Reeleito para a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) com mais de 92 mil votos, Max Maciel (Psol) observa que o resultado das urnas representa uma avaliação do trabalho desenvolvido durante o primeiro mandato. O deputado, que alcançou a maior votação da história da Casa, afirma que a reeleição aumenta a responsabilidade diante do eleitorado e do campo político que representa.
“A reeleição é exatamente a avaliação desse processo. Então, a gente sai com essa expressão de voto muito confiante e muita responsabilidade de que o povo avaliou o nosso mandato de forma construtiva, de forma muito ampla”, afirma o deputado em entrevista ao Brasil de Fato DF.
A votação também é interpretada por Max como resultado de uma construção política que, segundo ele, não dependeu de estruturas tradicionais de financiamento ou de grupos organizados. “Nós somos os primeiros [partido] sem ter sindicato, sem ter corporação, sem ser sobrenome de gente rica, sem ser milionário, sem ter nenhuma estrutura que banque ele por trás. Nosso voto é pulverizado, o nosso voto não se encontra em um lugar só”, diz o parlamentar.
Essa é a terceira eleição disputada por Max Maciel. Em 2018, concorreu pela primeira vez a uma vaga na Câmara Legislativa e recebeu 8.515 votos, ficando como suplente. Quatro anos depois, foi eleito deputado distrital pelo Psol, com 35.758 votos. Neste ano, aumentou a votação para 92.234 votos e garantiu a reeleição, alcançando a maior votação já registrada para um deputado distrital no Distrito Federal.
Mandato de oposição
Durante a entrevista, Max Maciel também fez um balanço das dificuldades enfrentadas no primeiro mandato por atuar na oposição ao governo do Distrito Federal. “Ser de oposição tem muito desafio. Você não roda as emendas todas, você não consegue incidir politicamente da forma como você quer, mas o que nós mostramos é que mesmo sendo oposição, o processo histórico do que a gente acredita funciona. Sozinho, o mandato não resolve nada, porque o mandato não é fim, o mandato é meio”, afirma.
“Tudo que nós conquistamos foi porque nós envolvemos a sociedade civil, envolvemos a população, envolvemos os setores organizados, juntamos mais pessoas em torno de uma pressão para que acontecesse”, completa.
Para o próximo mandato, o parlamentar diz que pretende manter uma postura de oposição caso o grupo político que não representa suas posições permaneça no comando do Executivo.
“Não faço oposição pela oposição. A gente analisa cada projeto, debate cada projeto. Se o projeto tem problemas, nós vamos para cima dele, nós vamos tentando fazer o máximo possível para trabalhar. Mas se ele é um projeto que possa sim, de fato, trazer um impacto para a população de forma positiva, nós seguiremos no diálogo, na busca de melhorar para poder atender mais”, destaca Max.
Crítica ao avanço da direita
Ao analisar o resultado das eleições e a nova composição política do Distrito Federal, Max Maciel também avaliou o desempenho do Partido Liberal (PL) e a forma como a extrema direita vem disputando espaço nos territórios.
“O PL é um partido que reúne um conjunto de pessoas, mas não faz um debate sobre a direita. Porque a direita que eu conheço é uma direita formuladora, ela tem um projeto político. Essa galera não tem projeto político nenhum. O projeto político delas é atacar as pessoas”, avalia Max.
O deputado também critica o que considera uma atuação pouco aprofundada de parte dos novos representantes da extrema direita. “[Eles] não têm repertório. Se você for debater com essa galera, trava na próxima página. Não estuda, não se aprofunda sobre determinados temas. Isso é perigoso”, afirma.
Para enfrentar esse cenário, Max defende a retomada do trabalho político nos territórios e a formação política da população. “Porque, no fundo, o povo está votando contra ele mesmo, pela precarização da saúde, pela precarização da educação, por uma cidade cada vez mais desigual. […] É consciência política, e nós vamos ter que fazer formação política nos territórios também”, defende o deputado.

BRB e tarifa zero
Ao comentar o cenário do Distrito Federal, Max também falou sobre o Banco de Brasília (BRB). Para o deputado, o banco deveria cumprir uma função mais próxima das necessidades da população e atuar como instrumento de desenvolvimento econômico e social.
“Nós precisamos defender o BRB, porque ele é importantíssimo para o desenvolvimento da cidade. Só que, de fato, eles esgarçaram o BRB ao ponto de que a própria população não entende que esse BRB teria que ter essa atenção para salvar a população”, afirma.
Outra pauta que o deputado pretende manter no próximo mandato é o aumento da tarifa zero no transporte público. Max defende que a política seja acompanhada de mudanças na organização do sistema e não se limite ao subsídio das empresas.
“A tarifa zero não pode ser uma bolsa empresário, não pode existir para salvar as empresas que estão perdendo passageiros o tempo inteiro e por isso precisam de subsídio. A tarifa zero tem que ser, de verdade, o direito à cidade, tem que servir à sua proposta. Então, precisa rediscutir rotas, rediscutir linhas, rediscutir horários, precisa ampliar o horário para a noite”, defende o parlamentar.
‘A periferia sabe fazer’
A relação com as regiões periféricas aparece como um dos principais elementos da identidade política de Max Maciel. Ao comentar a frase “a periferia sabe fazer”, utilizada por ele após a eleição, o deputado afirma que sua campanha foi construída a partir dos territórios e das experiências de quem vive nessas regiões.
“A periferia sabe fazer, porque quando nós ocupamos aqui, a gente sente as dores. A gente sabe muito bem o que é estar desempregado e ter que viver de bico e não saber muito o futuro do amanhã”, completa.
Max também defende que essa experiência deve ser incorporada às estratégias políticas e eleitorais. “Para a gente ter um bom segundo turno, nós precisamos ouvir as pessoas que receberam a nossa campanha para que elas possam dizer o que que funcionou e o que que não funcionou. O que funcionou, vamos escalonar. O que não funcionou, joga fora e vamos para a próxima”, destaca Max Maciel.
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