ELEIÇÕES 2026

Extrema direita vence no RS com eleição de Zucco (PL) no primeiro turno

Candidato do PL soma 58,05% dos votos válidos; Juliana Brizola (PDT) tem 31,65% e Gabriel Souza (MDB), 8,43%

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Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul neste domingo (4), no primeiro turno
Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul neste domingo (4), no primeiro turno | Crédito: Mateus Raugust

Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul neste domingo (4), no primeiro turno das eleições. Com 99,98% dos votos apurados, Zucco aparece com 3.515.434 votos, equivalentes a 58,05% dos votos válidos, superando a maioria absoluta necessária para encerrar a disputa já na primeira votação. Juliana Brizola (PDT) ficou em segundo lugar, com 1.916.741 (31,65%).

O candidato eleito tem como vice a deputada estadual Silvana Covatti (PP). Zucco tem apoio do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).

Na coletiva após a vitória, Zucco afirmou que começará a organizar a transição de governo nesta semana e citou demandas de infraestrutura, educação e filas na saúde. “A direita venceu”, declarou, ao defender um pacto de união pelo estado.

Zucco disse que pretende visitar a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio) e a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). Também mencionou cooperativas, veículos de comunicação e representantes do Judiciário na construção de um plano de estado.

Os eleitores gaúchos também escolheram neste domingo os representantes do estado na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado. Ao todo, foram eleitos 55 deputados estaduais, 31 deputados federais e dois senadores.

Quem é Zucco

Luciano Lorenzini Zucco, 52 anos, é natural de Alegrete. Deputado federal pelo PL e militar da reserva, atuou por cerca de 27 anos no Exército. É formado em Ciências Militares e possui pós-graduação em Docência do Ensino Superior, além de mestrado em Inteligência Estratégica e MBA em Segurança Pública e Privada.

Foi eleito deputado estadual em 2018 e deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 2022. Esta é a primeira vez que concorre ao governo do estado. Anteriormente, foi filiado ao Republicanos e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST.  

Na chapa, teve Silvana Covatti (PP) como candidata a vice. Nascida em Frederico Westphalen, na região do Alto Uruguai, Covatti foi eleita deputada estadual, pela primeira vez em 2006, e está em seu quinto mandato na Assembleia Legislativa. Em 2016, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia. E, entre 2021 e 2022, foi secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do RS. 

Entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, Zucco teve o maior aumento patrimonial desde 2022. O valor declarado à Justiça Eleitoral passou de R$ 389,3 mil, quando foi eleito deputado federal, para R$ 709,3 mil em 2026, crescimento de 82,2% em quatro anos. Em valores nominais, a diferença é de R$ 320 mil.

Doações empresariais

Conforme reportagem do Brasil de Fato publicada em 17 de setembro, Zucco e Marcel van Hattem (Novo), eleito senador, haviam recebido até aquela data, juntos, R$ 4,14 milhões em doações diretas em dinheiro de pessoas físicas, com grandes contribuições de empresários. O valor superava o dobro dos R$ 1,88 milhão destinados aos outros oito candidatos que completavam o ranking dos dez maiores recebedores desse tipo de doação no estado.

Zucco liderava a lista, com R$ 2,57 milhões, seguido por Van Hattem, com R$ 1,57 milhão. O terceiro colocado, Edivilson Brum (MDB), candidato a deputado estadual, recebeu R$ 356,5 mil. O valor destinado a Zucco era mais de sete vezes o recebido por Brum; o de Van Hattem, mais de quatro vezes maior.

Sozinho, Zucco recebeu mais do que os candidatos que apareciam da segunda à quinta posição somados. Van Hattem, Edivilson Brum, Felipe Camozzato (Novo) e Manuela d’Ávila (Psol) somavam R$ 2,43 milhões naquele recorte.

Dos R$ 2,57 milhões recebidos por Zucco, R$ 2,5 milhões vieram de Alexandre Grendene Bartelle. A contribuição representava 97,3% do total destinado à campanha por três doadores. Bartelle é sócio-administrador da Grendene Industrial de Calçados, sócio da Sitrel — Siderúrgica Três Lagoas — e conselheiro de administração da Unicasa Indústria de Móveis.

Propostas e debate

Durante o debate eleitoral, Zucco defendeu a ampliação das escolas cívico-militares e do ensino em tempo integral, além de propostas voltadas à formação técnica e profissional. Na segurança pública, afirmou que pretende ampliar concursos e valorizar os servidores, além de adotar medidas de combate às facções criminosas e de “tolerância zero” contra agressores de mulheres.

Na economia, criticou a política fiscal do governo Eduardo Leite (PSD) e defendeu a renegociação da dívida do estado com a União e a criação de um fundo constitucional para a região Sul. Na saúde, citou a fila de exames, consultas e cirurgias e defendeu o fortalecimento da atenção básica e do SUS Gaúcho.

Zucco também foi questionado sobre seu voto favorável à chamada PEC da Blindagem, proposta que previa que deputados e senadores só poderiam ser processados criminalmente com autorização da respectiva Casa legislativa. Gabriel Souza (MDB) cobrou que o candidato reconhecesse o voto como um erro. Zucco respondeu que a proposta havia sido arquivada e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguir políticos de direita.

Editado por: Marcelo Ferreira

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