O presidente chinês Xi Jinping e outros líderes do Partido Comunista da China (PCCh) e do Estado, junto a centenas de pessoas de diversos setores do país, participaram da cerimônia de homenagem aos mártires das lutas chinesas no período moderno, depositando flores no Monumento aos Heróis do Povo, na Praça da Paz Celestial (Tiananmen), em Pequim, na manhã desta quarta-feira (30), oficialmente o Dia dos Mártires no país.
O monumento é dedicado aos mártires das batalhas e guerras de resistência travadas entre 1840, quando o Reino Unido atacou a China de forma unilateral, no que ficou conhecido posteriormente como Primeira Guerra do Ópio, e 1949, quando foi fundada a República Popular da China.
A China chama esse período de Século da Humilhação. O monumento, um grande bloco de pedra, tem uma inscrição que marca três fases de resistência: a etapa final da Guerra de Libertação, entre 1946 e 1949, após a vitória contra a agressão japonesa; as três décadas desde o Movimento de 4 de Maio de 1919 até a fundação da República Popular; e o período que começa com o primeiro ataque britânico, em 1840.
Participaram da cerimônia todos os sete membros do Comitê Permanente do Bureau Político do PCCh, que é seu núcleo da liderança cotidiana, e do qual Xi também faz parte.
Entre os aproximadamente 2.400 participantes, havia representantes da juventude, militares, trabalhadores de empresas estatais e, inclusive, entregadores de aplicativo. Entre eles, os Jovens Pioneiros, uma organização de massa de crianças chinesas, que, segundo definição oficial, serve como uma força de reserva para a causa do socialismo e do comunismo e para o rejuvenescimento nacional, e que este ano atingiu a cifra de 112 milhões de membros.
Da pedra fundamental ao Dia dos Mártires
Em 30 de setembro de 1949, véspera da proclamação da República Popular da China, a pedra fundamental do memorial foi colocada na Praça Tiananmen e Mao Zedong leu o texto que escreveu para a inscrição, que convoca os heróis do povo a serem eternamente lembrados “desde o ano de 1840”. A construção do monumento foi iniciada em agosto de 1952 e concluída em abril de 1958.
Em agosto de 2014, o Comitê Permanente da 12ª Assembleia Nacional Popular (ANP) aprovou a criação do Dia dos Mártires no dia 30 de setembro, véspera do aniversário de fundação da República Popular da China.
O Século da Humilhação
Em 1840, no auge do seu poderio econômico e naval, o Reino Unido decide atacar a China, governada pela Dinastia Qing, que havia proibido o ópio contrabandeado pelos britânicos para dentro do país. Após derrotá-la, o Reino Unido impõe à dinastia o primeiro dos tratados desiguais: a cessão de Hong Kong, a abertura forçada de cinco portos ao comércio estrangeiro e o pagamento de pesadas “indenizações” ao governo britânico.
Na Segunda Guerra do Ópio (1856–1860), a França se uniu ao Reino Unido, o que resultou, entre outros, na destruição e saque do Palácio de Verão, em Pequim, um episódio que ainda se mantém vivo na memória da China, porque milhares de peças roubadas nessa invasão ainda estão no Museu Britânico e no Palácio de Fontainebleau, na França. Logo, a Guerra Sino-Francesa (1883–1885) consolidou o domínio francês sobre o Vietnã e abriu caminho para a criação da Indochina sob seu controle.
Já sobre o final do século, o Japão, sob a Restauração Meiji, iniciou também ataques entre 1894 e 1895, saindo vitorioso e obrigando a China a ceder Taiwan e as ilhas Penghu, além de indenizações milionárias à época. Taiwan permaneceu sob domínio colonial do Japão até este ser derrotado em 1945 na Segunda Guerra Mundial ou Guerra Mundial Antifascista.
Em 1900, uma aliança entre tropas de oito países (Reino Unido, EUA, França, Itália e os Impérios Russo, Alemão, Áustro-Húngaro e Japonês) conseguiu ocupar Pequim, em resposta a uma revolta nacionalista chinesa. O Protocolo Boxer (1901) impôs novamente “indenizações” milionárias e tornou permanente a presença de tropas estrangeiras na capital chinesa.
Em 18 de setembro de 1931, um atentado de falsa bandeira marcou o início da invasão japonesa da Manchúria, que acabou com a ocupação de todo o Nordeste chinês, onde moravam cerca de 30 milhões de pessoas.
Em 7 de julho de 1937, o Japão alegou que um soldado teria se perdido em Wanping, perto de Pequim. A alegação era falsa e foi usada como estopim para invasão em larga escala que levou a uma guerra de oito anos que terminou em 1945, com a rendição do Japão.

