Eleições 2026

Jornais estrangeiros destacam realização das eleições sob sombra de interferência dos EUA

Veículos como Le Monde, The Guardian, Al Jazeera e Página12 repercutem o pleito brasileiro deste domingo

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Imagem do presidente Donald Trump projetada no ato bolsonarista no dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Imagem do presidente Donald Trump projetada no ato bolsonarista no dia 7 de setembro, na Avenida Paulista, em São Paulo | Crédito: Miguel Schincariol/AFP

As eleições brasileiras tornaram-se destaque em diversos veículos jornalísticos ao redor do mundo por um motivo sombrio: as diversas tentativas de interferência promovidas pelos Estados Unidos e pelo governo Donald Trump.

O francês Le Monde recorda que o presidente estadunidense disse na quinta-feira (1) que acompanha o pleito brasileiro “bem de perto”. Ainda assim, o jornal destaca que assuntos internos levam a disputa a um status acirrado, com as pesquisas mostrando um possível segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL).

O inglês The Guardian destaca que o presidente Lula é um dos poucos líderes da América Latina dispostos a dizer “não” para Trump após o avanço de governos de direita e extrema direita pelo continente. Destaca também que os votos de Flávio foram transferidos de seu pai, Jair Bolsonaro, atualmente preso após tentar um golpe de estado. Recorda ainda o envolvimento do filho do bolsonarismo com o Banco Master, com Flávio negociando diretamente com Daniel Vorcaro um pagamento de R$ 134 milhões.

Na mesma linha, a TeleSur chama o Brasil de “fiel da balança” na América Latina, lembrando o alinhamento de diversos governos da região com Donald Trump. Reforça a importância do Brasil no momento atual, como uma das dez maiores economias do mundo e segundo maior possuidor de terras raras.

“Na luta contra a imposição de um mundo unipolar, o papel do Brasil nos Brics em favor da multipolaridade no plano geopolítico só é possível com a vitória de Lula,” diz a TeleSur.

Sediado no Catar, o Al Jazeera trouxe análises do professor de história e estudos internacionais Andre Pagliarini, da Universidade de Louisiana. “O que está em jogo nesta eleição é incrivelmente evidente, porque os candidatos representam visões tão opostas sobre o que significa a história recente do Brasil”, disse o especialista.

Segundo Pagliarini, Lula representa a “consolidação da democracia brasileira desde o fim da ditadura”, enquanto a família Bolsonaro critica “as instituições que a democracia brasileira construiu desde o fim da ditadura”.

Na Argentina, o Página12 afirma que o Brasil escolhe entre “o carisma de um líder histórico de origem sindical que busca o seu quarto mandato ou um sobrenome vinculado ao golpismo e às ingerências de Donald Trump e Marco Rubio. São os Brics de um mundo multipolar que emerge ou os Estados Unidos com seu projeto de hegemonia hemisférica”.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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