O filme “Doutor Araguaia: A História de João Carlos Haas Sobrinho”, dirigido por Edson Cabral foi o tema do cine-debate da segunda-feira (28), no CineBancários, em Porto Alegre. A exibição do documentário que retrata a trajetória do médico gaúcho João Carlos Haas Sobrinho, natural de São Leopoldo, conhecido como “Dr. Araguaia”, e sua atuação na Guerrilha do Araguaia, ocorre na semana que completa os 54 anos da sua possível data de morte, em 30 de setembro de 1972.
Sonia Haas, irmã de João Carlos Haas Sobrinho, explicou que o filme é o resultado de um esforço coletivo de várias pessoas, de uma equipe maravilhosa, e o do diretor Edson Cabral, que não pode estar presente porque ele é do Tocantins.
“Eu sempre costumo fazer alguma coisa por volta dessa data (30 de setembro), para que não se esqueça. Nós não podemos esquecer essas pessoas, nós sabemos que é necessário sempre reverenciar essas figuras, não só João Carlos, mas todos os desaparecidos na ditadura”, destacou.

Apesar do tempo chuvoso na noite de segunda-feira, a exibição do documentário e o debate tiveram a participação de cerca de 50 pessoas que permaneceram no local até as 22 horas. Filmes como “Honestino”, “O Agente Secreto” e “Ainda Estou Aqui” também foram abordados durante o debate, de forma a trazer a memória daqueles que sofreram com a ditadura militar no país. Para o historiador e dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Raul Carrion, muitos morreram sem estar em uma luta armada, como foi o caso apresentado no filme “Honestino”.
Para a atividade, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região fez parceria com a União Estadual dos Estudantes do Rio Grande do Sul (UEE-RS Dr. Juca). O debate foi coordenado pelo presidente da UEE-RS, Carlos Daniel Vieira, e contou com a participação de Sonia Haas, irmã de João Carlos Haas Sobrinho, Enrico de Freitas, procurador da República (MPF), e Raul Carrion, historiador e dirigente do PCdoB.
Conforme Enrico de Freitas, o filme tem um papel social relevante, pois mostra a importância da memória e da verdade ao trazer o aspecto humano de João Carlos Haas Sobrinho. “O filme também nos faz refletir sobre uma dívida que permanece, pois o Estado brasileiro ainda não entregou à família o direito de sepultar seu corpo.”
Segundo o procurador, quando não fazemos uma verdadeira justiça de transição, não enfrentamos as violações do passado e não implementamos as recomendações da Comissão Nacional da Verdade, permitimos que permanências autoritárias continuem se manifestando no presente. “Por isso, iniciativas como este filme e este debate são fundamentais para preservar a memória, buscar justiça e fortalecer a defesa dos direitos humanos.”
O filme
“Doutor Araguaia: A História de João Carlos Haas Sobrinho” é um documentário que resgata a trajetória do médico gaúcho João Carlos Haas Sobrinho, militante político que deixou o Rio Grande do Sul durante a ditadura militar e se dirigiu à região do Araguaia.
A produção é do diretor Edson Cabral, que buscou apresentar a história pessoal de João Carlos, o Dr. Juca, sua formação e sua atuação como médico junto às populações da região, além de abordar seu envolvimento com a Guerrilha do Araguaia, um movimento de resistência à ditadura. A narrativa também acompanha a busca por informações sobre seu destino e, especialmente, pelo paradeiro de seus restos mortais.
O documentário também mostra a busca por informações sobre seu destino e, especialmente, pelo paradeiro de seus restos mortais. Ao recuperar depoimentos de familiares, pesquisadores e pessoas ligadas à trajetória de João Carlos, a produção audiovisual ultrapassa a dimensão biográfica e aborda temas como memória, verdade, justiça e direitos humanos.

