O fim da escala 6×1 voltou à pauta do Senado após o primeiro turno das eleições, marcado por uma disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro (PL), que saiu vitorioso, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A extrema direita também conseguiu se tornar maioria no Congresso Nacional, ocupando espaço especialmente de partidos do Centrão, indicando que, a partir de 2027, independentemente do resultado do segundo turno, os direitos dos trabalhadores estão em perigo.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o cientista político Paulo Roberto de Souza avalia que, ao retomar o debate da redução de jornada, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sinaliza algum alinhamento com o presidente Lula, já que, caso a PEC seja aprovada, há um novo elemento de debate nessa curta campanha de segundo turno.
Segundo Souza, o cenário está mais do que posto e não há grandes surpresas. “A maioria da extrema direita tende a não participar para não dar quórum. A esquerda tende a mobilizar muito as ruas para passar essa pauta. O Centrão tende a estar fragmentado. O ponto de atenção é como vai se comportar o PSD, que perdeu espaço e terá cinco cadeiras apenas na próxima legislatura”, pondera.
E alerta que o ideal seria aprovar o fim da escala 6×1 imediatamente, diante da formação do Congresso a partir do próximo ano, já que, “caso Flávio seja eleito, a tendência é que seja engavetado”. E, continua o cientista político, caso Lula seja reeleito, o caminho também não estará tranquilo. “Lula terá que refazer todo o debate e vai ser muito complexo, porque você tem, dos 81, 30 da extrema direita. É muito significativo”, aponta.
Para o analista, o caminho para buscar reverter o cenário e criar desconfiança no voto em Flávio Bolsonaro é mostrar os riscos reais da chegada dele ao poder. “É preciso abrir o debate das faltas e dos perigos de uma possível eleição de Flávio Bolsonaro, a começar pela falta de proteção do trabalhador formal, já que, se não protege o trabalhador formal, o que dirá o informal”, afirma.
Na avaliação de Paulo Roberto de Souza, é bastante improvável que a aprovação seja barrada. “Eles vão dificultar e fazer todo o processo para que isso não entre em votação. E dentro de um contexto em que a comunicação do governo, da campanha foi muito omissa em relação a isso, e em que a opinião pública, em especial a mídia de referência, foi muito omissa, isso é um cenário muito complicado. Vai precisar de um engajamento muito forte da campanha e da mídia para deixar claro quem são os responsáveis pelo não avanço da pauta no Senado”, avalia.
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