A Defesa Civil do Rio Grande do Sul alerta para o risco de inundações em várias regiões do estado. Em Porto Alegre, a elevação do Guaíba coloca as ilhas da Capital sob alerta de risco alto. No interior, quatro rios já ultrapassaram a cota de inundação em diferentes pontos: Jacuí, Taquari, Caí e Quaraí. A situação ocorre após temporais que já afetaram 68,5 mil pessoas desde sexta-feira (25).
Na Capital, a Defesa Civil municipal também mantém um alerta hidrológico para o bairro Arquipélago e as áreas ribeirinhas das zonas sul e extremo sul. O aviso entrou em vigor às 9h desta quarta-feira (30) e tem validade prevista até o meio-dia de domingo (4).
Segundo o órgão, as chuvas dos últimos dias nas bacias dos rios que deságuam no Guaíba, somadas à previsão de vento sul, podem elevar ainda mais o nível da água e provocar inundações nas áreas mais baixas.
Guaíba deve permanecer elevado por vários dias
Segundo a MetSul Meteorologia, o Guaíba chegou a 2 metros na régua do Cais Central na manhã desta quarta-feira (30), entrando novamente em condição de cheia. No local, a cota de inundação é de 3 metros. A previsão é que o nível supere os 2,17 metros registrados em 23 de setembro, durante a cheia da semana passada, e permaneça elevado por vários dias.
O principal motivo para a nova elevação é o grande volume de água que chega pelo rio Jacuí. Em Dona Francisca, o rio alcançou um pico de 9,03 metros, acima dos 6,3 metros registrados na semana anterior. Conforme a MetSul, chuvas de até 250 mm na parte intermediária da bacia também contribuem para o aumento do volume de água que ainda deve chegar a Porto Alegre.
A chegada das águas do Jacuí e do Taquari deve acelerar a subida do Guaíba nesta quarta e quinta-feira (1º). O vento sul também pode agravar a situação, pois dificulta a saída da água em direção à Lagoa dos Patos, favorecendo a elevação do nível na região de Porto Alegre.
A MetSul não prevê uma enchente das proporções da registrada em 2024, mas alerta para novos alagamentos nas ilhas da Capital. O Guaíba deve continuar elevado durante o restante desta semana e o início da próxima.
A Defesa Civil municipal afirma que mantém equipes nas áreas de risco para acompanhar a situação e orientar os moradores. A Comissão Permanente de Atuação em Emergências (Copae) também está em alerta. Caso necessário, abrigos municipais serão disponibilizados para acolher famílias atingidas.
Quatro rios acima da cota de inundação
As cheias já atingem diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Na manhã desta quarta-feira, o rio Taquari chegou a 23,32 metros na região de Estrela e Lajeado, onde a cota de inundação é de 19 metros. Em Encantado, o nível chegou a 12,57 metros, também acima do limite de 12 metros.
No rio Jacuí, a medição em Dona Francisca apontava 8,93 metros, diante de uma cota de inundação de 7,50 metros. Em Triunfo, o nível chegou a 4,88 metros, acima do limite de 4,67 metros. A Defesa Civil estadual emitiu, na noite de terça-feira, um alerta de risco muito alto de inundação para Cachoeira do Sul.
O rio Caí também ultrapassou a cota de inundação em São Sebastião do Caí, onde atingiu 11,04 metros, e em Montenegro, com 6,23 metros. Os limites nesses municípios são, respectivamente, de 10 e 6 metros.
Na Fronteira Oeste, o rio Quaraí chegou a 12,22 metros no município de mesmo nome, superando em 2,72 metros a cota de inundação, estabelecida em 9,50 metros.
De acordo com a previsão hidrológica da Defesa Civil estadual, o risco de inundação continua nesta quarta-feira em trechos dos rios Quaraí, Jacuí, Taquari e Caí.
Para quinta-feira (1º), o órgão prevê novas inundações ou a manutenção dos níveis elevados, à medida que o grande volume de água avança pelos rios. Os pontos de atenção incluem o rio Santa Maria, em Rosário do Sul; o Jacuí, entre Cachoeira do Sul e Rio Pardo; o Taquari, a partir de Lajeado; e o Caí, em Montenegro.
Temporais já afetaram 68,5 mil pessoas no RS
A elevação dos rios ocorre após uma sequência de temporais que atingem o estado desde sexta-feira (25). Conforme balanço da Defesa Civil atualizado às 8h06 desta quarta-feira (30), 68.542 pessoas foram afetadas, das quais 6.396 ficaram desalojadas. Quatro pessoas ficaram feridas, sendo duas em Pontão, uma em Alegrete e uma em Capão do Cipó. Não há registro de mortes.
Desde o início do monitoramento, foram registradas 150 ocorrências em 130 municípios, dos quais 114 tiveram danos humanos ou materiais. O levantamento aponta 8.282 casas danificadas, 398 destelhadas e 92 alagadas, além de 43 estabelecimentos de ensino e 13 unidades de saúde danificados.

