ELEIÇÕES 2026

Centrão perde espaço e extrema direita cresce: especialistas analisam composição da ALMG

PL foi o partido que mais elegeu deputados estaduais, seguido pelo PT

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Fato que chama a atenção dos especialistas é o índice de renovação da Casa para a próxima legislatura, que ficou em 31,2%, e é considerado baixo
Fato que chama a atenção dos especialistas é o índice de renovação da Casa para a próxima legislatura, que ficou em 31,2%, e é considerado baixo | Crédito: Alexandre Netto/ALMG

Embora a eleição de 2026 ainda não tenha acabado, os novos integrantes dos legislativos estaduais e federais estão eleitos. Em Minas, segundo especialistas, quem mais perdeu espaço foi o chamado centrão, que viu suas vagas serem ocupadas pela extrema direita. 

Para Wallace Oliveira, “era esperado uma assembleia legislativa mais conservadora, liberal na economia e mais inimiga do povo”. O que, como aponta o jornalista, cientista político e militante do Movimento dos Trabalhadores por Direitos (MTD), de fato, aconteceu.

“A principal modificação, a meu ver, é que houve uma substituição de parlamentares daquela direita dita fisiológica, pragmática, por parlamentares de extrema direita, mais ideológicos e que se elegem agitando pautas conservadoras e o ataque à esquerda, o confronto com os valores progressistas”, explica Oliveira.

O novo quadro 

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) se renovou, no último domingo, tendo como maior bancada a do Partido Liberal (PL), com um total de 21 eleitos. De acordo com Vinícius Borges Gomes, doutor em comunicação e política, professor e jornalista, dos 77 novos deputados estaduais, 21 estão vinculados à extrema direita, enquanto 34 são identificados como centro ou centro-direita. 

Com resultados menores que os de costume, partidos bem consolidados deste último campo político caíram em números. O União Brasil, hoje com sete deputados, terá três a partir de 2027. O PP cai de seis para cinco cadeiras e o Republicanos de cinco para quatro. Na atual legislatura, a bancada do PL tem 12 deputados, ou seja, houve um aumento de nove cadeiras. 

“Esse crescimento, que faz com que a extrema direita hoje ocupe 27,3% da Assembleia Legislativa, vem da desidratação principalmente do centro e centro-direita, que é um espectro muito amplo, saindo das 42 cadeiras atuais para 35”, explica o jornalista. 

Na visão dele, esse cenário estava precificado pelas análises políticas, principalmente devido ao crescimento do poderio de alguns influenciadores deste campo nas redes, o que já anunciava que, sobretudo o PL, ia crescer. 

“O cenário da ALMG está de acordo com o movimento que foi generalizado em todo país, nas assembleias e para a Câmara dos Deputados e Senado também”, destaca.

E o campo progressista?

Por sua vez, a esquerda manteve sua participação estável em 22 deputados para a 21ª Legislatura (2027-2031) da ALMG. O Partido dos Trabalhadores (PT), que tinha eleito 12 deputados em 2022, agora conseguiu fazer 15 cadeiras. A federação ainda elegeu alguns dos parlamentares do Partido Verde (PV), mantendo, de acordo com os especialistas, uma força “expressiva” no estado.

“Existe a presença de uma esquerda que é orgânica, do movimento popular, sindical e da construção da luta coletiva. O maior exemplo disso na Assembleia Legislativa é a professora Beatriz Cerqueira, vinculada a um sindicato com mais de 100.000 trabalhadores filiados. Existe também a presença de um outro tipo de esquerda, que tem uma importância, mas que não tem a mesma combatividade, a mesma consistência programática dessa esquerda que vem do movimento organizado”, destaca Oliveira.

Para Gomes, há um contraponto de uma força de resistência às pautas liberais, por parte de um grupo de deputados que vai ser minoria, mas que é expressivo. Com um total de 328 mil, Cerqueira foi a segunda parlamentar mais votada no estado, ficando atrás somente dos 675 mil votos de Bruno Engler (PL). Para o militante do MTD, esse último foi central no aumento da bancada do PL. 

“A presença desta direita bolsonarista cresceu por força do bom desempenho que o Bruno Engler e o Pablo Almeida (PL) tiveram. Eles acabaram puxando esse número grande de parlamentares do PL, formando uma bancada de 21 parlamentares”, aponta Oliveira. 

