FORÇA POÉTICA

Cantora de Goiana (PE), Luana Tavares estreia álbum inspirado na ancestralidade e na Zona da Mata

Em primeiro disco de estúdio, Luana Tavares atravessa temas como ancestralidade, feminilidade, afetos e pertencimento

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Álbum homônimo de Luana Tavares está disponível nas principais plataformas
Álbum homônimo de Luana Tavares está disponível nas principais plataformas | Crédito: Luana Tavares/Divulgação

A cantora e compositora pernambucana Luana Tavares lança nesta quinta-feira (1º) seu primeiro álbum de estúdio, “Luana Tavares”, já disponível nas plataformas digitais. Natural de Goiana, na Zona da Mata Norte, a artista reúne nove músicas autorais no trabalho, seis delas inéditas, em uma produção que atravessa temas como ancestralidade, feminilidade, afetos, racismo e pertencimento territorial. O disco tem direção musical de Juliano Holanda e produção artística de Mery Lemos.

Integrante da Mostra Reverbo, Luana constrói no álbum uma narrativa marcada pelas experiências de ser uma mulher negra nascida e criada na Zona da Mata. A região aparece como elemento que influencia as imagens, os ritmos e as reflexões presentes nas canções. Percussões, referências à música de terreiro e sonoridades associadas à cultura afro-brasileira se encontram com elementos da música produzida na Mata Norte.

“É um disco em que trago um pouco mais de pulsação, de força. Conto sobre como essa bagagem de ser da Zona da Mata me atravessa e faz ver o mundo. As inquietações permanecem: de ser negra, de fazer minha poesia, do protagonismo negro”, afirma a cantora.

O álbum também amplia a rede de parceiros que acompanha a trajetória de Luana. Participam do trabalho Isaar, Gabi da Pele Preta, Jonatas Onofre, Hélio Abulidu e o próprio Juliano Holanda, que além de cantar e tocar baixo e violão, assina a produção e a direção musical. A formação inclui ainda Gilú Amaral na percussão, Nilsinho Amarante no trombone e um coro formado por Mery Lemos, Mayara Pêra e Vinícius Barros.

Entre as faixas, estão músicas que já haviam sido apresentadas ao público, como “Boca da Mata”, “Tomara” e “Minha Missão”, esta última composta em parceria com Gabi da Pele Preta. O repertório inédito inclui “Sabença”, “Espelho”, “Onde Está Seu Coração”, “O Amor Vai Nos Dizer”, “Lama” e “Flerte”.

A composição do disco percorre diferentes estados e perspectivas. “Espelho”, por exemplo, aborda a relação da mulher consigo mesma e a valorização da própria identidade, enquanto “Minha Missão” trata da autoaceitação da mulher negra. Já “Flerte” explora desejo e sensualidade a partir de uma sonoridade que dialoga com a cumbia e a música latina.

A relação com o território ganha destaque em “Boca da Mata”, que evoca a paisagem e as referências da região onde Luana nasceu. Em “Lama”, parceria com Juliano Holanda, a artista transforma a experiência de deslocamento da Zona da Mata para o ambiente urbano em metáfora para situações de marginalização e não pertencimento.

“Você acaba sendo espremido, questionado, colocado no canto, nas margens. Você não é visto totalmente, por completo. Uso a lama no sentido figurado, coisa que as pessoas não querem tocar, se misturar. Por ter vindo de outro lugar, estar aqui e me sentir acuada, afastada, meio às margens. E a lama tem a força de fazer brotar coisas boas e bonitas”, reflete Luana.

O álbum dá continuidade a trabalhos anteriores da cantora. Em 2022, ela lançou “Boca da Mata”, registro ao vivo voltado para a ancestralidade e as referências culturais da Zona da Mata. Em 2025, apresentou “Outro Astral”, EP e álbum visual que ampliou sua pesquisa sonora.

Para Juliano Holanda, o novo trabalho se diferencia por preservar uma conexão entre as faixas, em vez de funcionar apenas como uma reunião de singles. “É um disco que conta uma história. Eu acho que era importante Luana se firmar como compositora, pois ela tem um trabalho muito complexo de criação”, afirma.

As canções também apresentam diferentes formas de abordar a experiência feminina. Em “Tomara”, com participação de Isaar, o samba de roda fala sobre desejo e reciprocidade. “Sabença” se aproxima de uma conversa ou súplica em busca de sabedoria, enquanto “O Amor Vai Nos Dizer”, parceria com Jonatas Onofre e Alexandre Revoredo, trata de transformação e recomeços.

“Isso se reflete na minha criação de uma maneira que eu não deixo que nada me atropele. Tudo é desaguado nas composições. Consigo esbravejar contra tudo que me atravessa. Fazer esse disco faz parte disso, deixar um suspiro pra quem tá fazendo. A gente não pode morrer enquanto está tentando viver”, declara a artista.

“Luana Tavares” conta com incentivo do Funcultura, por meio da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.

Editado por: Rostand Tiago

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