Eleições 2026

Jandira Feghali fala sobre desafios do novo Congresso na defesa do direitos e disputa política

Deputada Constituinte fala sobre os desafios de preservar direitos sociais e enfrentar o avanço da extrema direita

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Jandira Feghali está em seu nono mandato e tem como focos a defesa do SUS e proteção das mulheres
Jandira Feghali está em seu nono mandato e tem como focos a defesa do SUS e proteção das mulheres | Crédito: Jandira Feghali/Divulgação

Eleita para o nono mandato na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (PCdoB) tem sua trajetória política profundamente ligada à defesa do Sistema Único de Saúde (SUS). Médica e deputada Constituinte, ela participou da construção e da defesa de políticas públicas que fizeram do SUS uma das principais conquistas sociais da Constituição de 1988. Ao longo de sua atuação no Congresso, foi autora e relatora de mais de 100 leis e emendas, entre elas a Lei Maria da Penha e medidas voltadas à saúde das mulheres e aos direitos dos profissionais de saúde.

Durante a pandemia de Covid-19, Feghali esteve à frente de articulações em defesa da vacinação, da renda emergencial e do fortalecimento do sistema público de saúde. Agora, diante de uma nova configuração do Congresso e dos desafios para a democracia brasileira, ela alerta para os riscos de avanço de propostas de privatização e defende a mobilização política para preservar e ampliar o SUS.

Nesta entrevista, a deputada também fala sobre o papel das redes sociais na disputa política, a redução da jornada de trabalho e os caminhos para a esquerda enfrentar a extrema direita e construir maiorias em defesa dos direitos sociais.

Brasil de Fato – Nesse momento de apreensão quanto ao futuro da democracia brasileira, como fazer com que políticas públicas como a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) — incluído na Constituição — e o seu fortalecimento avancem?

Jandira Feghali – Derrotando a extrema direita. Eles têm a maior bancada. Isso não quer dizer que todo o centrão e o nosso campo vão aceitar a derrota de projetos de privatização do SUS, por exemplo.

Então, nós vamos continuar na mesma toada de ter que conquistar o centro para nossos projetos políticos, como a gente fez nos últimos quatro anos. Eles tinham 99 na bancada, agora eles têm mais 22.

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Nós crescemos um pouco, o centrão diminuiu um pouco. De qualquer maneira, a correlação é próxima do que a gente tinha. Então, o nosso papel é continuar articulando para não deixar passar políticas desastrosas para os direitos do povo brasileiro.

É o que a gente tem feito até aqui.

Neste ano, os candidatos mais votados do campo progressista tiveram forte presença nas redes sociais. Qual o papel das redes sociais na eleição dos candidatos?

Primeiro que rede social é um lugar em que tem que atuar mesmo. Eu tenho total concordância com isso. A comunicação sempre foi e sempre será estratégica. Ela era de um jeito antigamente e hoje ela é de outro. E quem não se comunica pelos meios de comunicação não está dando opinião.

Então, o que você alcança, às vezes, em um dia inteiro na rua, e que tem que falar diretamente, olho no olho, pegar nas pessoas, as pessoas têm que te ver, têm que falar com você, têm que entender o que você está pensando, ver sinceridade no seu olhar, ver você no território dela, tudo isso é importante. Mas você, às vezes, alcança, vamos dizer, 200 pessoas. Às vezes, no vídeo de uma rede social, você alcança um milhão.

Então, é óbvio que usar a rede social é muito decisivo, principalmente para quem é candidato de opinião. Agora, tem gente que utiliza melhor e outras que utilizam pior.

A extrema direita ganha eleição nas redes porque eles mesmos não vão para a rua. Se você olhar a presença da extrema direita nas ruas, ela é quase inexistente, ela só ganhou nas redes sociais. Eles são também um fenômeno de rede.

A senhora concorda com a avaliação de que a esquerda demorou a entrar nas redes?

Não é que demorou, a esquerda entrou sem estratégia. A esquerda está nas redes há muito tempo, mas entra sem estratégia, sem uma compreensão do alcance, sem saber utilizar.

A extrema direita organizou sua estratégia em disparar mentiras juntos. Fazem um discurso único. Mesmo no plenário, eles se unificam para mentir juntos. Eles sobem na tribuna e mentem igualzinho. Todos eles. Eles planejam a semana.

E a esquerda, muitas vezes, não unifica estrategicamente o seu conteúdo e a sua mensagem. Então, assim, o problema não é que demorou a entrar. É que entrou com a estratégia errada.

É uma cobrança que eu faço há muito tempo: a unificação do discurso no plenário, na tribuna, nas redes. Porque isso tem um alcance muito maior.

Se todo mundo falar igual, a gente alcança 50, 100 milhões de pessoas todo dia. Agora, se cada um falar uma coisa, falar para a sua rede, não adianta muito.

Na campanha do Lula agora, ainda teve um time do Lula para unificar a mensagem. Mas nem todo mundo acompanha.

O debate da escala 6×1 volta a pauta no Senado. É um caminho ou que outras pautas não estão sendo vistas e que têm potencial?

Essa é uma pauta importante porque a redução da jornada de trabalho é humanizar e aumentar postos de trabalho.

É uma pauta importante para os trabalhadores brasileiros. Não sei se vota essa semana ou se abre só para discussão. Talvez só semana que vem. Então, essa é uma pauta importante.

Mas, objetivamente, não é a única pauta da eleição. O que nós temos que dizer para as pessoas é que votar no Flávio [Bolsonaro] é interromper o futuro. É destruir o que a gente tem.

É perseguição política. É tutela do Estado. É entrega ao comando de outros países.

O risco de Bolsonaro é muito grave. É muito grave e as pessoas têm que se dar conta disso. O que é melhor para a vida delas?

Se é um campo que faz as políticas de inclusão, que pensa o Brasil, que é respeitado lá fora, que levanta a cabeça, que protege as mulheres, que protege a juventude, que amplia as vagas na educação, que fortalece o SUS, ou se é uma turma que vai entregar tudo que é nosso, que vai estimular o preconceito, a violência, o ódio, interromper a política pública, ser contra a educação, contra a cultura, contra o SUS. É uma escolha.

Eu acho que o risco de Bolsonaro hoje é gravíssimo. E as pessoas têm que entender isso. Espero que quem não foi votar vá votar e vote para a gente avançar e não para esse risco, para essa ameaça que Bolsonaro significa para o Brasil.

Editado por: Clivia Mesquita

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