agricultores familiares do RS sobre prevenção e mitigação dos riscos do El Niño

Material reúne orientações para prevenir perdas, proteger famílias e propriedades e agir durante eventos extremos

No audio source provided.

As orientações também são apresentadas em checklists rápidos, que podem ser consultados durante situações de emergência
As orientações também são apresentadas em checklists rápidos, que podem ser consultados durante situações de emergência | Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

Entre outubro e dezembro deste ano, o Rio Grande do Sul pode registrar volumes de chuva acima da média histórica para o período, em decorrência principalmente do El Niño.

Diante da previsão e dos riscos associados ao fenômeno climático, a Superintendência do Ministério do Desenvolvimento Agrário do Estado (MDA/RS) lançou uma cartilha de enfrentamento e mitigação de riscos para agricultores familiares gaúchos.

O material, que pode ser acessado no link, reúne orientações básicas para a preparação e segurança das famílias agricultoras, proteção da produção e encaminhamento de demandas em períodos de chuvas intensas, alagamentos e outros eventos associados ao El Niño. 

O guia reúne orientações para antes, durante e depois dos eventos climáticos, com recomendações sobre cuidados com o solo, as lavouras e demais áreas produtivas; manejo e proteção dos animais; segurança das famílias; e registro e acompanhamento dos impactos após os eventos.

As orientações também são apresentadas em checklists rápidos, que podem ser consultados durante situações de emergência e adaptados à realidade de cada propriedade e comunidade. 

O superintendente do MDA/RS, Milton Bernardes, explica que a principal preocupação não é apenas o aumento das chuvas, mas a combinação de eventos frequentes, tempestades severas e o pouco tempo para as propriedades se recuperarem entre um episódio e outro.

“Para a agricultura familiar, o risco climático rapidamente se transforma em risco econômico: a produção pode ser perdida, mas as despesas permanecem. Quando os eventos se repetem, podem comprometer o patrimônio e até a permanência das famílias no campo”, explica o agrônomo. 

A cartilha foi desenvolvida para reunir as informações técnicas existentes, de fontes oficiais como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e Defesa Civil, de forma prática, organizada, em uma linguagem simples e que chegasse aos agricultores no momento necessário.

Alertas devem chegar a tempo

Para o jornalista Alexandre Cruz, jornalista responsável pela concepção e elaboração da cartilha na Comunicação da Superintendência do MDA/RS, o material nasceu da constatação de que as informações práticas existiam, mas que estavam dispersas entre os diferentes órgãos. “Um alerta só cumpre sua função quando chega a tempo, é compreendido e se transforma em decisão”, conclui. 

Além das famílias acompanharem os alertas por meio dos canais oficiais, o guia também orienta que busquem informações por meio de rádios e organizações locais, que muitas vezes são as únicas redes de comunicação capazes de traduzir os avisos para a realidade de cada comunidade e ampliar o acesso às orientações de prevenção. 

Segundo Bernardes, as experiências dos últimos anos, como as enchentes de 2024 que afetaram mais de 200 mil propriedades rurais no estado, ensinaram que a preparação não pode começar quando o alerta já foi emitido. É necessário integrar permanentemente as propriedades, as comunidades e as políticas públicas.

“Aprendemos que a informação precisa chegar antes e ser convertida em providências concretas. Resiliência não é apenas reconstruir rapidamente depois da catástrofe. É reduzir as perdas quando o evento ocorrer e permitir que a família continue produzindo. Essa é uma responsabilidade coletiva”, afirma. 

Os eventos climáticos extremos também não produzem os mesmos danos para todas as famílias. “Há situações em que moradia, produção e alimentação familiar estão concentradas no mesmo espaço. Uma única enchente pode ameaçar simultaneamente a vida, a renda e a segurança alimentar das famílias”, explica Bernardes.

Para o agrônomo, a prevenção não pode ser tratada somente como responsabilidade individual, mas exige políticas públicas, infraestrutura e presença permanente do Estado nos territórios.

Editado por: Katia Marko

|

Newsletter