Economia russa

Rússia prevê crescimento moderado da economia após dois anos de forte expansão

Governo diz que desaceleração é esperada para conter a inflação, mantendo desemprego em patamar mínimo recorde de 2,2%

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Imagem de uma moeda de rublo com a Praça Vermelha, em Moscou, de fundo
Imagem de uma moeda de rublo com a Praça Vermelha, em Moscou, de fundo | Crédito: Alexander Nemenov/AFP

O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou que a economia russa entrou em uma fase de crescimento mais moderado depois da forte expansão registrada nos dois anos anteriores. A declaração aconteceu durante uma sessão no Conselho da Federação, em Moscou, nesta sexta-feira (2)

Segundo o governo, a desaceleração é esperada e faz parte de um processo de “normalização” da economia após o período de crescimento acelerado de 2023 e 2024. A avaliação oficial é de que o ritmo mais baixo de expansão contribui para reduzir as pressões inflacionárias e criar condições para a retomada dos investimentos.

“Após altas taxas de crescimento em 2023-2024, a economia passou a um ritmo mais moderado. Esta é uma fase esperada: normalização após o superaquecimento e, ao mesmo tempo, um pré-requisito para a redução da inflação. Em agosto, o PIB cresceu 0,8% e 0,6% nos primeiros oito meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com a previsão revisada, esperamos um crescimento semelhante para todo o ano”, disse o vice-primeiro-ministro.

O resultado representa uma desaceleração significativa em relação aos anos anteriores. O Produto Interno Bruto russo cresceu 4,1% em 2023 e 4,9% em 2024, antes de desacelerar para cerca de 1% em 2025. Em 2022, primeiro ano da guerra em larga escala na Ucrânia, a economia havia registrado retração de 1,4%.

Apesar do ritmo mais baixo no conjunto da economia, Novak destacou setores que continuam apresentando expansão acima da média. Segundo o vice-primeiro-ministro, o complexo de engenharia mecânica acumula crescimento de 6% no ano, enquanto a indústria farmacêutica mantém taxas de expansão de dois dígitos.

“Alguns setores estão crescendo mais ativamente – principalmente o nosso complexo de engenharia mecânica, que cresceu 6% desde o início do ano. Isso inclui a produção de eletrônicos, máquinas, equipamentos, equipamentos aeronáuticos e ferroviários e construção naval. O setor farmacêutico nacional também está entre os líderes – suas taxas de crescimento têm se mantido em dois dígitos há vários anos”, afirmou.

A avaliação do governo é apresentada em um momento de desaceleração da economia, mas também de redução gradual das pressões inflacionárias. A inflação acumulada desde o início do ano chegou a 4,93%, segundo os dados apresentados por Novak, que prevê uma alta de preços de 6,8% até o fim de 2026.

O governo russo também considera que as projeções econômicas podem ser beneficiadas por uma melhora das condições externas, especialmente nos preços das principais commodities exportadas pelo país.

“No geral, a previsão é tradicionalmente moderadamente conservadora. O ambiente de preços externos pode melhorar e ter um impacto positivo no orçamento e na economia do país como um todo”, observou ele.

A taxa prevista para 2026 representa uma mudança em relação ao período de forte expansão observado após o primeiro ano da guerra. O crescimento de 2023 e 2024 foi acompanhado por aumento dos gastos públicos, expansão da indústria e elevação da produção relacionada ao setor de defesa, mas também por pressões sobre a capacidade produtiva, a mão de obra e os preços.

Para 2026, o Banco Central da Rússia trabalha com uma projeção de crescimento próxima de 0% a 1%, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Econômico prevê alta de 0,6%.

O mercado de trabalho permanece como um dos principais pontos de sustentação da atividade. A taxa de desemprego russa está em 2,2%, uma das menores já registradas no país. Ao mesmo tempo, a escassez de trabalhadores é apontada pelo próprio governo como um dos fatores que podem limitar uma expansão mais acelerada.

Para efeitos de comparação, o desempenho russo ocorre em um contexto de crescimento também relativamente baixo em parte da Europa. No segundo trimestre de 2026, a União Europeia registrou expansão de cerca de 1,2% na comparação anual, enquanto a zona do euro cresceu aproximadamente 1%. Entre as principais economias do bloco, Alemanha e França tiveram taxas inferiores às registradas pela Rússia durante o período de maior expansão dos últimos anos.

Para os próximos anos, as projeções apontam para uma recuperação gradual do ritmo de expansão russo. Na pesquisa de setembro, analistas consultados pelo Banco Central projetaram crescimento de 1,2% em 2027, 1,7% em 2028 e 1,8% em 2029. A previsão do governo, apresentada por Novak, é mais otimista, com alta de 1,4% em 2027 e 2,4% em 2029.

A trajetória também contrasta com o início da guerra. Em 2022, primeiro ano da operação militar russa na Ucrânia, o PIB caiu 1,4%. A partir de 2023, entretanto, a economia voltou a crescer, impulsionada em parte pelo aumento dos gastos públicos e da produção ligada à indústria de defesa. O crescimento de 4,1% em 2023 e 4,9% em 2024 levou o próprio governo e o Banco Central a falar em riscos de superaquecimento da economia.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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