Os deputados federais Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) foram eleitos neste domingo (4) senadores pelo Rio Grande do Sul. Com 99,23% das urnas apuradas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Sanderson somava 3.430.771 votos (30,12% dos votos válidos) e Van Hattem, 3.426.622 (30,08%).
Os dois ocuparão, a partir de 1º de fevereiro de 2027, as cadeiras hoje ocupadas por Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP), que não concorreram à reeleição, e se somam a (Republicanos), que ocupa uma cadeira desde 2023.
Integrantes da mesma coligação, O Rio Grande Pode Mais, que reuniu Republicanos, Podemos, DC, Novo, PL e União Progressista, os dois ficaram à frente de Manuela d’Ávila (Psol), com 1.944.814 votos (17,06%), e de Paulo Pimenta (PT), com 1.857.921 (16,3%), candidatos da Coligação com o Povo, formada por PDT, PSB, Avante e federações partidárias.
Germano Rigotto (MDB), Frederico Antunes (PSD) e outros sete candidatos completaram as 13 candidaturas ao Senado no estado.
A defesa de pautas conservadores e do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) está entre as bandeiras de Sanderson Van Hattem e foram reafirmadas nas manifestações dadas logo após a definição do resultado
Em coletiva à imprensa, Sanderson anunciou que pretende pedir o impeachment de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Van Hattem prometeu trabalhar pelo impeachment de Moraes e restringir a atuação da Corte. “O Rio Grande do Sul vai ter dois senadores que vão colocar o Supremo Tribunal Federal no seu lugar”, declarou.
Quem é Sanderson
Ubiratan Sanderson nasceu em Erechim, em 1º de dezembro de 1969, e passou a infância em Santo Ângelo. É formado em Direito, com especialização em Segurança Pública e Ética no Serviço Público pela Academia Nacional de Polícia e pós-graduação em Gestão de Segurança Pública. Foi policial federal por 23 anos e presidiu o sindicato da categoria no Rio Grande do Sul.
Eleito deputado federal em 2018, pelo PSL, foi reeleito em 2022, já no PL, com 86.690 votos. Na campanha ao Senado, as bandeiras apresentadas por ele foram a segurança pública, o combate à corrupção, a redução de privilégios no serviço público e o apoio ao agronegócio.
Quem é Marcel van Hattem
Nascido em São Leopoldo, Marcel van Hattem é graduado em Relações Internacionais e tem mestrado em Ciência Política pela Universidade de Leiden, nos Países Baixos, e em Jornalismo, Mídia e Globalização por instituições da Dinamarca e dos Países Baixos. Começou a trabalhar entregando jornais, atuou como repórter do Jornal Dois Irmãos e passou pela divisão internacional do Ministério de Assuntos Econômicos, Agricultura e Inovação dos Países Baixos, em Haia.
Foi eleito vereador de Dois Irmãos aos 18 anos, em 2004, e exerceu mandato de deputado estadual de 2015 a 2018, após ficar como primeiro suplente do PP na eleição de 2014. Filiou-se ao Novo em 2018, foi eleito deputado federal naquele ano, reeleito em 2022 e liderou a bancada do partido na Câmara em mais de uma ocasião. Concorreu ao Senado com Sérgio Turra (PP) e Ricardo Jobim (Novo) como suplentes e, na campanha, disse que pretendia ampliar a defesa dos interesses do Rio Grande do Sul no Senado.
Duas vagas abertas pela primeira vez em 40 anos
A eleição de 2026 renovou dois terços do Senado e colocou em disputa, no Rio Grande do Sul, as duas cadeiras ocupadas por Paulo Paim e Luis Carlos Heinze, eleitos em 2018. Nenhum dos dois buscou a reeleição e, segundo levantamento do Brasil de Fato RS, foi a primeira vez em 40 anos que o estado chegou às urnas com as duas vagas sem candidato à recondução. A situação anterior ocorreu em 1986, quando o então PMDB elegeu José Fogaça e José Paulo Bisol.
Foram 13 candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Cinco delas concentraram as intenções de voto nas pesquisas divulgadas em setembro. As candidaturas se organizavam em três blocos: Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta, na Coligação com o Povo, que tinha Juliana Brizola (PDT) como candidata ao governo; Marcel van Hattem e Sanderson, na coligação O Rio Grande Pode Mais; e Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD), na coligação Nosso Rio Grande Não Para, ligada à candidatura de Gabriel Souza (MDB) ao governo.
Ainda disputaram Renato Jaguarão (Cidadania), administrador, e Milton Cardoso (PSDB), jornalista, ambos sem coligação; Daniela Mulheres Socialistas, advogada, e Regis Ethur, professor, pelo PSTU; Luciano do MLB, auxiliar de escritório, e Tania Peres, servidora pública federal, pela Unidade Popular (UP); e Ric Jones, médico, pelo PCO. Entre as 13 candidaturas, só três eram de mulheres: Manuela d’Ávila, Daniela Mulheres Socialistas e Tania Peres. Segundo levantamento do Brasil de Fato RS, as mulheres são 53% do eleitorado do estado, e o Rio Grande do Sul não tem senadora desde 2019.

