Sete em cada dez congressistas que tomarão posse em 2027 se posicionam contra a agenda socioambiental, ampliando ainda mais as ameaças à agenda ambiental e climática, segundo o levantamento do Observatório do Clima (OC), divulgado nesta terça-feira (6).
Segundo a análise, 68,9% dos parlamentares da 58ª Legislatura possuem baixa convergência ambiental, índice que indica o quanto alinhados estão a atuação e os votos de um congressista em relação à agenda de proteção ambiental e climática.
O Senado apresenta o cenário mais adverso, com 64 de 81 senadores (79%) nas faixas Baixa ou Muito Baixa da convergência ambiental. Na Câmara, 345 dos 513 deputados (67,3%) estão nessa faixa. Os dois índices são maiores que os da legislação atual. Os deputados que se despedem este ano têm 63% de Baixa ou Muita Baixa convergência ambiental. No Senado, atualmente são 58 das 81 cadeiras (71,6%), cerca de sete pontos percentuais a menos que o valor do novo Senado.
Os novos representantes da Amazônia Legal no Senado, por exemplo, têm projetos como mineração em terras indígenas ou diminuição da área de reserva florestal legal. A presença maior do PL, partido bolsonarista e tradicionalmente antiambientalista, é destacada pelo relatório, já que, na Câmara, a bancada sai de 98 para 121 deputados.
Segundo a coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, a piora trazida pelas urnas, especialmente no Senado, pode colocar em risco parte importante da proteção ambiental do país e facilitar a aprovação de retrocessos. “Este quadro evidencia quatro anos de muito esforço para aqueles que atuam em clima e meio ambiente, e muita preocupação tanto com graves retrocessos quanto com as terríveis consequências disso tudo para a crise climática. Somando com um governo negacionista de Flávio Bolsonaro, isso significará o caos ambiental”, afirma.
A análise para a determinação do Índice de Convergência Ambiental considera a composição e o perfil socioambiental dos parlamentares, por meio das votações, e são usados também dados do Farol Verde, plataforma do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). As faixas de convergência consideradas foram: Muito Baixa (0 a 25%), Baixa (26 a 50%), Boa (51 a 69%) e Muito Boa (70 a 100%).

