Eleições 2026

‘Governos de Lula transformaram o Nordeste’ e explicam vitória folgada na região, afirma cientista político

Benedito Tadeu César analisa cenário eleitoral, destaca impacto de indicadores sociais e MG como 'fiel da balança'

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Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores
Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores | Crédito: Ricardo Stuckert / Presidência da República

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem tecnicamente empatados nas simulações de primeiro e segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (30).

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Benedito Tadeu César, professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), avalia que as pesquisas não vêm apresentando variação relevante. Contudo, o crescimento de Flávio estancou.

César acredita que a possibilidade de a eleição ser resolvida no primeiro turno é muito baixa. O cientista político também destaca que a migração de votos dos outros candidatos de direita para Flávio não é algo automático e acredita que isso não será relevante.

“Os índices são muito baixos desses candidatos; eles não vão chegar a fazer tanta diferença. Há muitos eleitores de direita que não votariam em Flávio e cuja segunda opção de voto é em Lula, e por isso tenderiam a migrar para o Lula. Isso é o que as pesquisas mostram”, pondera. “Eleição só sabe o que aconteceu quando terminar a apuração, mas é um cenário de tensão”, aponta.

Em Pernambuco, Lula aparece com mais que o dobro de intenções de voto e seria eleito no primeiro turno com larga folga. Benedito Tadeu César lembra que Lula é pernambucano, mas não é apenas isso que faz com que ele tenha essa alta aprovação. “O Nordeste, com os governos do Lula, se transformou radicalmente; é outra coisa. Já no primeiro governo Lula, tive oportunidade de conversar com uma pessoa que foi presidente do Sebrae e que me disse: ‘Você não imagina o que é o Nordeste hoje, é a China. Ele se transforma radicalmente’. Aquele Nordeste que é a visão que boa parte do Sul e Sudeste tem, aquela imagem dos retirantes, de pobreza, aquela imagem não existe”, afirma. “O Nordeste hoje é outro país.”

César também destaca alguns pontos de melhoria do país que têm ajudado a alavancar a candidatura de Lula. “Os indicadores sociais melhoraram, nunca teve tanto emprego no país, estamos praticamente em pleno emprego, houve ganhos salariais, o país está com uma inflação baixa, a menor dos últimos dez anos”, afirma. No entanto, pondera o analista, as pessoas não sentem essa melhora na prática. “A vida ficou mais cara e os salários são tradicionalmente baixos. Para mudar isso, a gente precisa trabalhar em conjunto para aumentar o salário mínimo. E isso só vai acontecer com desenvolvimento econômico e pressão social”, argumenta.

Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados. O presidente terá dois compromissos de campanha nessa reta final no estado: em Juiz de Fora e em Belo Horizonte. O cientista político considera a estratégia acertada e observa que Minas acaba sendo considerado o fiel da balança nas eleições em virtude de sua diversidade.

“Minas tem uma região metropolitana bastante desenvolvida e com um eleitorado que tende a ser mais progressista. Acontece que Minas é muito grande e com a população significativa em pequenos municípios, e também tem uma das regiões mais pobres do país, que é o Vale do Jequitinhonha. E, por fim, Minas é um estado bastante religioso e conservador. Essa divisão do eleitorado, que a gente vê no Brasil todo, acontece no estado de Minas, que também expressa essa polarização”, explica.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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