As eleições brasileiras tornaram-se destaque em diversos veículos jornalísticos ao redor do mundo por um motivo sombrio: as diversas tentativas de interferência promovidas pelos Estados Unidos e pelo governo Donald Trump.
O francês Le Monde recorda que o presidente estadunidense disse na quinta-feira (1) que acompanha o pleito brasileiro “bem de perto”. Ainda assim, o jornal destaca que assuntos internos levam a disputa a um status acirrado, com as pesquisas mostrando um possível segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL).
O inglês The Guardian destaca que o presidente Lula é um dos poucos líderes da América Latina dispostos a dizer “não” para Trump após o avanço de governos de direita e extrema direita pelo continente. Destaca também que os votos de Flávio foram transferidos de seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso após tentar um golpe de estado. Recorda ainda o envolvimento do filho do bolsonarismo com o Banco Master, com Flávio negociando diretamente com Daniel Vorcaro um pagamento de R$ 134 milhões.
Na mesma linha, a TeleSur chama o Brasil de “fiel da balança” na América Latina, lembrando o alinhamento de diversos governos da região com Donald Trump. Reforça a importância do Brasil no momento atual, como uma das dez maiores economias do mundo e segundo maior possuidor de terras raras.
“Na luta contra a imposição de um mundo unipolar, o papel do Brasil nos Brics em favor da multipolaridade no plano geopolítico só é possível com a vitória de Lula,” diz a TeleSur.
Sediado no Catar, o Al Jazeera trouxe análises do professor de história e estudos internacionais Andre Pagliarini, da Universidade de Louisiana. “O que está em jogo nesta eleição é incrivelmente evidente, porque os candidatos representam visões tão opostas sobre o que significa a história recente do Brasil”, disse o especialista.
Segundo Pagliarini, Lula representa a “consolidação da democracia brasileira desde o fim da ditadura”, enquanto a família Bolsonaro critica “as instituições que a democracia brasileira construiu desde o fim da ditadura”.
Na Argentina, o Página12 afirma que o Brasil escolhe entre “o carisma de um líder histórico de origem sindical que busca o seu quarto mandato ou um sobrenome vinculado ao golpismo e às ingerências de Donald Trump e Marco Rubio. São os Brics de um mundo multipolar que emerge ou os Estados Unidos com seu projeto de hegemonia hemisférica”.

