ELEIÇÕES 2026

Frente de esquerda reconhece derrota e promete trabalhar por Lula no segundo turno

Com derrota em primeiro turno, Juliana Brizola destacou que é preciso 'salvar o que restou'

No audio source provided.

Em discurso voltado ao reconhecimento do avanço da extrema direita no país e especialmente no Sul, Juliana agradeceu aos colegas de disputa majoritária, o vice Edegar Pretto (PT), os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (Psol)
Em discurso voltado ao reconhecimento do avanço da extrema direita no país e especialmente no Sul, Juliana agradeceu aos colegas de disputa majoritária, o vice Edegar Pretto (PT), os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (Psol) | Crédito: Marcelo Pires/Sul21

Com um discurso curto, de menos de dez minutos, a candidata a governadora do Rio Grande de Sul pela frente de esquerda, Juliana Brizola (PDT), reconheceu a derrota neste domingo (4). Em discurso voltado ao reconhecimento do avanço da extrema direita no país e especialmente no Sul, Juliana agradeceu aos colegas de disputa majoritária, o vice Edegar Pretto (PT), os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (Psol) – a única da chapa majoritária que não compareceu ao ato.

“Foi uma grande conquista unir o nosso campo. E sou muito grata a todos os nossos companheiros e companheiras. Dois milhões de votos não são pouca coisa”, destacou Juliana.

A pedetista afirmou que recebeu uma ligação de Luciano Zucco, com quem conversou reconhecendo a vitória, mas disse que mantém as diferenças com o próximo governador. “Só não quero atrapalhar o RS por causa das diferenças”, resumiu.

Lembrou o exílio do avô e afirmou: “Nós estaremos na resistência”. Destacou ainda a relevância do trabalho em prol da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, reconhecendo que a nova derrota do atual presidente no RS precisava ser revertida.

“Nós temos que fincar uma bandeira na presidência. Para dizer que ter uma filha mulher não é uma fraquejada. Para defender que a vacina não é um erro. Para defender que as universidades são muito importantes para o nosso desenvolvimento. Contem comigo aqueles que querem trabalhar pelo estado. Aqueles que querem fazer do nosso estado península dos Estados Unidos não contem conosco”, enfatizou, lembrando o alinhamento com os EUA de Donald Trump que a candidatura de Flávio Bolsonaro sustenta.

Vice na chapa de Juliana, Edegar Pretto agradeceu os partidos aliados. “O desafio é ir para a luta defender a candidatura de Lula e reverter a situação no RS e no Brasil”, enfatizou. “O que fica na história não são as derrotas, mas a gente não desistir. E não desistimos”, acrescentou

Juliana chegou ao comitê às 20h25min, acompanhada de sua equipe, de dirigentes partidários e do candidato ao Senado, Paulo Pimenta.

Tendo sido o primeiro a falar, Pimenta agradeceu a militância e enfatizou o “momento de avanço da extrema direita”. Reconheceu o peso da derrota e salientou a necessidade de recalcular a estratégia: “Nós não somos os que quando não ganhamos questionamos as regras. Aqui temos um time focado no Brasil e no RS”, afirmou, alfinetando parte do time de Bolsonaro, que se negou a reconhecer a derrota em 2022 e questionou urnas e ao processo eleitoral, em movimento que culminou aos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Apesar da derrota local, Pimenta defendeu a continuidade do trabalho do time de Lula. “Agora temos a tarefa de construir vitória de Lula no segundo turno. Defender a soberania. Vamos trabalhar a partir de amanhã para reverter esse cenário e ter humildade de resolver aquilo que precisa ser melhorado”, disse.

No comitê de campanha de Juliana, na José Bonifácio, em frente ao Parque da Redenção, em Porto Alegre, a militância demonstrava nervosismo mesmo antes do fechamento das urnas, às 16h. A partir das 17h, uma dezena de militantes aguardava a chegada de Juliana. Entre os que circulavam em busca da candidata pedetista estava a cuidadora Rosângela Garrido.

“Vim realizar pedido do meu pai brizolista de 98 anos, que era abraçar a Juliana”, disse à reportagem do Sul21. Como algumas pessoas que circulavam em frente ao comitê, ela estranhou a restrita movimentação em frente ao comitê e ausência de Juliana, que aguardava a apuração com a família em casa.

Quando chegou ao comitê, por volta das 17h30, o presidente estadual do PDT, Romildo Bolzan Jr, demonstrou otimismo e minimizou o indicativo de pesquisas de véspera de eleição, que indicavam tendência de crescimento de Zucco e até a vitória do adversário em primeiro turno.

A sensação de ansiedade da militância e de integrantes da equipe presentes foi se transformando em tristeza à medida que os votos foram se avolumando. Desde a abertura das urnas a apuração indicava Luciano Zucco, do PL, eleito em primeiro turno. Antes dele, desde a redemocratização, apenas Tarso Genro (PT), em 2010, havia conquistado o feito.

Às 19h06min, um carro de som posicionado em frente ao comitê baixou o volume, sinalizando também para a mudança da animação para a preocupação e o desânimo.

O ex-governador Olívio Dutra (PT) também chegou ao comitê durante a apuração e foi recebido pelo coordenador da campanha de Juliana, Vieira da Cunha. Com pouco mais de 60% das urnas apuradas, ele ainda demonstrou otimismo, embora tenha afirmado que era uma eleição especial por representar um momento de “ameaça à democracia”. “Depois de mais de 20 anos do golpe, tentativas de golpe e os autores presos. Os adversários são os que defendem a democracia violentada de cima para baixo e nós queremos que a democracia seja aperfeiçoada de baixo para cima”, refletiu.

Editado por: Sul21
Conteúdo originalmente publicado em: Sul21

|

Newsletter