A disputa presidencial para o segundo turno das eleições de 2026 tem provocado novas formas de mobilização entre estudantes e setores da sociedade civil em Minas Gerais. Na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), estudantes organizam ações para reduzir as abstenções e ampliar a participação eleitoral no dia 25 de outubro, com iniciativas voltadas à defesa da soberania e da democracia.
Na Ufop, em Mariana (MG), estudantes criaram uma iniciativa chamada Carona Voluntária, que busca mapear alunos que não conseguiram comparecer às urnas no primeiro turno por falta de recursos, distância ou outros motivos. A proposta é identificar a demanda e, a partir da mobilização da própria comunidade universitária, buscar meios para que esses estudantes possam chegar aos locais de votação no segundo turno.
“Este formulário tem como objetivo mapear o número de caronas que pode ser ofertado dentro da comunidade universitária dos campus da UFOP em Mariana”, afirmam os organizadores.
Segundo o grupo, a iniciativa considera o número de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno e pretende contribuir para que estudantes tenham condições de exercer o direito ao voto no dia 25 de outubro.
“A partir disso, caso haja interesse e possibilidade, nos mobilizaremos através de nossa comunidade para conseguir os recursos possíveis para que os estudantes consigam comparecer ao seu local de votação para o segundo turno”.
Mobilização na UFMG
Na UFMG, estudantes e integrantes da juventude também articulam ações para o segundo turno. Uma reunião realizada no Diretório Acadêmico Alfredo Balena (DAAB), da Faculdade de Medicina, discutiu a organização de uma tenda permanente de campanha na região.
De acordo com os organizadores, três grandes grupos foram formados por alunos e estudantes para discutir estratégias de mobilização e tentar conquistar votos em defesa da soberania e da democracia.
Além desses grupos, há ainda uma articulação que reúne funcionários, professores e estudantes, organizada por outros integrantes da universidade, e o Comitê UFMG, que também atua na mobilização.
A proposta das iniciativas é ampliar a participação da comunidade universitária na disputa eleitoral e levar o debate para além dos espaços acadêmicos.
Iniciativa independente mapeia potenciais votos
Fora do ambiente universitário, uma iniciativa independente e voluntária também busca contribuir para a mobilização no segundo turno. É o site “Onde dá pra conversar”, criado com o objetivo de identificar regiões onde existem eleitores que podem mudar sua opção de voto.
Os responsáveis pela plataforma ressaltam que a iniciativa não pertence à campanha de Lula, ao Partido dos Trabalhadores (PT), à coligação ou a qualquer estrutura oficial ligada à candidatura. Trata-se de uma ação independente e voluntária.
A ferramenta utiliza os resultados do primeiro turno para apontar locais onde existem eleitores que votaram em branco, anularam o voto, não compareceram às urnas ou escolheram outros candidatos. A intenção é indicar regiões onde os organizadores avaliam existir potencial para novas conversas sobre a eleição.
“O site mostra, perto de você, onde ainda tem gente que pode votar no candidato que defende a soberania e democracia, no dia 25, e que não votou nele (Lula) no primeiro turno”, explicam os responsáveis pela iniciativa.
Como funciona o site
O usuário escolhe um ponto de referência — como o local onde está, trabalha ou frequenta — ou seleciona diretamente uma área no mapa. A ferramenta reúne as seções eleitorais localizadas em um raio de até 1km e apresenta uma estimativa dos votos considerados potencialmente conquistáveis para Lula.
A partir do mapeamento, os organizadores sugerem que a mobilização aconteça nos espaços de convivência cotidiana, como ruas, feiras, padarias e pontos de ônibus. A proposta é combinar os dados eleitorais com a conversa direta com a população.
“É para conversar com o povo, ouvir suas preocupações, suas esperanças, suas angústias. É para entender o que o povo quer para o Brasil, e mostrar como Lula vai realizar essas promessas”, afirmam os responsáveis.

