QUAL CAMINHO?

Não é uma escolha difícil

Escolher entre a civilização e a barbárie não pode ser difícil, sobretudo para quem tem um mínimo de respeito pelo país

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Lula participou de passeata no Rio de Janeiro na véspera do 1º turno
Lula participou de passeata no Rio de Janeiro na véspera do 1º turno | Crédito: Enzo Feital

Em dois dias definiremos o caminho que o Brasil seguirá nos próximos anos e nas próximas décadas.

É da Democracia que se alternem, no poder, diferentes grupos, com distintas visões para o desenvolvimento do país.

No período recente, pós Constituição de 1988, foi assim, alternando e confrontando um projeto mais conservador, de traço neoliberal, e um projeto mais progressista, de traço social-democrata. 

Esse caminho foi interrompido em 2016, com a deposição de Dilma Rousseff, pela articulação de forças políticas e econômicas contrárias aos amplos processos de inclusão e de afirmação nacional que o país vivia, sobretudo, a partir de 2003.

A partir deste desastroso marco, a vida política do país foi tomada por ódios, mentiras e retrocessos diversos.

Nos anos 2017 e 2018 assistimos e sofremos a retirada e o recuo de direitos trabalhistas e previdenciários, o famigerado teto de gastos, a reforma do ensino médio, entre outras coisas.

Entre 2019 e 2022, o caos! 

Sofremos, também, 700 mil mortes na pandemia da covid-19, pela disseminação da ignorância, pela negação da ciência e pelo atraso nas vacinas, a volta ao mapa da fome, o retrocesso em todas as políticas sociais e ambientais, a paralisia dos processos de desenvolvimento, a aniquilação do Plano Nacional de Educação, além do escárnio e dos vômitos diários de ódio e incentivo às violências de todas as ordens, inclusive a tentativa de golpe, materializada na destruição generalizada de patrimônio público na Praça dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023 – dia nacional da infâmia.

A eleição do presidente Lula, para seu terceiro governo, recolocou o Brasil no cenário internacional, retomou o caminho do desenvolvimento e reestabeleceu as condições para o país voltar a trabalhar, a estudar e a sonhar.

A educação voltou a ser prioridade, a ciência retornou à esfera pública, oportunidades de trabalho foram criadas e a paz diária reestabeleceu-se com o fim dos impropérios do mandatário anterior e a afirmação cotidiana de palavras de estímulo ao estudo, a união nacional, a cooperação. 

Chegamos, novamente ao período eleitoral, próprio e necessário dos regimes democráticos, fora dos quais nenhum avanço civilizatório é possível.

O horror vivido nos anos anteriores volta a assombrar o país, através do filho do pai desajustado que estraçalhou a alma nacional com sua virulência, crueldade e ignorância.

Sim, chegou a dizer que “não estupraria uma colega deputada por ser ela feia”, que “usava o dinheiro recebido na Câmara, para sua estadia em Brasília, para comer gente (sic)”, que “pintou um clima” com meninas de 14 anos, da periferia do DF.

O filho, envolvido até o pescoço, em relações com milicianos e em falcatruas, inclusive com o banqueiro que embolsou milhões de recursos públicos e desestabilizou a República, reedita a possibilidade do caos, como segundo colocado nas intenções de votos.

Racionalmente incompreensível, social e politicamente assustadora, tal perspectiva revela o longo caminho, ainda a ser percorrido pelo país, para sua elevação consciencial e civilizatória.

Então, não é uma escolha difícil: de um lado a perspectiva do desenvolvimento, o respeito a população, a continuidade de avanços – negados por séculos – a maioria da população, o respeito internacional, a soberania, a estabilidade política e emocional e, de outro, o caos, a desorganização societária, a destruição ambiental, a ascensão do crime organizado, o desprezo pela ciência, a submissão ao norte, a liberdade para os que planejaram matar e dissolver a Democracia e, também, o desprezo por tudo que representa beleza, dignidade, equilíbrio e avanço. 

No próximo domingo faremos história com nosso voto!

Escolher entre a civilização e a barbárie não pode ser difícil, sobretudo para quem tem um mínimo de respeito por si, pelos outros e pelo nosso país!

* Jaqueline Moll, Pedagoga. Dra. em Educação. Professora Titular da UFRGS. Professora do PPG em Educação da URI e colaboradora da Universidade de Brasília.

** Este é um artigo de opinião e não necessariamente representa a linha editorial do Brasil de Fato.

Editado por: Katia Marko

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