A decisão sobre abertura de processo disciplinar contra o deputado distrital Daniel Donizet (MDB-DF), por suspeita de assédio sexual contra ex-servidoras do seu gabinete, se arrasta há quase um ano na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Nesse período, o parlamentar virou réu no processo criminal do caso e atualmente é candidato a deputado federal. Ele nega as acusações.
A última movimentação na CLDF ocorreu em novembro de 2025, quando houve pedido de vistas apresentado pelo deputado Fábio Félix (Psol-DF). Desde então, o trâmite aguarda a nova deliberação do Conselho de Ética, atualmente formado pelos deputados Hermeto (MDB-DF), João Cardoso (PL-DF), Fábio Felix (Psol), Gabriel Magno (PT-DF) e Thiago Manzoni (PL-DF).
O Brasil de Fato DF entrou em contato com a assessoria do presidente da comissão, deputado Hermeto, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. À reportagem, a CLDF informou que “o processo em relação ao deputado Daniel Donizet encontra-se no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, no momento, aguardando a marcação de nova reunião do colegiado, ainda a ser agendada”.
Em convenção do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no início de agosto, o parlamentar foi homologado como candidato a deputado federal pelo DF. Em 2026, Donizet teve mais de 80% de ausências nas sessões da CLDF e é conhecido por defender a causa animal.
Entenda as acusações
As primeiras denúncias contra Daniel Donizet vieram a público em outubro de 2023. Reportagem da Folha de S. Paulo revelou relatos de ex-servidoras que o acusavam de assédio e importunação sexual. Uma das mulheres afirmou ter sido exonerada após rejeitar investidas do deputado. Ela também relatou abordagens de cunho sexual em confraternizações promovidas com a equipe. Outra ex-assessora do parlamentar afirmou ter mantido relação sexual com Donizet, mas disse que se sentiu coagida em razão da relação de subordinação.
As denúncias deram origem a investigações do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e, posteriormente, a representações na CLDF. Em abril, o Conselho Especial do Tribunal de Justiça do DF aceitou a denúncia do Ministério Público e o parlamentar se tornou réu por assédio sexual.
O parlamentar também se tornou alvo de investigação, em 2023, após uma garota de programa afirmar que foi espancada por um dos seus assessores. Donizet teria negado prestar socorro à vítima.
Outro caso polêmico ocorreu em março de 2025. Na ocasião, a influenciadora Andressa Urach afirmou ter sido assediada pelo parlamentar em uma boate em Porto Alegre (RS). Urach relatou nas redes sociais que o parlamentar tentou entrar à força em seu camarote e insistiu em interagir e tirar fotos após diversas negativas.
Em junho de 2025, Donizet foi pego pela Polícia Militar dirigindo embriagado próximo ao viaduto do Riacho Fundo I. Na ocasião, o deputado se negou a fazer teste do bafômetro e foi autuado pela recusa. Segundo a PM, o parlamentar tentou se utilizar do cargo público para se livrar da ocorrência. A infração é gravíssima e prevê multa de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de dirigir por 12 meses.
Deputadas pediram afastamento
Um pedido de afastamento do deputado já havia sido formalizado em junho de 2025 por cinco parlamentares da CLDF. O documento, apresentado pela Procuradoria Especial da Mulher, solicitou a suspensão do mandato de Donizet por, no mínimo, 90 dias, com base no Regimento Interno e no Código de Ética da Casa.
Na última sessão plenária do primeiro semestre deste ano, realizada em 30 de junho, as deputadas distritais Dayse Amarilio (PSB) e Paula Belmonte (PSDB) pediram ao presidente da CLDF, Welington Luiz (MDB), que desarquivasse a denúncia envolvendo Donizet para que o processo fosse julgado ainda neste segundo semestre.
“O deputado não vem, entra mês, sai mês e o processo está parado. Então, peço que isso seja avaliado no próximo semestre. Deixo essa solicitação porque acredito que não sou só eu que estou incomodada”, solicitou Amarilio.
Já a deputada Belmonte afirmou que, além do processo de cassação contra Donizet, ela própria passou a responder a um processo de cassação após atuar, como Procuradora Especial da Mulher, na denúncia contra o parlamentar. Em pronunciamento, Belmonte deu a entender que o processo contra ela decorre de sua atuação no caso do deputado. “Nós, mulheres, precisamos nos unir para mostrar que este parlamento realmente defende as mulheres e combate qualquer tipo de assédio”, declarou.
Outro lado
À reportagem, a assessoria do parlamentar informou que “o deputado Daniel Donizet enfatiza que as acusações citadas não procedem. Ele reafirma sua inocência e segue confiante de que ela será comprovada no curso regular do processo, com respeito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal.”
Daniel Donizet está em seu segundo mandato como deputado distrital. Em 2022, foi reeleito com 33 mil votos pelo PL. Em abril de 2023, após assumir o mandato, migrou para o MDB, partido da base do então governador Ibaneis Rocha.
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