ELEIÇÕES 2026

Sem Celina, debate na Globo é marcado por críticas ao governo do DF e situação do BRB

Kiko Caputo, Leandro Grass, Paula Belmonte e Ricardo Cappelli participaram do encontro nesta terça-feira (29)

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Candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram do debate promovido pela TV Globo; Celina Leão não compareceu ao encontro
Candidatos ao Governo do Distrito Federal participaram do debate promovido pela TV Globo; Celina Leão não compareceu ao encontro | Crédito: Reprodução/TV Globo

O debate entre os candidatos ao Governo do Distrito Federal (GDF) realizado pela TV Globo, na noite desta terça-feira (29), foi marcado por críticas à atual gestão e discussões sobre a situação do Banco de Brasília (BRB), saúde, transporte e segurança. A governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), não compareceu ao encontro e teve uma cadeira vazia, identificada com seu nome, mantida no cenário.

Participaram do debate Kiko Caputo (Novo), Leandro Grass (PT), Paula Belmonte (PSDB) e Ricardo Cappelli (PSB). A ausência de Celina foi incorporada à dinâmica do primeiro bloco. Pelas regras, cada candidato poderia utilizar 30 segundos para formular uma pergunta à candidata ausente. Os quatro usaram o tempo para questionar Celina sobre a gestão do Distrito Federal.

O encontro foi dividido em quatro blocos. No primeiro, os candidatos responderam a perguntas sobre temas sorteados ao vivo, entre eles saúde, corrupção, segurança pública, educação, assistência social, regularização fundiária, BRB, meio ambiente, desenvolvimento econômico e contas públicas. No segundo, os temas foram livres. No terceiro, as perguntas foram definidas a partir de regiões do Distrito Federal sorteadas. Já o quarto bloco voltou a ter temas livres e terminou com as considerações finais das candidaturas.

BRB

O BRB foi o primeiro tema sorteado. Leandro Grass utilizou os 30 segundos destinados à candidata ausente para questionar a relação entre o vice-governador Gustavo Rocha e pessoas ligadas ao caso Banco Master. “O fato é que o vice da Celina [Gustavo Rocha do Republicanos] recebeu o dinheiro desse fundo que é ligado ao Master. Será que esse dinheiro veio do BRB? A gente quer saber, a polícia tem que investigar. E só tem um jeito, é não eleger Celina”, afirmou Grass.

A declaração ocorreu em meio às informações divulgadas nas últimas semanas sobre pagamentos feitos a Engels Augusto Muniz, advogado que administrava o escritório associado a Gustavo Rocha. Segundo a Folha de S.Paulo, Muniz recebeu R$ 7,3 milhões do Banco Master e de um fundo ligado à Reag entre junho de 2024 e dezembro de 2025. Desse total, R$ 3 milhões foram pagos pelo Master e por Daniel Vorcaro.

Os valores foram destinados ao escritório individual de Engels Muniz, e não diretamente a Gustavo Rocha. Em decisão, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE) destacou que os pagamentos feitos à sociedade de Muniz não podem ser atribuídos ao candidato a vice apenas pela relação profissional entre os dois.

Kiko Caputo também questionou a falta de informações sobre a situação financeira do banco. “Esse governo, Ibaneis/Celina é inimigo da transparência e até hoje ninguém veio a público em respeito à sociedade dizer qual é o tamanho do rombo do BRB. Só tem uma pessoa presa até hoje, é um escárnio, é uma vergonha com a população”, afirmou.

Saúde

A saúde foi outro dos principais pontos discutidos durante o debate. Ao responder a uma pergunta de Paula Belmonte, Leandro Grass mencionou a Operação Falso Negativo e criticou a aplicação de recursos na área pela atual gestão.

“A saúde foi destruída no DF. Não vamos esquecer que o secretário do Ibaneis foi preso lá atrás, que teve a Operação Falso Negativo, que eles desviaram o dinheiro da saúde. Tiraram o dinheiro da saúde para botar lá no BRB para tentar render um pouquinho de dinheiro e diminuir o rombo”, acusou Grass.

O secretário citado por Grass é Francisco Araújo Filho, que comandou a Secretaria de Saúde do DF em 2020 e foi preso durante as investigações da Operação Falso Negativo, que apurou suspeitas de superfaturamento e outras irregularidades na compra de testes para Covid-19.

Ricardo Cappelli também criticou a situação da saúde e relacionou a falta de profissionais ao orçamento do Distrito Federal. “No Distrito Federal não falta dinheiro. O orçamento deste ano é de R$ 74 bilhões. É recorde, mas está faltando médico. Você chega na UPA, não tem médico. Você chega na UBS, não tem médico”, afirmou Cappelli.

Paula também criticou o PT durante o debate. Em resposta, Grass defendeu ações de governos petistas na área da saúde e citou programas federais. “Você está batendo no PT e não deveria. Você falou de saúde em casa. Sabe quem criou? Cristovam Buarque (PSB), governador com Arlete Sampaio sua vice, governo do PT. Quando a gente fala, por exemplo, de Mais Médicos, Farmácia Popular, quando a gente fala de mais especialistas, a gente tá falando de coisas que foram feitas no governo do Lula”, declarou Grass.

Transporte e segurança

O transporte público também foi alvo de críticas durante o debate. Kiko Caputo questionou a qualidade do sistema e apontou problemas no metrô e nos ônibus. “Todos esses partidos que disputam a eleição já governaram o Distrito Federal e olha o estado que eles nos entregaram: saúde na UTI, transporte público de péssima qualidade, o metrô totalmente sucateado, os ônibus sem fiscalização, lotado, sem ar-condicionado”, afirmou.

A segurança pública também foi discutida entre os candidatos. Paula Belmonte falou sobre o medo de assaltos e a violência contra as mulheres no Distrito Federal. “Essa é a realidade do Distrito Federal. É a realidade do feminicídio, que muitas mulheres estão morrendo e a violência está acontecendo”, afirmou.

Nas considerações finais, Leandro Grass voltou a mencionar a ausência de Celina Leão e relacionou a falta da candidata aos problemas discutidos ao longo do debate. “A Celina não veio aqui, a Celina não foi no hospital, a Celina não foi na escola, a Celina não foi no transporte, ela abandonou o Distrito Federal, por isso que ela não tá aqui. Ela não tem condições de governar mais essa cidade, foi o pior governo da história”, declarou Grass.


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Editado por: Flavia Quirino

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