O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, criticou os Estados Unidos ao afirmar que as medidas coercitivas unilaterais aplicadas pelo governo estadunidense contra a ilha buscam não apenas “atacar” as entidades estatais, mas também o nascente setor privado cubano.
Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Rodríguez afirmou que “se ataca de forma aberta tanto o setor público quanto o setor privado, aquele que alguns funcionários estadunidenses dizem querer ajudar a desenvolver”, em referência às novas medidas anunciadas nesta terça-feira (29) por Washington.
Entre as novas disposições, que endurecem ainda mais o bloqueio, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, eliminou a autorização geral que permitia a cidadãos estadunidenses organizar ou participar de reuniões e conferências profissionais em Cuba. A medida restringe ainda mais os intercâmbios científicos, artísticos e educacionais entre os dois países.
As novas medidas também afetam o setor privado cubano. Washington revogou a autorização que permitia a bancos estadunidenses abrir e manter contas em nome de “empreendedores independentes” cubanos para realizar operações autorizadas, incluindo as conhecidas como transações “U-Turn”.
A medida altera a autorização aprovada em maio de 2024, quando o governo de Joe Biden permitiu que determinados empresários privados cubanos abrissem e mantivessem contas em bancos estadunidenses para realizar operações vinculadas a atividades autorizadas. Na época, Washington havia apresentado a medida como uma forma de facilitar o desenvolvimento do setor privado da ilha. Agora, o governo de Donald Trump revoga essa autorização específica, apesar de sua retórica afirmar que busca proteger o setor privado em Cuba.
Segundo o alerta publicado pela OFAC, os bancos que já mantiverem contas dessas pessoas deverão bloquear tanto as contas quanto os fundos e comunicá-los a esse escritório.
“Com essas novas medidas de bloqueio, pretende-se dificultar o processo de transformações econômicas em curso”, afirmou o chanceler, em referência ao pacote de 176 reformas econômicas e sociais que o governo colocou em marcha e que busca ampliar a participação do setor privado na economia da ilha.
Rodríguez também lembrou que, “há menos de 24 horas”, o secretário de Estado estadunidense havia afirmado que “Cuba já caiu”. Diante dessa declaração, o chanceler ironizou: “Acontece que agora precisa aplicar medidas adicionais”.
As novas medidas se somam a outras decisões adotadas por Washington ao longo deste ano. Em 29 de janeiro, Trump assinou uma ordem executiva que declarou uma “emergência nacional” diante da suposta “ameaça incomum e extraordinária” que, segundo a Casa Branca, Cuba representa para a segurança dos Estados Unidos e da região.

