Mulheres na política

Violência política de gênero: campanha de 2026 teve ameaças de morte e tentativa de homícidio

Socióloga Tica Moreno e a dirigente Paula Coradi recordam episódios e comentam protagonismo do eleitorado feminino

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Brasil de Fato tem programação especial na cobertura das eleições
Brasil de Fato tem programação especial na cobertura das eleições | Crédito: Reprodução/Brasil de Fato

A violência promovida por setores da extrema direita contra candidatas de esquerda marcou o processo eleitoral de 2026, com episódios de intimidação, agressão física e ameaças de morte. Essa é a avaliação feita pela socióloga, educadora popular e militante da Marcha Mundial das Mulheres, Tica Moreno, em entrevista ao vivo na programação especial do Brasil de Fato sobre o primeiro turno das eleições.

A transmissão pode ser acompanhada pelo YouTube e pela Rádio Brasil de Fato (98.9 FM), seguindo com conteúdo ininterrupto até as 21h. Assista abaixo:

“Uma das coisas que chama atenção para gente do movimento de mulheres é justamente como a extrema direita e o conservadorismo vieram para cima das nossas candidatas de esquerda nessas eleições, com muita ameaça de violência, ameaça de violência sexual e chegando até a assassinato”, afirmou Tica Moreno. Segundo a ativista, as agressões não constituem fatos isolados, mas “fazem parte do que é o lugar das mulheres no projeto da extrema direita”.

Casos concretos de violência física e intimidação foram relatados ao longo da campanha, incluindo o ataque a uma militante no interior de Pernambuco, atingida por uma pedra na cabeça, e as ameaças dirigidas à deputada federal Duda Salabert (Psol-MG), que enfrentou uma tentativa de homicídio.

A presidenta nacional do Psol, Paula Coradi, destacou que a violência política de gênero e raça atua de forma sistêmica como um método para afastar as mulheres do espaço público.

“É um método muito bem pensado da extrema direita, que realmente tem vindo com tudo para cima das mulheres, tanto do ponto de vista da violência sistêmica quanto de ameaças e de violência física”, afirmou a dirigente. Coradi ressaltou que postulantes prejudicadas por ameaças perderam até duas semanas de campanha, representando um desafio a ser enfrentado pela democracia e pelo governo federal.

Eleitorado feminino

Além da violência política, a participação do eleitorado feminino, que alcançou 52,84% do total de eleitores em 2026, foi apontada como decisiva para os rumos do pleito. Tica Moreno explicou que o voto das mulheres, em especial das eleitoras não polarizadas ou indecisas, é definido a partir da avaliação das condições materiais do cotidiano.

“As mulheres decidem o voto muito a partir da realidade concreta, das suas condições de vida. Fica muito nítido, quando se conversa com as mulheres em cada panfletagem, o que é a vida no governo Lula e o que foi no governo Bolsonaro”, apontou a socióloga.

Paula Coradi reforçou a análise ao ponderar que o protagonismo feminino na chefia de grande parcela das famílias brasileiras coloca as demandas de reprodução da vida no centro do debate político.

“As mulheres estão muito no concreto da vida. Ao falar não só do eleitorado, mas de política pública para as mulheres, a questão do cuidado sempre vai ser mais central, porque nós somos as responsáveis pela reprodução da vida na sociedade”, declarou a presidente do Psol.

Escala 6×1 e autonomia econômica

A implementação da Política Nacional de Cuidados pelo governo federal foi classificada pelas convidadas como um marco para a autonomia econômica das mulheres. O programa articula ações de saúde, educação e infraestrutura, como o aumento do investimento em creches públicas em tempo integral e o atendimento a idosos, aliviando a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado.

A presidenta do Psol assinalou que o debate sobre o cuidado se conecta a pautas como a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1, além do impacto do endividamento familiar provocado por apostas virtuais (bets). Coradi ressaltou que a consolidação desses direitos exige organização popular contínua para superar entraves no Congresso Nacional.

Por sua vez, Tica Moreno defendeu que a pauta das mulheres deve ser tratada como um projeto estruturante para toda a sociedade, rejeitando a setorização do eleitorado feminino e enfatizando a resistência contra propostas conservadoras.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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