A dois dias do primeiro turno das eleições, o cenário pouco mudou e indica uma disputa bastante acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Nos últimos dias, Lula apresentou crescimento entre a faixa etária de mais de 60 anos, católicos e mulheres. Flávio, por outro lado, teve aumento entre pessoas que ganham entre dois e cinco salários mínimos e evangélicos. O número de indecisos está em torno de 1% do eleitorado, e pelo menos 6% afirmam que não votariam nem em Lula e nem em Flávio.
A cientista política Rosemary Segurado avalia que, embora o espaço para crescimento ou queda seja muito pequeno, os candidatos não estão tecnicamente empatados em primeiro turno. “[Qualquer mudança] sai da margem de erro a distância entre os candidatos. É um dado interessante”, avalia ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo a analista política, essas pequenas oscilações podem ser explicadas pelos últimos acontecimentos, como a polêmica com Nossa Senhora Aparecida e o anúncio do fim das bets. “Tem um reconhecimento na Nossa Senhora da Aparecida como uma figura importante simbolicamente para qualquer religiosidade. Outro ponto foi a proibição das bets, que impactou o eleitor com 60 anos ou mais. Então, é aquela que é mãe, que é pai, que é avó, que tem alguém na família, porque hoje isso está muito presente, toda família tem alguém que está endividado, que está sofrendo porque não consegue sair de dívidas contraídas com a bet”, avalia.
O único ponto, que, segundo Segurado, fugiria um pouco do esperado é o aumento de Flávio entre a classe mais baixa. “Não condiz com a trajetória do candidato”, pontua.
Sobre a ausência de Lula no debate que seria promovido pela Rede Globo, a desistência de última hora de Flávio Bolsonaro e o cancelamento do programa por decisão da emissora, Rosemary Segurado avalia que esse formato está ultrapassado no atual momento e também “é engessado”, impedindo o verdadeiro confronto de ideias e projetos de país, e favorecendo cortes para as redes sociais e lacração. “Elas não permitem desmentir coisas que os candidatos estão falando e que não é uma opinião, às vezes é um fato que está sendo narrado de uma maneira completamente distorcida”, pondera.
Ela também critica a narrativa usada pelos bolsonaristas de que foi o PT a provocar essa série de decisões judiciais e aponta que quem desistiu foi Flávio, ao perceber que seria alvo de Renan Santos, e quem cancelou o programa por iniciativa própria foi a Globo.
“Na verdade, o Flávio não deixou de ir ao debate porque o Lula não foi. Ele deixou de ir ao debate porque a ausência do Lula já o transformaria em um alvo mais ou menos prioritário”, pontua. Para Segurado, a emissora tenta reeditar o que fez em 1989 e dá um recado aos ouvintes: “Quem não sabe, procure saber”. “A Globo tenta responsabilizar o poder Judiciário e a candidatura Lula pela não realização do debate, quando, na verdade, isso não corresponde aos fatos que eu acabei de levantar. A gente vê esse discurso, sobretudo na mídia corporativa, repetindo esse discurso de ataque às instituições que preservam a democracia no nosso país. Então, a grande mídia embarca nisso, fala de insegurança jurídica e fala de intervenção”, destaca.
Para ouvir e assistir
O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

