Estratégia eleitoral

Entrevista de Lula no podcast Flow na hora do debate na Globo pode conquistar votos de indecisos, afirma cientista político

Paulo Roberto de Souza avalia que modelo de debates tradicionais abre margem para desinformação e ataques

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Porto Alegre (RS).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Porto Alegre (RS). | Crédito: Silvio Ávila/AFP

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não participar do debate desta quinta-feira (1º) na Globo não foi unânime dentro do partido. Figuras como o presidente do PT, Edinho Silva, e o marqueteiro Sidônio Palmeira tinham uma visão de que a presença de Lula seria positiva. Mas, segundo o ICL Notícias, o próprio Lula, encorajado pela primeira-dama, Janja, sinalizou o desejo de se ausentar do debate.

Lula confirmou que, no horário do debate, vai participar de uma entrevista no Flow Podcast, um dos podcasts de maior audiência do país.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza mantém a visão de que seria positivo que Lula comparecesse ao debate, considerando a previsibilidade na condução pela Globo. Ele avalia que, a princípio, não haveria Romeu Zema (Novo), “o Padre Kelmon do Flávio Bolsonaro (PL)”, e que Augusto Cury apresenta postura como “a turma do deixa disso”. Os maiores antagonistas, portanto, seriam Flávio e Caiado.

“Eu acho que seria um ambiente mais interessante para o Lula participar. Mas aí ele toma a decisão de participar do Flow, que também não é qualquer podcast”, avalia.

Por outro lado, Souza pondera que o formato de debate no Brasil dificulta rebater desinformações. “O formato é difícil, especialmente quando a gente está lidando com candidatos que apelam muito para distorções, mentiras. A gente não conseguiu chegar a um modelo mínimo de checagem de fatos. E isso gera muitos cortes para as redes sociais que apostam nesse antagonismo muito pesado do bem contra o mal e na humilhação do outro”, aponta.

Nesse sentido, a participação em um podcast, um ambiente mais controlado, pode ser uma boa estratégia para capturar os votos de indecisos. “Isso já ocorreu agora, por exemplo, quando houve a crise com Nossa Senhora Aparecida, em que Flávio optou por ir a um podcast católico e não à mídia de referência”, pontua.

O cientista político destaca a postura mais agressiva nessa reta final de Renan Santos (Missão), que tem se posicionado em oposição a Flávio, procurando construir-se como uma opção do campo conservador. “Para a disputa na direita, para Renan Santos, para o próprio Tarcísio de Freitas, é melhor que Flávio perca, porque você tem um aumento de poder da família Bolsonaro. Quem perder vai deixar um espólio, e esse espólio da direita é mais interessante para Renan”, afirma.

Na avaliação de Paulo Roberto de Souza, a estratégia de Flávio no debate desta quinta-feira deve ser adotar uma postura mais moderada, considerando que os escândalos envolvendo seu nome só se avolumaram nos últimos dias. “Ele vai tentar mostrar que ele não é aquele boçal que o pai dele é. O desafio é ir na direção dos moderados e indecisos, e uma parte da sua rejeição é exatamente a vinculação a seu pai. Ele vai tentar manter a ideia de ‘Flavinho paz e amor'”, pontua.

Sobre a ausência de Renan Santos no debate, ratificada pela ministra do STF Cármen Lúcia, o analista lembra que, na eleição de 2024, para a Globo, foi interessante “manter o mitômano do Pablo Marçal, que fez o que quis”. “Agora parece que se importam porque, diante da postura de Renan Santos — e longe de defendê-lo, mas só comparando as situações — […] No contexto de ausência do Lula, Renan Santos iria para cima de Flávio Bolsonaro”, aposta.

Para ouvir e assistir

Durante o horário eleitoral, até 1º de outubro, o jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira das 12h25 às 14h, e a segunda, sem alteração, a partir das 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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