SINAL DAS URNAS

‘Nós do PT temos que trabalhar muito mais em Brasília’, diz Arlete Sampaio após eleição

Presidente de honra do PT-DF avalia desempenho do partido e defende reconstruir presença nos territórios

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Arlete Sampaio é ex-deputada distrital e ex-vice-governadora do Distrito Federal
Arlete Sampaio é ex-deputada distrital e ex-vice-governadora do Distrito Federal | Crédito: Flavia Quirino/Brasil de Fato DF

O resultado das eleições no Distrito Federal acendeu um alerta dentro do Partido dos Trabalhadores (PT). O partido levou Leandro Grass ao segundo turno na disputa pelo governo, mas não conseguiu eleger nenhum nome para o Senado, enquanto o Partido Liberal (PL) conquistou as duas vagas em disputa. Para Arlete Sampaio, presidente de honra do PT-DF, o resultado exige uma avaliação sobre a atuação da legenda na capital.

“Nós do PT temos que trabalhar muito mais em Brasília do que nós estamos trabalhando. Eu acho que o PT não se saiu bem nessas eleições. A gente tem que entender por que o PL [Partido Liberal] teve essa votação que está tendo, elegeu as duas senadoras, nós temos agora três senadoras do mesmo time. Isso é uma coisa horrível”, afirmou ao Brasil de Fato DF.

Arlete Sampaio é uma referência do PT no Distrito Federal. Médica sanitarista, chegou a Brasília em 1971 e iniciou sua militância política no movimento estudantil durante a ditadura militar. Participou da fundação do PT no DF e da criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT-DF). Também atuou no Sindicato dos Médicos do DF, onde exerceu a presidência por três gestões.

Em 1994, foi eleita vice-governadora do DF na chapa de Cristovam Buarque (PSB), para o mandato de 1995 a 1998. Depois, foi eleita deputada distrital por três mandatos. Entre 2007 e 2010, ocupou o cargo de secretária-executiva do Ministério do Desenvolvimento Social. Em 2011, assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda do DF, durante o governo de Agnelo Queiroz (PT).

Avanço do campo conservador

No primeiro turno, realizado neste domingo (4), Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, foram eleitas para as duas vagas do DF no Senado. Michelle recebeu 938.496 votos (29,05%), enquanto Bia Kicis teve 886.616 votos (27,44%). Na sequência, ficaram Leila do Vôlei (PDT), com 686.340 votos (21,25%), e Érika Kokay (PT), com 610.950 votos (18,91%). As duas ficaram fora das duas vagas em disputa.

Com a eleição de Michelle e Bia, o DF terá, a partir de 2027, a primeira bancada do Senado formada exclusivamente por mulheres, ao lado de Damares Alves (Republicanos), que tem mandato até 2031. As três são alinhadas ao bolsonarismo e integram o campo político da extrema direita.

Na disputa pelo Palácio do Buriti, Leandro Grass avançou ao segundo turno com 34,47% dos votos, atrás de Celina Leão (PP), que terminou a primeira etapa com 49,93%. A diferença deixou a governadora a poucos décimos de uma vitória já no primeiro turno.

Para Arlete Sampaio, o resultado não deve ser analisado apenas a partir da disputa pelo governo. “Nós do PT temos que aprender a lição, de como a gente vai reconstruir a nossa intervenção nos territórios para melhorar os nossos resultados”, disse.

Disputa de narrativas

A petista também relacionou o resultado eleitoral à disputa de narrativas e à dificuldade da esquerda em apresentar ao eleitorado sua leitura sobre os projetos políticos em disputa.

“As pessoas não se dão conta do que é o programa do Flávio Bolsonaro, que é um programa de destruição. E a gente não conseguiu mostrar isso, então nosso discurso não foi capaz de convencer as pessoas dessa realidade. Tem algo que nós precisamos aprender”, afirmou.


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Editado por: Clivia Mesquita

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