O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais no Brasil repercutiu entre líderes políticos e nos principais jornais da imprensa internacional ainda na noite de domingo (4) e nesta segunda-feira (5). A disputa que levou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao segundo turno foi classificada por veículos estrangeiros como um momento decisivo para o equilíbrio político na América Latina.
No cenário político internacional, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confundiu o Brasil com a Índia, ao comentar que “125 milhões de pessoas votaram hoje” e destacar a velocidade da apuração das urnas eletrônicas. Ele não falou dos candidatos brasileiros e usou o dado para criticar o sistema eleitoral dos EUA, em publicação na rede social Truth Social.
“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem manipulados, quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é corrupta”, escreveu Trump.
Outros líderes do campo conservador manifestaram-se diretamente sobre o resultado das urnas. O presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a liderança de Flávio Bolsonaro e afirmou que “o continente americano é de cidadãos que querem viver em liberdade”.
Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, parabenizou o candidato do PL e disse esperar a retomada da “extraordinária amizade” entre Brasil e Israel.
O presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, que tomou posse em agosto, saudou a vantagem de Flávio ao final do primeiro turno.
“Hoje meu coração está com o Brasil; que Deus tenha misericórdia do país irmão, assim como teve com a Colômbia. A verdadeira mudança é derrotar a esquerda. Um grande abraço, amigo Flávio Bolsonaro. Firme pela Pátria! Viva Cristo Rei!”, escreveu Espriella no X.
Ele foi logo retrucado por Gustavo Petro, ex-presidente de esquerda da Colômbia. “[Líderes de direita] governam a América Latina há dois séculos e agora lhes ocorre que a mudança consiste em alterar o breve período em que o progressismo e o humanismo governaram a história latino-americana. É a simples contradição de Donald Trump e seu governo que seus fantoches na América Latina não conseguem entender”, escreveu Petro.
Imprensa internacional
A rede internacional Al Jazeera, sediada no Catar, deu destaque ao resultado do primeiro turno ao questionar se o presidente Lula conseguirá deter o avanço da direita na América Latina. Em análise sobre o pleito, o veículo destacou que a eleição no Brasil é vista como o teste mais relevante para a correlação de forças políticas na região, apontando o candidato petista como uma das principais referências da esquerda no cenário internacional.
A publicação destacou que o acirramento da disputa contra Flávio Bolsonaro reflete um quadro de forte polarização com impacto geopolítico global. Segundo a Al Jazeera, a confirmação do segundo turno mantém o país no centro das atenções mundiais, já que o resultado final determinará se a América Latina consolidará uma guinada conservadora ou se manterá a maior economia do Sul Global sob uma gestão progressista.
Nos principais jornais dos Estados Unidos e da Europa, a votação deste domingo recebeu destaque também na polarização política e nos rumos geopolíticos da América Latina.
O estadunidense The New York Times apontou que a eleição brasileira representa “o maior teste até agora para a direita em ascensão na América Latina”, destacando as visões opostas de Lula e Flávio Bolsonaro sobre temas como proteção da Amazônia, exploração de minerais críticos e relações diplomáticas com a China e Washington.
O jornal britânico The Guardian classificou o pleito como “decisivo para o futuro da América Latina”, ressaltando que o Brasil permanece como um dos poucos países da região com um governo de esquerda após recentes vitórias eleitorais de partidos de direita.
Por sua vez, a agência de notícias Reuters e o Financial Times destacaram o acirramento da disputa, lembrando que a liderança de Flávio nas urnas superou as estimativas de pesquisas eleitorais anteriores.
Na França, o jornal Le Monde noticiou a ida dos dois candidatos ao segundo turno, apontando uma disputa “altamente incerta”.
Na América Latina, veículos como La Nación (Argentina) e La Tercera (Chile) deram destaque à virada de Flávio Bolsonaro no resultado oficial e à preparação das campanhas para a votação decisiva marcada para o dia 25 de outubro.

