Luciano Zucco (PL) foi eleito governador do Rio Grande do Sul neste domingo (4), no primeiro turno das eleições. Com 99,98% dos votos apurados, Zucco aparece com 3.515.434 votos, equivalentes a 58,05% dos votos válidos, superando a maioria absoluta necessária para encerrar a disputa já na primeira votação. Juliana Brizola (PDT) ficou em segundo lugar, com 1.916.741 (31,65%).
O candidato eleito tem como vice a deputada estadual Silvana Covatti (PP). Zucco tem apoio do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
Na coletiva após a vitória, Zucco afirmou que começará a organizar a transição de governo nesta semana e citou demandas de infraestrutura, educação e filas na saúde. “A direita venceu”, declarou, ao defender um pacto de união pelo estado.
Zucco disse que pretende visitar a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag), a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), a Federação do Comércio de Bens e de Serviços do Estado do Rio Grande do Sul (Fecomércio) e a Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul). Também mencionou cooperativas, veículos de comunicação e representantes do Judiciário na construção de um plano de estado.
Os eleitores gaúchos também escolheram neste domingo os representantes do estado na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado. Ao todo, foram eleitos 55 deputados estaduais, 31 deputados federais e dois senadores.
Quem é Zucco
Luciano Lorenzini Zucco, 52 anos, é natural de Alegrete. Deputado federal pelo PL e militar da reserva, atuou por cerca de 27 anos no Exército. É formado em Ciências Militares e possui pós-graduação em Docência do Ensino Superior, além de mestrado em Inteligência Estratégica e MBA em Segurança Pública e Privada.
Foi eleito deputado estadual em 2018 e deputado federal pelo Rio Grande do Sul em 2022. Esta é a primeira vez que concorre ao governo do estado. Anteriormente, foi filiado ao Republicanos e presidiu a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do MST.
Na chapa, teve Silvana Covatti (PP) como candidata a vice. Nascida em Frederico Westphalen, na região do Alto Uruguai, Covatti foi eleita deputada estadual, pela primeira vez em 2006, e está em seu quinto mandato na Assembleia Legislativa. Em 2016, tornou-se a primeira mulher a assumir a presidência da Assembleia. E, entre 2021 e 2022, foi secretaria de Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) do RS.
Entre os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, Zucco teve o maior aumento patrimonial desde 2022. O valor declarado à Justiça Eleitoral passou de R$ 389,3 mil, quando foi eleito deputado federal, para R$ 709,3 mil em 2026, crescimento de 82,2% em quatro anos. Em valores nominais, a diferença é de R$ 320 mil.
Doações empresariais
Conforme reportagem do Brasil de Fato publicada em 17 de setembro, Zucco e Marcel van Hattem (Novo), eleito senador, haviam recebido até aquela data, juntos, R$ 4,14 milhões em doações diretas em dinheiro de pessoas físicas, com grandes contribuições de empresários. O valor superava o dobro dos R$ 1,88 milhão destinados aos outros oito candidatos que completavam o ranking dos dez maiores recebedores desse tipo de doação no estado.
Zucco liderava a lista, com R$ 2,57 milhões, seguido por Van Hattem, com R$ 1,57 milhão. O terceiro colocado, Edivilson Brum (MDB), candidato a deputado estadual, recebeu R$ 356,5 mil. O valor destinado a Zucco era mais de sete vezes o recebido por Brum; o de Van Hattem, mais de quatro vezes maior.
Sozinho, Zucco recebeu mais do que os candidatos que apareciam da segunda à quinta posição somados. Van Hattem, Edivilson Brum, Felipe Camozzato (Novo) e Manuela d’Ávila (Psol) somavam R$ 2,43 milhões naquele recorte.
Dos R$ 2,57 milhões recebidos por Zucco, R$ 2,5 milhões vieram de Alexandre Grendene Bartelle. A contribuição representava 97,3% do total destinado à campanha por três doadores. Bartelle é sócio-administrador da Grendene Industrial de Calçados, sócio da Sitrel — Siderúrgica Três Lagoas — e conselheiro de administração da Unicasa Indústria de Móveis.
Propostas e debate
Durante o debate eleitoral, Zucco defendeu a ampliação das escolas cívico-militares e do ensino em tempo integral, além de propostas voltadas à formação técnica e profissional. Na segurança pública, afirmou que pretende ampliar concursos e valorizar os servidores, além de adotar medidas de combate às facções criminosas e de “tolerância zero” contra agressores de mulheres.
Na economia, criticou a política fiscal do governo Eduardo Leite (PSD) e defendeu a renegociação da dívida do estado com a União e a criação de um fundo constitucional para a região Sul. Na saúde, citou a fila de exames, consultas e cirurgias e defendeu o fortalecimento da atenção básica e do SUS Gaúcho.
Zucco também foi questionado sobre seu voto favorável à chamada PEC da Blindagem, proposta que previa que deputados e senadores só poderiam ser processados criminalmente com autorização da respectiva Casa legislativa. Gabriel Souza (MDB) cobrou que o candidato reconhecesse o voto como um erro. Zucco respondeu que a proposta havia sido arquivada e acusou o Supremo Tribunal Federal (STF) de perseguir políticos de direita.

