A presidenta mexicana Claudia Sheinbaum reafirmou seu compromisso com o caso Ayotzinapa na busca pela verdade e justiça, destacando o progresso das investigações baseadas em análises científicas, registros telefônicos e gravações em vídeo, que levaram a 30 prisões.
“O caso não será encerrado até que a verdade seja descoberta, a justiça seja feita e o paradeiro dos jovens seja encontrado; esse é o nosso compromisso com as mães, os pais e o povo do México”, declarou a presidenta durante sua coletiva de imprensa matinal, detalhando o andamento das investigações.
Sheinbaum explicou que o trabalho coordenado com o Ministério Público permitiu uma investigação mais aprofundada de elementos que não haviam sido investigados minuciosamente antes, indo além da dependência exclusiva de depoimentos de testemunhas ou supostos criminosos.
Arturo Félix Medina Padilla, subsecretário de Direitos Humanos, explicou dados relevantes do relatório apresentado sobre o caso Ayotzinapa e detalhou que mais pessoas potencialmente envolvidas foram identificadas graças à análise aprofundada dos registros telefônicos da noite em que os jovens desapareceram.
A reanálise de chamadas permitiu detectar contatos entre membros do crime organizado e o proprietário de uma funerária que possuía concessão do Serviço Médico Legal (Semefo).
A investigação levou à apreensão de bens pertencentes ao proprietário, em que foram confiscadas certidões de óbito com assinaturas e páginas em branco. Confirmou-se que os indivíduos presos por envolvimento no crime haviam contatado esses estabelecimentos e um médico naquela noite, e que restos mortais foram encontrados no local sem registro oficial.
Rastreamento de telefones celulares e o comando Barandilla
Outro aspecto fundamental da investigação centra-se no rastreamento dos telemóveis dos estudantes desaparecidos, por meio da análise dos números de identificação e da troca de cartões SIM. Isso permitiu aos investigadores identificarem duas pistas cruciais: uma pessoa atualmente detida que utilizou um dos aparelhos após o desaparecimento e a descoberta de um dos telemóveis das vítimas no tribunal.
Este último elemento corrobora a hipótese de que pelo menos um grupo de estudantes da Escola Normal Rural de Ayotzinapa estava presente naquele tribunal municipal, versão anteriormente negada. Em resposta, o governo federal está pressionando pela extradição do juiz-chefe da delegacia local, que buscou refúgio nos Estados Unidos e cujas declarações anteriores foram usadas para negar a presença dos estudantes.
Investigações sobre vídeos e prisões importantes
As novas investigações também permitiram apurar o ocultamento das gravações de segurança do Tribunal de Iguala, local onde um dos ônibus dos estudantes chegou na noite dos acontecimentos.
Considerando a versão inicial de que as câmeras não estavam funcionando, as autoridades questionaram o paradeiro das referidas gravações, o que levou à prisão da então presidente do Tribunal Superior de Justiça de Guerrero, Lambertina Galeana, e de outra pessoa por seu envolvimento no encobrimento de provas.
Nesse contexto, Sheinbaum destacou a prisão de Ángel Aguirre Rivero (ex-governador de Guerrero), que está sendo processado por supostamente ordenar o ocultamento de provas, bem como a captura de um indivíduo que era menor de idade em 2014 e pertencia a um grupo criminoso. A estratégia é complementada pela revisão contínua de processos com o apoio do Centro Nacional de Inteligência.
Todas essas investigações e novas linhas de apuração estão sendo desenvolvidas em decorrência dos eventos ocorridos na noite de 26 de setembro de 2014, quando cem estudantes da Escola Normal Rural Raúl Isidro Burgos de Ayotzinapa viajavam em cinco ônibus para a Cidade do México para participar de uma manifestação, momento em que o comboio foi atacado por cinco patrulhas municipais em Iguala, Guerrero.
Dois estudantes e quatro transeuntes morreram no incidente, enquanto 43 jovens foram presos e entregues ao grupo criminoso Guerreros Unidos. A Procuradoria-Geral da República também mantém a hipótese de que o quinto ônibus transportava um carregamento de heroína com destino a Chicago, nos Estados Unidos.

