QUEDA HISTÓRICA

Desmatamento da Mata Atlântica cai 85% em 4 anos, no Paraná

Pesquisa aponta redução de 40% nas ocorrências de desflorestamento no país, entre 2024 e 2025

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Mata Atlântica é o bioma onde vivem 70% dos brasileiros.
Mata Atlântica é o bioma onde vivem 70% dos brasileiros. | Crédito: Thiarles França

Em maio deste ano, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgaram o Atlas dos Remanescentes da Mata Atlântica, referente ao período de 2024-2025. No estudo, foi registrada uma queda histórica em 40 anos de monitoramento do bioma: de 14,3 mil a 8,7 mil hectares de desflorestamento nos estados brasileiros que concentram fragmentos de vegetação.

Desde o início do monitoramento, o estudo vem registrando quedas significativas: 21,5 mil hectares em 2021, seguidos de 20,1 mil em 2022, uma redução expressiva em 2023 para 14,7 mil e 14,4 mil em 2024, chegando ao marco de 8,7 mil em 2025.

O estudo serve como base para o planejamento de políticas de proteção e melhoria na fiscalização ambiental no bioma, colocando a Mata Atlântica em destaque na agenda pública. “Os dados mostram que políticas públicas e instrumentos de controle funcionam quando são aplicados com seriedade”, afirma Afra Balazina, diretora de mobilização na SOS Mata Atlântica

No Paraná, o sistema também registra quedas significativas. Desde 2021, os números de desflorestamento da Mata Atlântica variaram entre 3,3 mil hectares, 2,9 mil e o marco de 632,5 hectares, em 2023. Nos últimos dois anos, as taxas se mantiveram baixas entre 225,8 e 411,4 hectares.

Gráfico evidencia a queda no desmatamento da Mata Atlântica no Paraná
Desmatamento teve queda histórica também no Paraná. No gráfico, a mudança de cor indica mudança de governo no período.

O bioma é o mais devastado no país: restam apenas 24% de sua cobertura total, onde pouco mais da metade é de florestas maduras – em estágio ecológico avançado com biodiversidade resiliente. Para Balazina, o caminho a percorrer para proteger ainda mais a Mata Atlântica é “parar de perder, deixar o que está voltando voltar e ampliar a restauração.”

Apoio governamental a projetos de conservação e restauração

“Considerando as últimas décadas, tivemos altos e baixos nas políticas ambientais governamentais”, conta Paulo Pizzi, presidente do Mater Natura, instituto de proteção ambiental que atua na Mata Atlântica. O apoio dos governos é peça-chave para que as instituições tenham recursos na aplicação de projetos no bioma. 

A gestão e implementação de áreas protegidas, o apoio institucional a organizações e repasse de recursos para projetos socioambientais são ações fundamentais do governo para que o bioma mais ameaçado do Brasil possa ter perspectivas reais de recuperação.

Para que o cenário de proteção socioambiental possa se manter estabilizado, Pizzi afirma que “esse tema tem que passar a ser visto como uma política de Estado e não de um governo específico.”

Durante a presidência de Jair Bolsonaro, o repasse de recursos federais para o Ministério do Meio Ambiente e seus órgãos teve a maior queda em 17 anos – segundo estudo do Instituto Socioambiental (ISA). No governo Bolsonaro, as taxas de desmatamento na Mata Atlântica cresceram expressivamente: entre 2020 e 2021, o bioma perdeu cerca de 21.642 hectares, segundo o Atlas da Mata Atlântica.

No governo seguinte, de Luis Inácio Lula da Silva (PT), as taxas caíram de maneira significativa, com o marco histórico de 8,7 mil hectares atingidos em 2025.

Desafios na proteção do bioma

Mesmo com os marcos importantes registrados nos últimos índices do Atlas da Mata Atlântica, existem preocupações para manter os avanços. “O cenário é de oportunidade, mas exige vigilância permanente”, ressalta Afra Balazina.

A legislação ambiental sofre com ataques consistentes aos biomas brasileiros. No Paraná, a Nova Lei do Licenciamento Ambiental ameaça a porção de Mata Atlântica do estado, com a implantação de métodos como a dispensa de licenciamento, a partir da avaliação de impacto em atividades que propõem alterações na vegetação.

Os levantamentos impressionam, e a Mata Atlântica pode se tornar referência em conservação e restauração. No bioma em que mais de 70% da população brasileira vive, o desmatamento zero aparece como uma esperança para reverter a trajetória de destruição que marca esse território.

“A Mata Atlântica pode mostrar algo ainda maior, que uma trajetória histórica de devastação pode ser revertida. Já sabemos que é possível reduzir o desmatamento e que sabemos restaurar. O desafio agora é fazer isso na escala necessária”, explica Balazina, diretora de mobilização na SOS Mata Atlântica.

*Estagiário sob supervisão de Murilo Bernardon.

Editado por: Murilo Bernardon

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