Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL) foram eleitas neste domingo (4) para representar o Distrito Federal no Senado Federal a partir de 2027. Com mais de 94% das urnas apuradas, a ex-primeira-dama recebeu 850.256 votos, correspondentes a 28,98% dos votos válidos, enquanto Kicis teve 804.330 votos (27,42%).
Além dos dois vencedores, Leila do Vôlei (PDT) ficou em terceiro lugar, com 643.109 votos (21,32%), seguida por Érika Kokay (PT), com 572.705 (18,98%). As eleitas assumem os mandatos em fevereiro de 2027 e permanecem no cargo por oito anos.
No Distrito Federal, 693.027 eleitores haviam comparecido às urnas até a atualização, o equivalente a 81,38% do eleitorado apto das seções totalizadas. A abstenção estava em 158.595 eleitores, ou 18,62%. Ao todo, 851.622 eleitores estavam aptos nas seções já totalizadas, de um eleitorado apto de 2.243.988 no DF.
Elas foram as mais votadas entre as 13 candidaturas que disputaram as duas vagas destinadas ao DF nesta eleição. Entre os principais nomes da disputa estavam a senadora Leila do Vôlei (PDT), que buscava a reeleição, e a deputada federal Érika Kokay (PT).
Primeira eleição
Natural de Ceilândia, região administrativa do DF, Michelle Bolsonaro recebeu R$ 3,4 milhões de dinheiro público para a campanha, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essa é a primeira vez que ela disputa um cargo público.
Para primeiro suplente, Michelle escolheu o irmão, Diego Torres Dourado, que abandonou a função de assessor no governo de Tarcísio Freitas (Republicanos), em São Paulo, para ajudá-la na campanha.
Desde que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu a presidência, em janeiro de 2019, Dourado acumulou diversos cargos públicos, sempre no círculo da família ou aliados políticos do cunhado.
Entre 6 de junho de 2019 e 29 de março de 2021, por exemplo, ele trabalhou como assessor técnico da Chefia de Operações Conjuntas do Ministério da Defesa, onde recebia um salário de R$ 5,6 mil. Ao final do período, seus vencimentos somaram R$ 125 mil. O caso foi revelado pelo Brasil de Fato, em 16 de janeiro de 2021.
Em junho, Michelle protagonizou um desentendimento com o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O atrito surgiu após discordância sobre um acordo que previa que o PL apoiasse Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo do Ceará. À época, a ex-primeira-dama se negou a apoiar Ciro, o que culminou em reações contrárias e críticas dos filhos de Bolsonaro, incluindo Flávio.
Após se conciliarem, Michelle deixou a presidência do PL Mulher para se dedicar aos cuidados de Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar devido ao seu quadro de saúde.
Entre as 13 candidaturas ao Senado, a esposa de Bolsonaro, preso desde novembro do ano passado por tentativa de golpe de Estado, foi a que declarou o maior patrimônio, acumulando R$ 4.486.170,75 em bens.
Durante a campanha, Michelle também esteve no centro de uma disputa judicial envolvendo o uso da imagem do marido na propaganda eleitoral. A campanha de Érika Kokay acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) contra uma peça que mostrava Jair Bolsonaro e fazia referência à candidatura da ex-primeira-dama. Inicialmente, a Justiça determinou a suspensão do material, mas a decisão foi posteriormente revogada pelo próprio TRE-DF.
Da Câmara para o Senado
Natural de Resende (RJ), a deputada federal Bia Kicis declarou R$ 1,33 milhão em patrimônio à Justiça Eleitoral. Para a campanha, recebeu R$ 3,2 milhões em recursos até a última prestação de contas parcial consultada, sendo R$ 3,048 milhões repassados pela direção nacional do PL. O limite de gastos para candidaturas ao Senado no DF é de R$ 3,81 milhões.
Antes de entrar na política eleitoral, Beatriz Kicis Torrents de Sordi atuou como procuradora do Distrito Federal. Em 2018, foi eleita deputada federal pela primeira vez e, em 2022, foi reeleita para um segundo mandato. Na Câmara dos Deputados, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania em 2021.
Ligada ao bolsonarismo, Bia Kicis construiu sua atuação parlamentar em torno de pautas conservadoras. Durante o governo de Jair Bolsonaro, ocupou posições de liderança na Câmara e integrou a base de apoio ao então presidente.
Sua chapa tem como primeiro suplente seu filho Samuel Kicis, também do PL, e como segundo suplente Renato Figueiredo.
Durante a campanha, a candidata também foi alvo de uma decisão da Justiça Eleitoral relacionada a anúncios de uma loja no Distrito Federal com frases como “Bia é moderna”. A representação foi apresentada por Leila do Vôlei (PDT), também candidata ao Senado. Em decisão liminar, a Justiça determinou a retirada das peças e estabeleceu multa diária de R$ 20 mil em caso de descumprimento. A decisão ainda poderia ser contestada pela candidata.
Em 2026, Bia Kicis deixou a disputa pela Câmara dos Deputados para tentar, pela primeira vez, uma vaga no Senado. Ela encerrará oito anos de atuação como deputada federal pelo Distrito Federal.
A campanha de Bia também foi marcada por um embate com a adversária Leila do Vôlei. Em 30 de setembro, o TRE-DF determinou que a candidata retirasse das redes sociais um vídeo em que afirmava que integrantes da equipe de Leila haviam sido condenados por corrupção. A Justiça considerou que a publicação apresentava uma acusação factual sem comprovação suficiente e proibiu a republicação do conteúdo, sob pena de multa diária de R$ 5 mil.
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