Corrupção

Dinheiro vivo e suspeitas de compra de votos marcam madrugada em Roraima; candidato do PL é suspeito

Presos suspeitos de compra de votos teriam dito trabalhar para o deputado federal Nicoletti (PL), que pleiteia o Senado

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Já passava da meia-noite e carros e motocicletas continuavam chegando a casas em diferentes bairros de Boa Vista, capital de Roraima. Na madrugada que antecedeu o primeiro turno das eleições de 2026, pessoas permaneciam nas calçadas, em frente às residências e reunidas em praças. Bares e postos de combustíveis também registravam movimento intenso.

Nesse cenário, a Polícia Federal (PF) prendeu cinco pessoas em flagrante. Segundo a corporação, os policiais encontraram uma residência onde estaria ocorrendo a suposta distribuição de dinheiro a eleitores. No imóvel, foram apreendidos R$ 1,2 mil em espécie, uma lista com nomes e CPFs de eleitores e material de propaganda eleitoral.

De acordo com a PF, “as investigações indicam que os valores estariam sendo entregues em troca de votos”. Um dos presos também foi autuado por resistência.

Candidato do PL

O caso deu origem à Operação Cota-Parte, deflagrada pela PF neste domingo (4). A corporação informou que cumpriu dois mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral, com o objetivo de recolher aparelhos eletrônicos, documentos e outros elementos que ajudem a esclarecer a origem dos recursos e a eventual participação de outras pessoas.

A ocorrência registrada no sábado se soma a outras ações da PF em Roraima nos dias anteriores à votação. Na sexta-feira (2), dois homens foram abordados pela Polícia Militar em uma caminhonete na avenida Capitão Ene Garcez, nas proximidades de um cinema, no bairro Mecejana. Segundo o boletim de ocorrência, os policiais encontraram R$ 30 mil em espécie. Parte do dinheiro estava na meia de um dos homens, como mostrado pelo G1 em Roraima.

De acordo com o registro policial, os dois homens disseram ter recebido o dinheiro de uma terceira pessoa. O documento também registra que eles teriam afirmado que os valores seriam destinados à compra de votos, por aproximadamente R$ 300 cada. Um dos homens foi identificado como agente de fiscalização. Segundo o boletim, ambos afirmaram trabalhar para o deputado federal Nicoletti (PL-RR), que é candidato ao Senado.

Em nota, Nicoletti negou as acusações e se disse vítima de fake news. “A população roraimense sabe muito bem quem está por trás dos ataques e das fake news que o deputado vem enfrentando ao longo desta campanha. São os mesmos de sempre, agindo sempre da mesma forma, porque não têm argumentos nem propostas para apresentar”, disse. Confira o posicionamento completo ao final do texto.

Dinheiro e listas

Em outra ocorrência, na sexta-feira (2), 11 pessoas foram presas em flagrante em um imóvel de Boa Vista. A investigação aponta que “há indícios de que os investigados teriam recebido, individualmente, dinheiro em troca de votos em candidatos aos cargos de deputado estadual e deputado federal.”

Durante a circulação pela cidade, a reportagem do Brasil de Fato ouviu o relato de um motorista de aplicativo que disse ter observado, nos últimos dias, uma movimentação incomum em imóveis dos bairros Liberdade e Nova Cidade, zona oeste, considerados periferia da Capital. Segundo ele, pessoas chegavam de carro ou moto, consultavam o celular, entravam rapidamente nas casas e saíam pouco depois.

“Já recebi uma, duas, três bocas de urna. Tô indo ali para a quarta. E eles falam mesmo que recebem R$ 400, R$ 300, R$ 200. Até R$ 500 eu já ouvi falar”, disse o homem.

Na madrugada de sábado para domingo, a reportagem também encontrou postos de combustíveis com movimento intenso. Um frentista afirmou que o estabelecimento estava mais movimentado que o habitual e que, naquele período, muitos clientes pagavam em dinheiro.

“Normalmente é mais cartão, Pix. Mas nesses dias de eleição, tá sendo mais no dinheiro”, disse o trabalhador, ao comentar a mudança na rotina do posto. A reportagem também observou bares abertos e pessoas reunidas em espaços públicos durante a madrugada.

Contexto nacional

As ocorrências em Boa Vista fazem parte de um cenário mais amplo de fiscalização eleitoral. Até as 9h deste domingo (4), a Polícia Federal havia instaurado 1.292 inquéritos relacionados a crimes eleitorais em todo o país ao longo de 2026.

No mesmo balanço, a corporação informou que o valor de bens apreendidos em ações relacionadas a crimes eleitorais ultrapassava R$ 45,6 milhões, dos quais aproximadamente R$ 30,2 milhões correspondiam a dinheiro em espécie. Os números são preliminares e podem ser atualizados.

Nota à imprensa

O deputado federal Nicoletti (PL), candidato ao Senado Federal por Roraima, esclarece que é membro da oposição ao governo atual do estado de Roraima, inclusive com apoio declarado ao governo Arthur Henrique, e que não possui nenhum membro da Polícia Militar de Roraima cedido para trabalhar em seu gabinete. Não há, portanto, qualquer vínculo entre o parlamentar e os policiais citados na notícia.

Vale destacar que Nicoletti vem enfrentando uma série de publicações com fake news, em uma tentativa desesperada de candidatos de oposição que, diante da sólida posição de Nicoletti na disputa por uma das vagas ao Senado Federal em Roraima, recorrem a artifícios para tentar constrangê-lo e confundir o eleitorado.

Ressaltamos, ainda, ser lamentável um veículo de comunicação do porte do G1 publicar matéria onde afirma, peremptoriamente, que “policiais militares, seguranças do candidato ao Senado Nicoletti, são presos com dinheiro”, sem realizar uma apuração mínima, às vésperas da eleição, podendo inclusive incorrer em irregularidade eleitoral.

A população roraimense sabe muito bem quem está por trás dos ataques e das fake news que o deputado vem enfrentando ao longo desta campanha. São os mesmos de sempre, agindo sempre da mesma forma, porque não têm argumentos nem propostas para apresentar.

Nicoletti reitera sua confiança plena nas instituições e nas autoridades responsáveis pelas investigações. E, ao contrário de outros candidatos, é ficha limpa — não tem nada a temer e nada a esconder. Sua trajetória pública é aberta, transparente e à disposição de qualquer apuração.

O deputado permanecerá em plena campanha, nas ruas e junto ao povo de Roraima, porque é com o eleitor — e não com ataques de bastidores — que as eleições se decidem.

Editado por: Rodrigo Gomes

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