Numa sessão semipresencial, sem vozes contrárias ao tema, o Senado Federal começou, nesta terça-feira (6), as discussões para o fim da escala 6×1. Antes de participar do plenário, o presidente da casa, Davi Alcolumbre, disse que a votação em primeiro turno pode acontecer ainda na semana que vem.
“Caso todos nós pudermos concluir as cinco sessões, vamos, na semana que vem, do ponto de vista regimental, colocar para sua deliberação em primeiro turno. Aí, nesse momento adequado, cada senador e cada senadora desta legislatura terá o livre-arbítrio de votar com seu coração, com sua consciência e com a sua convicção, se acha razoável nós diminuirmos a escala de trabalho de quase 40 milhões de brasileiros”, disse o presidente do Senado.
Alcolumbre tem repetido que vai “cumprir integralmente o rito constitucional”, o que significa que serão cinco sessões de debates no Plenário antes da votação. Para esta semana foram marcadas três reuniões, de terça a quinta. Com mais duas sessões na próxima, é possível iniciar a votação.
Ao todo, 69 senadores participaram, online ou presencialmente, da reunião desta terça. Falaram os senadores Paulo Paim (PT-RS), Rondolfe Rodrigues (PT-AP), Zenaide Maia (PSB-RN), Humberto Costa (PT-PE), Renan Filho (MDB-AL) e Dra. Eudócia (PSDB-AL), todos manifestaram-se a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 221). Renan Filho fez questão de destacar a ausência de discursos contrários e criticou os faltosos.
“Isso também é um sintoma. Cadê os que são contra o fim da escala 6 por 1 para falar aqui hoje? Cadê os que são contra? Por que não estão na sessão? Porque remotamente falam, mas sem debater o mérito, dizendo que está sendo apressado, não sei o quê, porque, se for a voto, eles não terão coragem de votar”, disse o emedebista, prevendo sua aprovação. “Provavelmente ninguém vai votar contra, porque as pessoas têm vergonha de falar publicamente aquilo que elas têm coragem de dizer no privado”, completou.
Um dos principais defensores do fim da escala, o senador Paulo Paim discursou em dois momentos e defendeu a lei para ampliar a produtividade. “Uma pessoa descansada não é uma pessoa menos comprometida; pelo contrário, ela produzirá muito mais e é uma pessoa que pode trabalhar com mais concentração, com mais segurança, com mais capacidade de aprendizado.”
Em declaração à imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desafiou publicamente o Partido Liberal (PL) a posicionar sua bancada em relação à PEC. O chefe do Executivo afirmou que a sociedade brasileira saberá “quem é quem na política” a partir da tramitação da medida no Senado.

