O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) esteve seis vezes nos Estados Unidos ao longo de 2026, ano em que disputa o Palácio do Planalto. A frequência das viagens ocorre em meio a acusações de interferência do governo de Donald Trump no processo político brasileiro.
Em contrapartida, o Brasil de Fato não identificou visitas do candidato a quatro estados brasileiros neste ano eleitoral.
A primeira estadia nos EUA começou ainda no fim de 2025. Flávio passou o Réveillon em Orlando e permaneceu nos Estados Unidos em janeiro, com passagem também por Washington. Entre fevereiro e julho, fez outras cinco viagens ao país.
Nesta semana, três senadores democratas dos próprios Estados Unidos acusaram o governo Trump de promover uma campanha de “interferência e desestabilização” no Brasil. Em carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch citaram pressões diplomáticas e econômicas e mencionaram diretamente o encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro na Casa Branca.
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também apresentou a autoridades francesas e alemãs avaliações sobre uma suposta interferência americana nas eleições brasileiras. O governo dos Estados Unidos já havia rejeitado acusações semelhantes.
Viagens se intensificaram durante a pré-campanha
Em fevereiro, Flávio voltou aos Estados Unidos para uma agenda com integrantes do campo conservador estadunidense. Participou de eventos da PragerU, em Nashville, acompanhado do irmão Eduardo Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo.
No mês seguinte, esteve no Texas para participar da CPAC, conferência conservadora realizada entre 25 e 28 de março. No discurso, apresentou a eleição brasileira como relevante para os interesses políticos dos conservadores americanos e voltou a criticar instituições brasileiras.
Em maio, foram duas viagens. O senador permaneceu em Dallas entre os dias 15 e 18. Pouco mais de uma semana depois, desembarcou novamente nos Estados Unidos, desta vez em Washington.
No dia 26 de maio, Flávio foi recebido por Trump no Salão Oval da Casa Branca. A reunião ocorreu a portas fechadas. Segundo o próprio senador, foram discutidos temas como crime organizado, tarifas comerciais e minerais críticos.
A sexta passagem ocorreu em julho. Flávio foi a Washington para participar de uma audiência do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre uma tarifa de 25% proposta contra produtos brasileiros.
Na ocasião, o senador pediu que a decisão fosse adiada e argumentou que a aplicação das tarifas antes das eleições poderia beneficiar politicamente o governo Lula. A proposta tarifária integrava uma investigação comercial aberta pelo governo Trump contra o Brasil.
Quatro estados sem visita localizada
Levantamento do Brasil de Fato sobre a circulação de Flávio Bolsonaro pelo país localizou presença física do candidato em 22 dos 26 estados, além do Distrito Federal, entre 1º de janeiro e 1º de outubro.
Não foram encontrados registros de visitas a Acre, Amapá, Piauí e Tocantins no período. O jornal tentou confirmar a informação com a campanha de Flávio, mas não obteve retorno.
A apuração considerou agendas divulgadas pela campanha, publicações do próprio Flávio Bolsonaro em suas redes sociais e em seu site, registros oficiais e reportagens da imprensa nacional e local. Visitas apenas anunciadas, sem evidência de que tenham ocorrido, não foram contabilizadas.
O recorte considera todo o ano eleitoral, e não apenas a campanha oficial, iniciada em 16 de agosto. Por isso, entram no levantamento visitas feitas anteriormente a estados como Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Rondônia, que não aparecem em levantamentos restritos ao período formal de campanha.