Outro fato que chama a atenção dos especialistas é o índice de renovação da Casa para a próxima legislatura, que ficou em 31,2%, e é considerado baixo. Ao todo, 998 candidatos pediram registro para disputar, formando uma média de 13 concorrentes por vaga. Destaca-se também a multiplicidade partidária: o parlamento mineiro terá representação de 17 legendas diferentes.

Consequências 

“A tendência dessa legislatura é dar continuidade àquele projeto que já estava instalado na Assembleia e no Palácio Tiradentes com o governo Zema, mas talvez com um pouco mais de eficiência”, pondera o jornalista e cientista político.

Gomes chama a atenção também para a compreensão de que a nova composição da Assembleia pode trazer aprofundamento das políticas liberais. Isso porque, se com Romeu Zema políticas como o apoio à mineração e à privatização da Copasa foram muito presentes, Cleitinho (Republicanos), eleito como governador, pode conseguir compor com uma assembleia que tem um perfil mais à direita. 

“Podemos dizer que teremos um período de quatro anos em que a relação entre o governador de Minas e a sua base aliada na assembleia será de muito maior proximidade, coesão ideológica, programática, do que observamos no período em que Zema governou, que já foi muito ruim. Então, é a continuidade do projeto do governo Zema, só que agora com uma uma facilidade maior na assembleia”, aponta Oliveira.

“Nós também vamos ver muitas pautas de costumes sendo levantadas, porque essa bancada do PL tem um perfil muito claro de trazer agitação, atacar direitos humanos e algumas conquistas históricas. Isso pode acontecer”, complementa Gomes.

Confira a lista completa de parlamentares eleitos 

Bruno Engler (PL)

Beatriz Cerqueira (PT)

Pablo Almeida (PL)

Eduardo Azevedo (PL)

Lud Falcão (Republicanos)

Macaé Evaristo (PT)

Antonio Carlos Arantes (PL)

Neilando Pimenta (Republicanos)

Elismar Prado (PSD)

Chiara Biondini (PL)

Enes Candido (PSD)

Iza Lourença (PSOL)

Sargento Rodrigues (PL)

João Magalhães (PSD)

Doorgal Andrada (PP)

Duarte Bechir (PSD)

Grego da Fundação (União)

Gustavo Valadares (PSD)

Adriano Alvarenga (PP)

Lucas Lasmar (Rede)

Maria Clara (PSDB)

Noraldino Junior (PSB)

Leninha (PT)

Adriana Souza (PT)

Rodrigo Lopes (União)

Gil Pereira (PSD)

Delegado Christiano Xavier (PSD)

Betinho Pinto Coelho (União)

Dra Laís Santiago (PDT)

Mauro Tramonte (Republicanos)

Vittorio Medioli (PL)

Nayara Rocha (PP)

Ulysses Gomes (PT)

Carlos Henrique (Republicanos)

Ana Paula Siqueira (PT)

Carol Caram (Avante)

Raul Belem (PSD)

Cristiano Silveira (PT)

Tito Torres (PSD)

Delegada Sheila (PL)

João do Social (Avante)

Ricardo Campos (PT)

Ugleno Alves (PL)

Zé Guilherme (PP)

Dr. Maurício (Novo)

Roberta Lopes (PL)

Marcelo Heitor (PL)

Alê Portela (PL)

Zé Laviola (Novo)

Vitório (PP)

Marquinho Lemos (PT)

Betão (PT)

Andréia de Jesus (PT)

Gustavo Santana (PL)

Anderson Lima (PL)

Daniel Sucupira (PT)

Leleco Pimentel (PT)

Roberto Andrade (PRD)

Tony Carlos (PSDB)

Dr. Jean Freire (PT)

Denerval Germano (PL)

Marli Ribeiro (PL)

Luizinho (PT)

Mário Henrique Caixa (PV)

Coronel Henrique (PL)

Fabão (PV)

Rodrigo Cadeirante (Pode)

Heleno do Hospital (PSDB)

Amanda Teixeira Dias (PL)

Luiz Paulo (PSB)

Samuel Caires (PL)

Marilia Amaral (PL)

Juca Bahia (PRD)

Pedro Luiz (PL)

Flávia Borja (Pode)

Fernando Breno (PRD)

Cabo Gregorio Silva (Democrata)

Editado por: Elis Almeida

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