A governadora pernambucana Raquel Lyra (PSD), reeleita neste domingo (4), sinalizou que não deve mesmo escolher um dos lados no 2º turno da disputa presidencial. Ela vê a posição como “coerência”, agradece os milhões de reais enviados pelo governo Lula (PT) para ajudar seu governo em Pernambuco, mas também reclama dos “10 anos que o governo do estado estava brigado com o Governo Federal”, em referência à relação dos governos do PSB com Jair Bolsonaro, Michel Temer e o fim do governo Dilma.
A pergunta mais direta sobre o tema foi feita por Clarissa Góes, jornalista da TV Globo, durante o Bom Dia Pernambuco desta segunda-feira (5). A governadora Raquel Lyra não respondeu objetivamente se apoiaria Lula (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL), mas disse que seu compromisso “sempre foi colocar Pernambuco em 1º lugar”. “Eu fiz isso em 2022 [quando não se posicionou entre Lula e Jair Bolsonaro] e, a partir de 2023, eu já estava com o presidente Lula, que abriu as portas do Governo Federal para trazermos investimentos para o estado”.
Mas ela completou que, diante do apoio institucional recebido, ela só retribuirá com gratidão. “Tenho gratidão ao presidente e aos ministros, mas continuo com a minha coerência. Pernambuco em primeiro lugar, nosso povo em primeiro lugar”. Na noite do domingo, em discurso aos apoiadores durante a comemoração, ela também deu a entender que a neutralidade seria uma forma de colocar os interesses do estado em primeiro lugar, lamentando que “fazia 10 anos que o governo do estado estava brigado com o Governo Federal”, em referência às dificuldades de diálogo de Eduardo Campos e Paulo Câmara com os governos Dilma, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Os agradecimentos já haviam sido explicitados no seu discurso de comemoração com apoiadores na noite do domingo. “Quero agradecer ao governo Lula, que nos ajudou a chegar até aqui. Abriu as portas do governo e dos ministros para que a gente pudesse fazer entregas ao povo pernambucano. Assim foram 34 mil casas, a conclusão de obras importantes como o canal do Fragoso, a BR-104 que corta o Agreste do estado, passando por Toritama, Caruaru e Panelas], a conclusão da Transnordestina e o compromisso de renovar o metrô do Recife”.
Agradecimento aos eleitores
Ainda no discurso de celebração, Lyra reconheceu as dificuldades de um estado como Pernambuco, inclusive na sua gestão. “Agradeço ao povo pela generosidade de quem estava com pressa, mas soube esperar o tempo do governo, que é muito mais lento que o tempo da necessidade do povo. (…) Somos um estado permeado por muita desigualdade e não tenho dúvidas de que os próximos anos serão os melhores da nossa história”, afirmou, otimista.
A governadora afirmou que tem como objetivo “fazer o estado chegar a quem a gente ainda não chegou e ser mais forte na vida de quem a gente já chegou”. “Não pode achar que a missão está cumprida. A missão não é a reeleição, mas transformar Pernambuco. Quero poder fazer aquilo que não conseguimos no 1º mandato”.
Ela também agradeceu ao eleitor “que acreditou que vale a pena [votar em] uma mulher do interior do estado, que busca todos os dias trabalhar para representar outras mulheres e trabalhar para o governo chegar onde não chegou. Pernambuco decidiu que a gente merece continuar. (…) Acabada a festa, está desmontado o palanque. Serei a governadora de todos os pernambucanos e pernambucanas”.

