Neste domingo (4), o Brasil foi às urnas para definir também a composição da Câmara Federal. Na casa legislativa, Pernambuco tem 25 das 513 cadeiras. E os 5,9 milhões de pernambucanos que compareceram para votar decidiram manter 13 (52%) desses deputados e trocar 12 deles, que foram substituídos por dois ex-deputados que retornam à casa e 10 estreantes (40% das vagas). Os índices de renovação do estado são um pouco acima da média nacional. Bolsonaristas notórios como o Coronel Meira foram derrotados, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) saltou de uma para três cadeiras.
Até o fim de 2026, a bancada pernambucana no Congresso tem sete deputados de centro-esquerda, sete bolsonaristas e 11 que se dividem entre uma posição ideológica de centro-direita e o grupo conhecido como “centrão”, que é a direita mais fisiológica, sempre suscetível a mudar de opinião a depender das recompensas oferecidas. O resultado das urnas em Pernambuco aponta para a manutenção do espaço da centro-esquerda, a perda de duas cadeiras dos bolsonaristas (agora seis) e ganho de espaço dos políticos da centro-direita e “centrão”.
Esquerda mais à esquerda
As melhores notícias para a esquerda vêm do PT, que concorre dentro da federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. Este grupo possui hoje três deputados que votam sempre com o governo Lula: Carlos Veras (PT), Clodoaldo Magalhães (PV) e Renildo Calheiros (PCdoB). Este último perdeu a vaga, apesar dos 74,3 mil votos, ficando como 1º suplente. A federação, por outro lado, recebeu 717 mil votos e ampliou de três para quatro as suas vagas, sendo eleitas a vereadora do Recife Liana Cirne (PT), com 85 mil votos; e a jovem deputada estadual sem terra Rosa Amorim (PT), que aos 30 anos foi a mais votada da federação, com 144,1 mil votos.
Além de Renildo Calheiros (PCdoB), a federação tem como suplentes a vereadora recifense Kari Santos (PT), que recebeu 54,2 mil votos; e o ex-deputado federal Fernando Ferro (PT), que teve 22,7 mil votos.
Outra grande novidade é o historiador, professor e comunicador marxista Jones Manoel, que aos 36 anos recebeu o estrondoso apoio de 249 mil votos, sendo o 2º nome mais votado de Pernambuco. Ex-PCB, ele se candidatou pela federação Psol-Rede e defende a construção de uma alternativa política revolucionária e socialista para o Brasil, sem esconder o desejo de se candidatar a presidente da República. Caso se afaste do mandato em algum momento, sua suplente é a caruaruense Michelle Santos (Psol).
A vaga conquistada pela federação, no entanto, pode ser deduzida da votação do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que recebeu 857 mil votos e viu sua bancada recuar de cinco para quatro deputados. Dos nomes do partido que mais votam à esquerda na Câmara, apenas Pedro Campos foi reeleito — sendo inclusive o mais votado do estado, com 261,5 mil. O petrolinense Lucas Ramos recebeu 75 mil votos e ficou de fora, sendo o 1º suplente do partido; enquanto Maria Arraes se voltou para Pernambuco e foi eleita deputada estadual. Eriberto Medeiros não disputou a eleição, anunciando sua aposentadoria da vida pública.
Na bancada do PSB na Câmara, Pedro Campos terá a companhia do também reeleito Felipe Carreras, que tem posições de centro-direita; do estreante Gabriel Porto, filho do deputado estadual Álvaro Porto, presidente da Alepe; e Eliane Soares, liderança do Sertão do Araripe e quatro vezes prefeita do município de Santa Cruz.
Bolsonarismo recua e se renova
A bancada bolsonarista pernambucana é, hoje, é formada por Clarissa Tércio (PP), Fernando Bezerra Coelho Filho (UB), André Ferreira (PL), Coronel Meira (PL), Mendonça Filho (PL), Pastor Eurico (PSDB), Fernando Rodolfo (PRD) e o bispo Ossésio Silva (Republicanos), que durante quatro anos ocupou a vaga de Silvio Costa Filho, que ocupou o cargo de ministro dos Portos e Aeroportos. Entre os oito nomes, apenas os dois primeiros foram reeleitos. Após quatro mandatos, o Pastor Eurico (PSDB) foi derrotado, após receber 36,5 mil votos. Já Fernando Rodolfo (PRD) obteve 15,4 mil votos. Seus partidos não tiveram votos suficientes para eleger alguém.
Já o PL não conseguiu reeleger um deputado federal sequer em Pernambuco e perdeu uma das três cadeiras. Um deles por opção própria — visto que André Ferreira foi substituído pelo irmão Anderson Ferreira — e os outros dois foram derrotados. Mas Mendonça Filho sonhou com uma vaga no Senado e acabou sem mandato, sendo a 2ª vez que faz este movimento (em 2018 também perdeu). E Coronel Meira recebeu 55,5 mil votos e ficou com a 1ª suplência. A vaga remanescente do PL foi conquistada pelo vereador recifense Thiago Medina. Este último, somado a Ferreira e Clarissa Tércio, são os três únicos integrantes da “bancada evangélica eleitos por Pernambuco”.
