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Eleições Brasil 2026: uma batalha contra o imperialismo

O Brasil deve conter o avanço da Doutrina Monroe e do seu corolário Trump, que implica em neocolonialismo e imperialismo

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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. | Crédito: Aaron Schwartz e Sergio Lima/AFP

As amplas eleições que ocorrerão no próximo dia 4 de outubro no Brasil, nas quais serão eleitos presidente, governadores e parlamentares, têm importância estratégica para a nossa Abya Yala e para todo o globo terrestre. O Brasil é o quinto maior país em extensão territorial, está entre as dez maiores economias e ocupa o sétimo lugar demográfico no mundo. 

Por outro lado, o Brasil de Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), faz parte dos Brics, grupo que vem defendendo uma ordem mundial mais justa e equilibrada. Seu principal parceiro comercial é a China, com tendência de crescimento no intercâmbio comercial. Além disso, o governo fez fortes críticas à entidade sionista que, com a ajuda dos EUA, está executando um genocídio contra o povo palestino. Tudo isso o torna o principal alvo do presidente Trump no hemisfério. 

Trump já impôs tarifas entre 12,5% e 50% às importações norte-americanas provenientes do Brasil, o que fez as exportações brasileiras para os EUA caírem aos níveis mais baixos desde 1997, afetando negativamente a economia nacional e resultando no baixo crescimento do PIB em 2026.

Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio, têm se pronunciado a favor da candidatura de Flávio Bolsonaro e criticado ferozmente o julgamento promovido contra Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado, chegando ao extremo de adotar medidas coercitivas unilaterais contra o juiz responsável pelo processo. 

A intromissão dos EUA nos assuntos internos de outros países é bem conhecida. Na Nossa América, os EUA derrubaram dezenas de governos e instalaram ditaduras militares, desestabilizaram governos legítimos, bloquearam e impuseram medidas ilegais e desumanas contra povos inteiros e violaram a soberania de vários países com agressões militares diretas, como ocorreu em México, Cuba, Haiti, Nicarágua, República Dominicana, Panamá, Granada e Venezuela. 

Os EUA manipularam eleições abertamente, tendo nos últimos 18 meses os exemplos de Honduras, Equador, Colômbia e Peru, em que impulsionaram candidatos de forma grotesca e descarada, ameaçaram a população com o bloqueio do envio de remessas, amedrontaram governos e empresários com o aumento de tarifas e utilizaram mecanismos de manipulação e desinformação contra amplos setores da população, recorrendo a Big Data, algoritmos de redes sociais e buscadores, e à inteligência artificial.

A ingerência dos EUA nos assuntos internos de dezenas de países ficou registrada em diversos livros, como os de William Blum (2005 e 2006), Guenther Roppel (2005) e Luis Suárez Salazar (2006), entre outros. 

Em 1964, deram um golpe de Estado no presidente João Goulart, pouco após ele anunciar a desapropriação e redistribuição de terras privadas e a nacionalização de refinarias de petróleo, e posteriormente conseguiram a destituição da presidenta Dilma Rousseff, do PT, por meio de um impeachment em 2016.

Por outro lado, o candidato com maiores possibilidades de disputar a presidência contra Lula é o atual senador pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro. Como filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele viajou a Washington para se reunir com o secretário de Estado e planejar a campanha contra Lula, o que resultou na aplicação de tarifas de 50% sobre importantes produtos vindos do Brasil, com a intenção de afetar todo o povo brasileiro e tirar o apoio ao governo Lula. Poucos dias após essa visita, Marco Rubio declarou que “o Brasil não é amigo dos Estados Unidos”, frase direcionada a gerar mal-estar e angústia nas classes média e alta do país.

Flávio Bolsonaro também visitou Tel Aviv em busca do apoio de Netanyahu e ofereceu transferir a embaixada do Brasil para Jerusalém caso vença as eleições. O apoio sionista é considerado muito importante, pois mantém relações de peso com grandes grupos econômico-financeiros que gerenciam a economia brasileira e mundial, além de constituírem um suporte relevante na área tecnológica, possuindo recursos sofisticados de manipulação da população e espionagem. Em contrapartida, vale lembrar que Lula foi declarado persona non grata em 2024 pelo governo sionista e retirou o embaixador brasileiro de Tel Aviv.

A questão de Jerusalém também afeta as igrejas protestantes, muitas das quais possuem financiamento sionista e, por consequência, sofrem influência direta dessa corrente, impactando milhões de eleitores brasileiros. Como se não bastasse, uma quantidade significativa de quadros do PL e de outras agremiações políticas que apoiam Flávio Bolsonaro é formada abertamente por seguidores do fascismo, militantes de extrema-direita e militares negacionistas dos assassinatos, desaparecimentos e torturas cometidos pelas ditaduras, chegando a se autodefinirem fascistas.

Também é obrigatório recordar que os povos, sobretudo os mais humildes, se cansam de posturas indefinidas, e a tentativa de agradar tanto aos poderosos quanto aos despossuídos geralmente não traz bons resultados eleitorais. A posição de confronto adotada por Lula contra Trump permitiu ao presidente recuperar parte do eleitorado que se havia afastado. 

O Brasil é um dos países com maior desigualdade econômica do planeta, e o PT e o próprio Lula devem retornar às suas raízes e confrontar os opressores, os latifundiários grileiros e os empreiteiros corruptos, voltando-se de forma decidida ao lado dos operários, camponeses, indígenas, classes médias baixas e pobres, o que garantirá a recuperação de grande parcela da massa votante.

É preciso reconhecer que o presidente Lula tirou milhões de cidadãos brasileiros da pobreza e possui grande influência sobre as classes populares, os trabalhadores organizados, os indígenas e os camponeses sem-terra. Comenta-se que ele está atualmente trabalhando com os setores evangélicos populares, a juventude e os trabalhadores mais vulneráveis, que somam uma fatia expressiva do eleitorado. 

É pouco provável que algum candidato vença a eleição no primeiro turno de 4 de outubro, tornando vitais os apoios para o segundo turno. Os militantes do chamado “centrão”, a esquerda moderada desencantada e a ultraesquerda que critica Lula por não realizar mudanças mais profundas devem fazer um esforço para derrotar a direita fascista, sionista e pró-imperialista, deixando de lado considerações personalistas para ajudar Lula a vencer com maior margem.

Embora Lula tenha vetado a entrada da Venezuela nos Brics, não tenha reconhecido o presidente Maduro em 2024 e tenha atuado de forma excessivamente morna diante do seu sequestro, e embora não tenha apoiado Cuba com combustível e petróleo bruto — ações que não lhe trouxeram apoiadores, mas o contrário —, ele ainda está a tempo de reverter essa situação, corrigindo sua postura e assumindo responsabilidade nesses aspectos. 

Lula precisa vencer, pois o contrário significaria um grande retrocesso para o Brasil, para o continente e para o mundo. O Brasil deve conter o avanço da Doutrina Monroe e do seu corolário Trump, que implica um neocolonialismo e um imperialismo brutais. O país deve ser parte importante dos polos de poder que precisam se conformar na Nossa América. O fascismo e o neocolonialismo não são democráticos; o imperialismo é explorador, supremacista e visa apenas aos seus próprios interesses, devendo ser contido e derrotado.

Esperamos que o povo brasileiro e seus atores políticos saibam escolher o melhor destino para todos os seus habitantes atuais e futuros. Os povos são sábios e corajosos, e o povo brasileiro e seus líderes saberão demonstrar isso no próximo processo eleitoral.

**Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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