O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, encerra neste sábado (3) a campanha do primeiro turno com duas motocarreatas, uma no interior de São Paulo e outra na zona oeste do Rio de Janeiro.
Pela manhã, Flávio participou de uma mobilização entre Santa Bárbara d’Oeste e Americana, pela Rodovia SP-304, ao lado do governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Também integraram o ato candidatos ao Senado e outros aliados do campo conservador.
À tarde, a agenda prevê outra motocarreata, com concentração em Campo Grande e chegada à Praça da Fé, em Bangu. O ato está marcado para as 15h. A legislação eleitoral permite a realização de caminhadas, passeatas, carreatas e distribuição de material de campanha até as 22h do sábado, véspera da votação.
A escolha de São Paulo e do Rio de Janeiro concentra a reta final da campanha em dois dos principais redutos eleitorais da família Bolsonaro. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, enquanto o Rio é o estado onde Jair Bolsonaro e seus filhos mantêm uma base política consolidada.
Nas redes sociais, Flávio republicou, neste sábado (3), um vídeo com imagens ao lado do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), acompanhado da frase: “Calma, o resgate tá chegando, pai”.
Pai condenado, filho investigado
Jair Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses de prisão, em regime inicial fechado. A decisão, tomada por maioria de 4 votos a 1, responsabilizou o ex-presidente por organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência ou grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, chega ao primeiro turno como investigado em um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura o financiamento do filme Dark Horse, que narra a trajetória de Jair Bolsonaro. A Polícia Federal examina repasses associados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e a possível prática, em tese, de crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
De acordo com as informações divulgadas no inquérito, Vorcaro teria destinado R$ 61 milhões à produção audiovisual por meio de um fundo nos Estados Unidos. Conversas divulgadas na imprensa mostram Flávio tratando diretamente com o empresário sobre recursos para o filme. Apesar de inicialmente negar as acusações, um áudio vazado pelo site The Intercept Brasil forçou Bolsonaro a admitir a relação com o banqueiro, o qual chamou de “irmão”. Agora, o candidato argumenta que não há irregularidade em buscar financiamento privado para uma obra cinematográfica sobre seu pai.
No entanto, a investigação ainda deverá esclarecer a origem dos recursos, o caminho percorrido pelo dinheiro, a participação de empresas e intermediários e a eventual existência de contrapartidas. Daniel Vorcaro é responsável por um rombo de R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao atrair investimentos de pessoas físicas sem recursos para honrar seus pagamento. O fundo garante o pagamento de até R$ 250 mil para investidores que aplicaram em bancos que tiveram suas atividades encerradas. Entre os agentes públicos que investiram no banco está o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que injetou pelo menos R$ 3 bilhões do fundo de previdência dos servidores estaduais na instituição financeira.

