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Diretor de programação do Extra! TV, Sebastián Salgado: Criação do Brics abre novas possibilidades para comunicação internacional

O especialista analisa a transformação do jornalismo, o futuro da comunicação e o papel da cultura em um mundo multipola

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Sebastián Salgado, diretor de programação do canal Extra! TV
Sebastián Salgado, diretor de programação do canal Extra! TV | Crédito: TV Brics

A rede internacional de mídia TV Brics apresenta a “Reunião da mídia global”, um projeto especial em comemoração ao 20º aniversário do Brics. A iniciativa conta com comentários de importantes especialistas dos principais meios de comunicação dos países do Brics+ e parceiros da rede de mídia sobre questões relacionadas à formação de uma agenda mundial conjunta, à construção de um sistema multipolar de comunicações globais de mídia, às tendências atuais e aos principais acontecimentos dos últimos 20 anos para o avanço do discurso da mídia, bem como previsões sobre a evolução do espaço midiático.

Em entrevista exclusiva à TV Brics, Sebastián Salgado, diretor de programação do canal Extra! TV e diretor da agência internacional de informação Data Urgente compartilhou sua visão sobre as transformações pelas quais o jornalismo internacional passou, as perspectivas para a comunicação nas próximas décadas e a importância de preservar e promover as expressões culturais dos povos.

TV Brics: como o jornalismo internacional mudou nos últimos 20 anos?

Sebastián Salgado: A maneira de acessar a informação mudou consideravelmente com a expansão do mundo digital e das redes sociais. Uma parcela significativa das pessoas com acesso à internet passou a adotar novas formas de consumir conteúdo, especialmente entre as gerações mais jovens.

As estruturas tradicionais dos telejornais e dos grandes meios de comunicação corporativos tiveram de se adaptar a esses novos hábitos. As gerações mais jovens já não dependem de horários fixos para se informar e, em muitos casos, também não acompanham as notícias nos formatos tradicionais da televisão.

Nesse contexto, as redes sociais desempenham uma dupla função. Por um lado, tornaram-se praticamente indispensáveis para os meios de comunicação que buscam alcançar o público mais jovem, mesmo quando mantêm formatos tradicionais, como os canais de notícias 24 horas. Por outro, possibilitaram o surgimento de uma multiplicidade de vozes, permitindo a produção de conteúdo sem a necessidade de grandes estruturas midiáticas.

Como será o futuro das comunicações nos próximos 20 anos?

Acredito que a formação do Brics esteja abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento do setor de comunicação. Hoje, já naturalizamos o acesso a telejornais da Rússia, da China, da Índia, da África do Sul ou do Brasil, e isso representa um passo importante rumo a uma maior diversidade de fontes de informação.

Nesse sentido, é fundamental garantir que os interesses corporativos não se sobreponham ao acesso à informação como direito humano. Também é importante manter o apoio e o financiamento dos Estados a projetos destinados a ampliar a diversidade do espaço informativo.

Considero importante que os países do Brics desenvolvam suas próprias redes e plataformas sociais, com algoritmos concebidos de acordo com seus próprios interesses. A partir daí, cada pessoa poderia decidir se deseja fazer parte desse mundo digital de comunicação multipolar impulsionado pelos países do Brics e Brics+, ou se prefere permanecer nos modelos de comunicação que predominaram durante boa parte do século XX e nos primeiros anos do século XXI.

Por isso, a criatividade será indispensável. Também será necessário desenvolver elementos simbólicos e mecanismos de aproximação linguística entre nossos idiomas. Acredito que isso será fundamental para o mundo que está por vir.

O que deveria incluir a agenda mundial comum?

Acima de tudo, deveria contemplar as expressões culturais autênticas dos povos. Quando falamos disso, podemos pensar em áreas como a música, as artes plásticas e a gastronomia. É importante reconhecer o potencial da cultura para criar pontes entre os povos que se consideram parte de um mundo multipolar.

A cultura é, de fato, uma das ferramentas fundamentais para aproximar os povos, criar vínculos e encontrar pontos de convergência. A maior parte da música latino-americana, por exemplo, tem raízes em ritmos africanos. No Uruguai, o candombe representa a continuidade dessa cultura viva, presente nas raízes do Rio da Prata.

É importante valorizar essas conexões, tanto no presente quanto por meio do resgate de elementos do passado. Se mais pessoas conhecessem, por exemplo, os contos de Anton Tchekhov, muitas poderiam se identificar com essas narrativas, que dão voz a pequenos mundos aos quais nunca tivemos acesso por pertencerem a outro tempo e a outro lugar.

No entanto, escritores e artistas nos legaram, por meio de suas obras, a possibilidade de conhecer esses mundos. Essas iniciativas são fundamentais para colocar a cultura ao alcance de todos. Devemos compreender as culturas simplesmente como expressões humanas, por meio das quais também podem se manifestar ideias políticas e diferentes formas de compreender o mundo.

Editado por: TV Brics
Conteúdo originalmente publicado em: TV Brics

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