Foi em 5 de outubro de 1986 que três amigos subiram ao palco de um bar em Porto Alegre para fazer sua primeira apresentação. Quatro décadas depois, Thedy Corrêa, Carlos Stein e Sady Homrich celebram 40 anos da banda Nenhum de Nós, um coletivo musical que atravessou gerações e ajudou a marcar o pop rock brasileiro.
De lá para cá, os três, junto a seus parceiros de trabalho, marcaram gerações. Foram a trilha sonora de infindáveis histórias emocionantes e momentos marcantes.
Segundo o vocalista Thedy Corrêa, quando começaram, não faziam ideia de onde aquela história poderia chegar: “Éramos três amigos querendo fazer música e descobrir o nosso caminho. Hoje, olhar para trás e perceber que essas canções continuam fazendo sentido para pessoas que nasceram depois que elas foram lançadas é algo muito especial. O mais bonito dos 40 anos não é apenas chegar até aqui, mas perceber que ainda existe vontade de estar no palco, de fazer novos shows e de encontrar o público. Enquanto houver essa troca, a história do Nenhum de Nós continua sendo escrita”.

Nesse caminho desbravado com originalidade, o grupo construiu uma combinação rara de identidade regional forte, alcance nacional e capacidade de falar de temas emocionais complexos com linguagem pop acessível.
A banda surgiu no Sul do Brasil no auge da explosão do rock brasileiro dos anos 1980, mas não precisou abandonar sua origem gaúcha para alcançar o público nacional. Ao contrário: incorporou elementos da sua cultura própria à linguagem do pop rock e transformou essa identidade em uma característica diferencial que resiste até hoje.
O nome da banda nasceu das coincidências entre os três integrantes: “Nenhum deles enxergava bem, nenhum havia servido no quartel e nenhum tinha repetido o ano na escola”. A brincadeira entre amigos acabou batizando um conjunto conquistou um público fiel ao longo dos anos.
A formação também mudou com o passar do tempo. O guitarrista Veco Marques entrou para a banda em 1989 e passou a fazer parte dessa história ao lado de Thedy, Carlos e Sady. Em 1996, o grupo ganhou ainda o gaiteiro e tecladista João Vicenti, formando o quinteto que marcou uma importante fase da carreira. Após a morte de João, em 2024, o Nenhum de Nós voltou a ser um quarteto.

Ao longo dessas quatro décadas, algumas músicas se transformaram em verdadeiros clássicos. “Camila, Camila”, “O Astronauta de Mármore”, “Você Vai Lembrar de Mim” e “Amanhã ou Depois” atravessaram diferentes momentos da carreira e continuam presentes nos shows, nas playlists e na memória afetiva de quem acompanha a banda.
“Olhar para esses 40 anos é lembrar de muita coisa: dos primeiros shows, das mudanças, das pessoas que passaram pela nossa história e, principalmente, do público que esteve ao nosso lado em todos esses momentos. A gente começou querendo fazer música e nunca imaginou que aquelas primeiras canções chegariam tão longe. Hoje, continuar subindo ao palco e encontrar pessoas de diferentes gerações cantando junto com a gente é algo que nos emociona e dá ainda mais sentido para essa caminhada. Ainda temos muita estrada pela frente”, destacam os integrantes.
A trajetória inclui mais de 17 álbuns lançados, mais de 2.500 apresentações e turnês dentro e fora do Brasil. Japão e China também estão entre os países que receberam shows do grupo, que construiu uma carreira longeva sem abrir mão das características que marcaram sua sonoridade.
Aos 40 anos, o Nenhum de Nós continua na estrada. Neste ano, a banda tem apresentações previstas em Veranópolis, Campina das Missões, Paranavaí, Lajeado, Santana do Livramento, Porto Alegre, Campo Bom e Rio de Janeiro.
Quatro décadas depois daquela primeira apresentação em Porto Alegre, a história continua sendo escrita nos palcos. E, para uma banda que atravessou gerações, talvez esse seja um dos maiores sinais de que algumas músicas realmente não têm prazo de validade.


