Eleições 2026

Após primeiro turno, Lula afirma que disputa entra em nova fase e defende continuidade de projeto

Presidente destaca investimentos em educação, indústria e tecnologia e faz críticas ao histórico da família Bolsonaro

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Lula discursa após resultado do primeiro turno da eleição de 2026
Lula discursa após resultado do primeiro turno da eleição de 2026 | Crédito: Rodrigo Chagas/Brasil de Fato

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste domingo (4), em seu primeiro pronunciamento após o primeiro turno das eleições, que a disputa pela Presidência entra em uma nova fase, na qual pretende confrontar seu projeto de desenvolvimento com o de Flávio Bolsonaro (PL). Lula reconheceu que gostaria de ter vencido já na primeira votação, mas defendeu a continuidade das políticas de seu governo e fez duras críticas ao histórico da família do adversário.

“O segundo turno é a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer”, afirmou. Segundo ele, a disputa entre apenas dois candidatos permitirá apresentar com mais clareza as diferenças entre as propostas para o país.

Lula destacou que a campanha terá como eixo a continuidade dos investimentos em educação, ciência, tecnologia e desenvolvimento industrial. O presidente defendeu a expansão do ensino integral, o fortalecimento das universidades e dos institutos federais e a ampliação da capacidade de produção nacional.

“A gente vai continuar investindo na universidade, a gente vai continuar investindo na tecnologia, a gente vai continuar investindo no ensino do Instituto Federal”, disse.

Entre as prioridades mencionadas estão a exploração de terras raras e minerais críticos, as novas descobertas de petróleo da Petrobras e o fortalecimento da indústria brasileira. Lula também defendeu investimentos na indústria da saúde, com o objetivo de reduzir a dependência externa e ampliar a produção nacional de medicamentos essenciais.

Na área social, o petista prometeu fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS), a Farmácia Popular e as políticas de inclusão. Ao tratar da economia, defendeu a responsabilidade fiscal, mas afirmou que o equilíbrio das contas públicas não deve ocorrer à custa das condições de vida da população.

O presidente também lamentou os resultados do campo progressista em São Paulo, onde Simone Tebet, Marina Silva e Fernando Haddad não foram eleitos para Senado e governo, respectivamente. Para Lula, quem perde com isso é o próprio estado.

Ele encerrou o pronunciamento com uma mensagem de confiança para a segunda etapa da disputa. “Nós vamos ganhar esta eleição”, afirmou.

Flávio Bolsonaro fala em ‘fim da era do PT’

Com 99,86% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro tinha 47,06% dos votos válidos, contra 45,12% de Lula. Em sua primeira declaração após a confirmação do segundo turno, Flávio comemorou ter passado à frente do adversário na primeira votação.

“Estou muito feliz pelo voto de confiança. São quase 56 milhões de brasileiros. Não poderia estar mais realizado de identificar que o Brasil quer mudança”, disse o senador.

Flávio Bolsonaro afirmou que a vitória no primeiro turno escapou por “muito pouco” e disse que o resultado marca o “fim da era do PT”. Ele também prometeu um governo “com menos ministérios” e citou as indicações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que caberão ao próximo presidente.

O candidato do PL votou pela manhã em uma escola em Vila Isabel, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), e acompanhou a apuração com a família em Brasília. Na reta final, sua campanha apostou no discurso do voto útil para tentar atrair eleitores de outras candidaturas de direita e de centro e encerrar a disputa já neste domingo.

Para o segundo turno, segundo O Globo, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende buscar o apoio de candidatos derrotados, como Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Renan Santos (Missão), que fez duras críticas ao senador durante a campanha, está fora dos planos. Em relação ao PSD, aliados de Flávio Bolsonaro veem maior proximidade de Gilberto Kassab, presidente da sigla e vice na chapa de Caiado, com Lula. Kassab ainda não declarou posição.

A campanha também deve intensificar as conversas com União Brasil, PP e Republicanos, que liberaram seus filiados no primeiro turno. Estão entre os interlocutores os dirigentes Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil). Outras frentes serão ampliar a presença no Nordeste, onde Lula tem vantagem, e contar com maior engajamento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno.

Editado por: Rafaella Coury

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