Cerca de 90 mil pessoas participam, nesta terça-feira (6), dos protestos dos estudantes secundaristas e universitários em diferentes regiões da França. Este é o terceiro dia de manifestações nacionais após as duas grandes mobilizações em 29 de setembro e 1º de outubro.
O Ministério do Interior da França contabilizou 86 mil participantes apenas nas manifestações realizadas fora da região de Paris durante a manhã. Houve atos em cidades como Lyon, Rennes, Marselha, Tours, Brest, Nancy, Montpellier, Toulouse, Besançon, Perpignan e Lille. Na capital francesa, a principal manifestação está prevista para a tarde, com expectativa de reunir entre 20 mil e 40 mil pessoas.
No centro das reivindicações está a situação da educação pública francesa. Os estudantes cobram mais recursos e contratação de profissionais da área, além da substituição de professores ausentes e de investimentos na infraestrutura das escolas. Eles também questionam a carga horária e reivindicam maior transparência no sistema utilizado pelo país para o ingresso no ensino superior.
Nesta terça, confrontos foram registrados em Lyon e Rennes. Em Lyon, houve lançamento de fogos de artifício nas proximidades da polícia antimotim. Em Rennes, as forças de segurança recorreram a canhões de água, enquanto pais de estudantes chegaram a se deitar diante dos policiais durante a manifestação. Em Blanc-Mesnil, no departamento de Seine-Saint-Denis, duas adolescentes ficaram feridas, segundo a emissora BFMTV.
Repressão do governo Macron
A mobilização ocorre em meio ao aumento das denúncias sobre a repressão aos estudantes pelas forças de segurança do governo Macron, que já são alvo de dez investigações abertas pela Inspetoria-Geral da Polícia Nacional (IGPN). Desde 28 de setembro, mais de 6 mil pessoas foram colocadas sob custódia policial, entre elas cerca de 4,4 mil menores de idade. Até segunda-feira (5), 1.802 pessoas haviam sido alvo de processos judiciais relacionados aos protestos.
Pressionado pela mobilização, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu determinou a retomada das aulas “em todos os locais onde for possível” e anunciou um calendário de medidas para responder a parte das reivindicações apresentadas pelos estudantes. O apelo, no entanto, não teve adesão. Na segunda, 589 estabelecimentos tiveram as atividades afetadas, segundo o ministro da Educação, Édouard Geffray. Na sexta-feira (2), 735 escolas e cerca de 30 campi universitários estavam bloqueados.
Os estudantes ganharam o apoio de uma ampla frente sindical da Educação Nacional, integrada por FSU, CGT, FO, CFDT, Unsa, SUD e Solidaires. Lideranças da esquerda francesa, como o deputado ecologista Pouria Amirshahi e Jean-Luc Mélenchon, líder da França Insubmissa, também aderiram à mobilização e convocaram a participação da sociedade francesa nos atos. O movimento também recebeu o apoio da Confederação Camponesa, terceiro maior sindicato agrícola francês, que convocou agricultores a se juntarem aos estudantes com seus tratores.