Desta forma, a bancada dos bolsonaristas pernambucanos agora terá seis deputados: Anderson Ferreira (PL), Thiago Medina (PL), Clarissa Tércio (PP), Fernando B. C. Filho (UB) e os estreantes Eduardo Moura (Novo), vereador do Recife cujo partido, com 203 mil votos, elegeu seu primeiro federal por Pernambuco; e Gilson Machado (Podemos), ex-ministro de Bolsonaro, eleito após derrotas em 2022 (senado) e 2024 (prefeitura do Recife).
Centrão consegue se reeleger
A federação formada por PP e União Brasil (UB) foi a mais votada em Pernambuco, com 865 mil votos. Eles elegeram quatro federais, sendo a reeleição de Lula da Fonte (PP) e dos bolsonaristas Clarissa Tércio (PP) e Fernando Bezerra Coelho Filho (UB). Com 183 mil votos, a mais votada da federação foi Juliana de Chaparral (UB), primeira-dama de Surubim, no Agreste do estado. Os suplentes dessa federação são Miguel Coelho (UB), Edilson Tavares (PP) e Michele Collins (PP). Principal liderança do PP no estado, o deputado federal Eduardo da Fonte disputou uma vaga no Senado e, tal qual Mendonça (PL), foi derrotado, ficando em 4º lugar.
Também foram reeleitos Fernando Monteiro (PSD) e Guilherme Uchôa Jr. (PSD), sendo os dois únicos federais eleitos pelo partido da governadora Raquel Lyra. A sigla recebeu 450 mil votos. Ficam na suplência o Sargento Almeida, vereador do Cabo de Santo Agostinho, que recebeu 62,2 mil votos; e o ex-deputado federal Daniel Coelho, candidato de 59,9 mil eleitores. O único deputado que o PSD perdeu foi Túlio Gadêlha, mais um deputado federal que teve frustrada sua tentativa de virar Senador.
Ainda no centrão, foram reeleitos Augusto Coutinho e Silvio Costa Filho, ambos do Republicanos. Na legislatura atual, Costa Filho quase não vivenciou a Câmara, já que foi ministro do governo Lula (PT), deixando sua cadeira com o bolsonarista Ossésio Silva, que novamente é o suplente do partido. O Republicanos recebeu 425 mil votos. O Avante manteve sua cadeira reelegendo Waldemar Oliveira.
O MDB, que tinha duas cadeiras, reelegeu Iza Arruda, enquanto Luciano Bivar foi eleito como suplente do senador Humberto Costa (PT). Por fim, o Podemos — fusão dos antigos PHS e PSC — volta a eleger deputados federais por Pernambuco. E foram logo três: Marcelo Gouveia (183 mil votos), o bolsonarista Gilson Machado (156,7 mil votos) e o retorno do ex-deputado Ricardo Teobaldo (59,9 mil). O primeiro suplente é Miguel Duque, filho de Luciano Duque, ex-prefeito de Serra Talhada.
Os partidos mais votados em Pernambuco
O Brasil tem hoje 30 partidos políticos habilitados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para disputar eleições. Destes, 24 montaram chapas em Pernambuco para disputar as cadeiras na Câmara Federal, dos quais 13 foram bem sucedidos. Considerando apenas as siglas individualmente (ignorando as federações partidárias formadas por algumas delas), temos o PSB (857 mil votos) de João Campos como o mais votado no estado, elegendo quatro deputados.
Em 2º lugar, um pouco distante, fica o Podemos (553 mil votos), que fez três federais. A lista segue com o 3º lugar sendo do PT (512 mil votos) e três federais eleitos; em 4º o PSD de Raquel Lyra (450 mil) com dois eleitos; com o mesmo número de deputados feitos está o União Brasil (5º, 438 mil), o PP (6º, 426 mil), o Republicanos (7º, 425 mil) e o PL (8º, 373 mil). Com um federal eleito em Pernambuco, temos Psol (9º, 264 mil), Novo (10º, 203 mil), MDB (11º, 195 mil), Avante (12º, 191 mil) e PV (13º, 106 mil).
Não conseguiram fazer deputados o PCdoB (14º, 98,5 mil), o PSDB (15º, 64,8 mil), PDT (16º, 34,6 mil), Missão (17º, 26,9 mil), Solidariedade (18º, 18,7 mil), PRD (19º, 18,6 mil), Rede (20º, 3,6 mil), Cidadania (21º, 1,8 mil), Democracia Cristã (22º, 1 mil), Unidade Popular (23º, 989 votos) e PCO (24º, 443 votos).

