O candidato ao governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) discursou em seu comitê de campanha, no Setor Comercial Sul, na noite deste domingo (4), após o resultado do primeiro turno das eleições. Com 569 mil votos, o equivalente a 34% dos votos válidos, Grass avançou ao segundo turno e vai enfrentar a atual governadora Celina Leão (PP), que recebeu 825 mil votos. A nova votação está marcada para 25 de outubro.
Em seu discurso, Grass afirmou que sua campanha foi marcada pela defesa de propostas e criticou o que classificou como abuso do poder econômico e de comunicação. “Nós apostamos na proposta, no programa e numa mensagem. Foi a campanha do abuso do poder econômico contra o trabalho, a rua e o povo. Foi a campanha do abuso do poder de comunicação e das fake news contra a verdade e o diálogo olho no olho”, disse.
O candidato também fez críticas à adversária e mencionou as tratativas entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, além de questionar um contrato do Governo do Distrito Federal (GDF) com a Real JG Facilities. A empresa em questão teria repassado R$ 1,4 milhão à Faceng Engenharia, pertencente ao marido e à filha de Celina Leão.
O candidato mencionou ainda o processo em que a governadora é ré por improbidade administrativa no âmbito da Operação Drácon.
Sobre o caso Master, mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Thiago Miranda indicam que Celina Leão teria participado de tratativas entre o Master e o Banco de Brasília em 2025.
Grass também acusou a adversária de promover irregularidades durante a campanha e afirmou ter levado denúncias à fiscalização eleitoral. “Houve faixas irregulares, material fora da regra, da norma, e ninguém fez nada. Hoje vocês viram a sujeira da cidade. Eu vi um comitê aberto em frente à seção de votação em Taguatinga. Ninguém fez nada. Às 16h30, a polícia foi ao local, faltando meia hora para acabar a votação. Nós levamos a denúncia ainda pela manhã”, afirmou.
Busca por uma frente ampla
Após o resultado, Grass sinalizou que pretende buscar o apoio dos demais candidatos que disputaram o governo do DF, entre eles Arruda, Paula Belmonte, Kiko Caputo e Capelli. O candidato afirmou que pretende ampliar o diálogo para além do campo político da esquerda.
“Vamos buscar apoio e dialogar com todo mundo. A gente vai procurar todos para conversar, formar uma frente ampla em defesa de Brasília. O segundo turno não é mais uma disputa ideológica. É uma disputa sobre projetos para o futuro da nossa cidade”, disse.
Professor de sociologia e nascido em Brasília, o candidato do PT tornou-se a principal alternativa a Celina após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar a candidatura de Arruda. Ele foi deputado distrital entre 2019 e 2022, além de já ter concorrido ao cargo de governador em 2022, quando foi derrotado por Ibaneis no primeiro turno.
Grass assumiu uma postura combativa frente aos escândalos e cortes da gestão Celina e Ibaneis. Em debate promovido pelo Correio Braziliense na quinta (1º), Grass afirmou que lideranças de partidos como PSD, Avante e PSB o haviam procurado para um possível segundo turno.


