ELEIÇÕES 2026

Governo do RJ: 2º turno entre Eduardo Paes e Douglas Ruas depende de decisão sobre Garotinho

Deputado teve votação superior ao que apontavam pesquisa; 23,33% do eleitorado deixou de comparecer às urnas

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Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) são candidatos ao governo do Rio
Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) lideram disputa pelo governo do Rio nas eleições de 2026 | Crédito: Tomaz Silva/ABr e Alerj

O 2º turno para o governo do Rio de Janeiro entre os candidatos Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) vai depender do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Neste domingo (4), o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) teve 4,2 milhões de votos válidos (49,28%), enquanto o ex-prefeito da capital teve 3,7 milhões (42,75%).

A decisão ainda está aberta porque, se o colegiado do TSE decidir invalidar os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), Ruas vencerá no 1º turno com a nova totalização do resultado. Garotinho concorreu sub judice e obteve 274.298 votos (3,17%).

Embora Eduardo Paes aparecesse à frente nas pesquisas de intenção de voto, Douglas Ruas encurtou a distância ao longo da campanha e terminou com percentual superior ao que apontavam as pesquisas. Isabel Uchôa, pesquisadora do Laboratório de Partidos e Política Comparada (LAPPCOM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explicou a guinada do deputado pela associação com Flávio Bolsonaro (PL).

“Foi nessa reta final da campanha que Douglas Ruas começou a ser mais fortemente associado ao Flávio Bolsonaro. Eles começaram a aparecer mais juntos e o Rio de Janeiro é um estado com prevalência do bolsonarismo. Isso foi demonstrado mais uma vez nessa eleição. É um movimento que vem desde 2018 e já nasceu muito forte no Rio de Janeiro, porque é a base eleitoral da família Bolsonaro e é uma região que tem muito investimento da campanha de Flávio Bolsonaro principalmente na Baixada Fluminense”, afirmou ao Brasil de Fato.

No Rio de Janeiro, a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) apoia Paes para o comando do Palácio Guanabara. Já Ruas representa a continuidade do projeto bolsonarista no estado, sendo apontado como sucessor direto de Cláudio Castro (PL).

O eleitorado fluminense nas eleições deste ano soma 12,8 milhões de pessoas. A taxa de abstenção foi expressiva: 2,9 milhões (23,33%) deixaram de comparecer às urnas neste primeiro.

Perfil dos candidatos

Eduardo Paes foi prefeito do Rio de Janeiro por quatro mandatos. O primeiro ciclo, de 2009 a 2017, foi marcado pela inauguração do primeiro corredor do BRT, pela revitalização da zona portuária e pela preparação da cidade para receber grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. 

Disputou novamente em 2020 e venceu, sendo reeleito no pleito seguinte com 60,47% dos votos válidos no primeiro turno contra Alexandre Ramagem (PL).

Paes renunciou em março para disputar o governo fluminense pela terceira vez na sua trajetória. Em 2006, teve pouco mais de 5% dos votos válidos. Anos depois, em 2018, foi derrotado pelo bolsonarista Wilson Witzel, que tinha como vice Cláudio Castro.   

Paes é formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e iniciou carreira política como subprefeito da zona oeste, aos 23 anos, da primeira gestão do prefeito César Maia. Depois, foi vereador, deputado federal e secretário de Meio Ambiente, Turismo, Esporte e Lazer do Governo do Estado.

O deputado Douglas Ruas é bacharel em Direito e policial civil concursado do Rio de Janeiro. Iniciou trajetória política à frente da Secretaria de Gestão Integrada e Projetos Especiais de São Gonçalo, em 2021, na gestão do seu pai, o prefeito Capitão Nelson (PL). 

Ele deixou o cargo para se candidatar a deputado estadual pelo PL nas eleições de 2022, saindo como segundo mais votado no estado. No ano seguinte, foi nomeado pelo então governador Cláudio Castro para assumir a Secretaria de Estado das Cidades.

Após a renúncia de Castro do governo e a cassação do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, os deputados elegeram Douglas Ruas como sucessor no comando da casa legislativa em uma sessão conturbada e marcada por questionamentos da oposição.

Editado por: Clivia Mesquita

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