Identificar quem são, onde estão e como atuam as organizações, coletivos e iniciativas da sociedade civil que trabalham pela promoção, proteção e defesa dos direitos das mulheres no Rio Grande do Sul é o objetivo do Femininos em Ação, mapeamento inédito lançado pela Fundação Gerações e pelo Conselho Estadual dos Direitos da Mulher do Rio Grande do Sul (CEDM-RS).
A pesquisa pretende construir um panorama estadual da diversidade de iniciativas presentes nos diferentes territórios, reunindo informações sobre áreas de atuação, projetos, serviços, participação em redes e conselhos, relação com políticas públicas, fontes de recursos, desafios e perspectivas.
Lançado no início de setembro, o levantamento está com participação aberta até 10 de outubro e é realizado por meio de um formulário de autodiagnóstico preenchido pelas próprias organizações, movimentos, coletivos e iniciativas participantes.
A proposta surgiu a partir de uma dificuldade identificada pela Fundação Gerações durante a elaboração do Guia de Apoio e Proteção a Mulheres, lançado em março. O material sistematiza informações sobre as redes de atendimento especializado em Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Pelotas e Santa Maria.
Segundo a presidenta da Fundação Gerações, Karine Ruy, a produção do guia evidenciou a falta de dados atualizados sobre a atuação da sociedade civil na área. “Enquanto produzíamos esse material, tivemos dificuldade em encontrar dados atualizados a respeito da atuação da sociedade civil nesse campo, seus projetos e serviços. Foi dessa inquietação, compartilhada com o CEDM, que surgiu a proposta de realizarmos conjuntamente o mapeamento ‘Femininos em Ação’”, explica Ruy.
Para a jornalista, conhecer essa rede permitirá compreender como as iniciativas se organizam, como se relacionam com as políticas públicas e quais obstáculos enfrentam para desenvolver os projetos. “Ter acesso a esses dados é o primeiro passo para planejar estratégias capazes de fortalecer organizações que estão comprometidas com uma sociedade mais justa e inclusiva para todas as mulheres.”
Visibilidade para iniciativas nos territórios
A presidenta do CEDM-RS, Natália Fetter, destaca que o levantamento pretende dar visibilidade à diversidade de organizações e movimentos que atuam no estado, incluindo grupos não formalizados ou que ainda não mantêm relação direta com os espaços institucionais de participação e controle social.
“Sabemos que existe uma atuação muito potente nos territórios, muitas vezes realizada por grupos que não estão formalizados ou que ainda não mantêm uma relação direta com os espaços institucionais de participação e controle social”, ressalta Fetter.
De acordo com a presidenta, o mapeamento deverá permitir identificar quais mulheres e organizações estão mobilizadas, quais pautas desenvolvem, quais públicos alcançam, como se organizam e quais são os principais desafios.
Para ela, conhecer essa realidade é fundamental para ampliar a participação social e aproximar o conselho das experiências e demandas dos municípios e regiões do estado. “O CEDM-RS precisa estar cada vez mais conectado com aquilo que acontece nos municípios e regiões do Estado, inclusive para que diferentes experiências, demandas e vozes possam chegar ao conselho e contribuir para o acompanhamento e a construção das políticas públicas para as mulheres.”
Dados podem orientar estratégias e políticas públicas
A sistematização das informações deverá ajudar a identificar tanto experiências que podem ser compartilhadas com outros territórios quanto lacunas na atuação da sociedade civil.
Ruy explica que os dados poderão orientar o fortalecimento das iniciativas e a articulação entre diferentes setores. “Os dados servirão como uma bússola, indicando tanto boas práticas de iniciativas que podem ter suas metodologias amplificadas para outros territórios quanto lacunas na atuação da sociedade civil com o tema.”
Ela cita como exemplo a ausência de coletivos e organizações dedicados à pauta em determinada região, situação que pode orientar esforços de articulação.
Na avaliação de Fetter, o levantamento também poderá mostrar onde há maior articulação da sociedade civil e quais territórios apresentam menor participação nas redes e nos espaços de controle social.
As informações poderão subsidiar a aproximação com organizações e movimentos, iniciativas de formação e fortalecimento da participação social e o diálogo com os órgãos responsáveis pelas políticas públicas para as mulheres.
“Há ainda uma dimensão muito importante de articulação. Ao tornar visível quem está atuando e em quais áreas, podemos aproximar iniciativas que enfrentam desafios semelhantes e fortalecer redes de cooperação e troca de experiências”, destaca Fetter.
A presidenta do conselho também ressalta que as informações poderão contribuir para ampliar a capacidade de escuta e a presença do órgão nos diferentes territórios.
Diversidade de pautas e formas de atuação
Um dos diferenciais do levantamento, segundo Ruy, é tornar visível a rede de iniciativas que se mobilizam em torno da defesa dos direitos das mulheres, inclusive aquelas que ainda não estão formalmente articuladas aos espaços de incidência política. “Acreditamos que essa seja uma pauta presente em muitos coletivos que ainda não estão formalmente articulados com espaços de incidência política.”
Fetter acrescenta que a diversidade territorial e social precisa ser considerada na compreensão das demandas das mulheres no estado. “As demandas não são necessariamente as mesmas em todas as regiões e também variam conforme os diferentes grupos de mulheres. Portanto, quanto mais conseguirmos compreender essa diversidade territorial e social, melhores serão as condições para fortalecer a representação, a participação e o controle social das políticas públicas”, avalia.
Entre as informações consideradas importantes pelo conselho estão a distribuição territorial das iniciativas, os projetos e serviços desenvolvidos, a participação em redes e as dificuldades enfrentadas para manter e ampliar o trabalho.
Divulgação dos resultados está prevista para novembro
A pesquisa é coordenada pela secretária de Formação do CEDM-RS, Renata Teixeira Jardim, advogada e mestre em Antropologia Social.
“Mapear é dar visibilidade a essa atuação, aproximar iniciativas e fortalecer as redes em todo o Rio Grande do Sul. Esse conhecimento também pode ajudar o conselho a ampliar o diálogo com os diferentes territórios e fortalecer a participação social”, afirma Jardim.
A equipe técnica deverá compilar e sistematizar os dados em outubro, com previsão de divulgação dos resultados em novembro.
De acordo com Ruy, a forma de compartilhamento das informações ainda está em avaliação. A intenção, no entanto, é promover ampla divulgação e debate sobre os resultados. “Com certeza nos dedicaremos, em parceria com o conselho, a uma ampla divulgação e, sobretudo, ao debate a respeito dos achados do mapeamento.”
Como participar
Organizações da sociedade civil, movimentos, coletivos e outras iniciativas que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos das mulheres podem participar do levantamento até 10 de outubro, por meio do formulário de autodiagnóstico.
Formulário: https://www.surveymonkey.com/r/W859H6B

