A campanha de Celina Leão (PP) ao governo do Distrito Federal gastou quase quatro vezes mais do que a de Leandro Grass (PT). A candidata declarou R$ 6,1 milhões em despesas, enquanto o candidato do PT registrou R$ 1,6 milhão. A diferença chega a R$ 4,48 milhões. Celina também arrecadou mais recursos: foram R$ 8,3 milhões, contra R$ 2,4 milhões de Grass, segundo as prestações de contas disponíveis no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As contas da governadora, candidata à reeleição, foram atualizadas no sistema no dia 3 de outubro, e as de Leandro Grass no dia 5 de outubro.
No primeiro turno, Celina recebeu 825.530 votos, enquanto Grass teve 569.930. Considerando os gastos declarados, a campanha do PP desembolsou R$ 7,40 por voto, a do petista desembolsou R$ 2,86. A diferença entre as duas campanhas, porém, aparece principalmente na forma como os recursos foram distribuídos.
Quase 70% das despesas declaradas por Celina foram destinadas a atividades de militância e mobilização de rua. A categoria soma mais de R$ 4,2 milhões. Grass, por sua vez, destinou R$ 149,6 mil à mesma atividade. O gasto da campanha do PP foi cerca de 28 vezes maior.
A rubrica corresponde, na prática, a atividades realizadas por cabos eleitorais, explica Yasmin Melo, advogada especialista em direito eleitoral. “O que é despesa de atividade de militância e mobilização? É comumente conhecido como o cabo eleitoral. Se a gente for lá dar um Ctrl+F na resolução, você não vai encontrar o termo cabo eleitoral, mas vai encontrar atividade de militância, despesa com pessoal. E isso tudo se refere a um cabo eleitoral”, afirma.
Ela explica que esses profissionais atuam na base da campanha, especialmente em ações de rua. Entre as atividades estão a distribuição de panfletos e outros materiais impressos, bandeiraços e outras formas de mobilização. Para a especialista, esse tipo de gasto continua sendo uma das bases das campanhas eleitorais, ainda que a atuação política também tenha se deslocado para o ambiente digital.
Na campanha de Leandro Grass, os recursos ficaram mais distribuídos entre diferentes serviços. As maiores despesas foram com serviços prestados por terceiros, produção de programas de rádio, televisão ou vídeo e publicidade em materiais impressos. A campanha também registrou gastos com pessoal e locação de veículos.
Os dados do TSE também apontam uma diferença expressiva de despesas em impulsionamento de conteúdo. A prestação de contas de Celina Leão aponta o investimento de R$ 500 mil, 8% dos recursos. Já a campanha de Leandro Grass gastou R$ 39 mil, o que equivale a 3% de toda a receita do candidato.
Para a advogada, a diferença de recursos disponíveis pode ter impacto direto na capacidade de uma campanha chegar a mais eleitores. “Isso significa que ela arrecadou de três a quatro vezes a mais do que o outro candidato e, sem dúvida, isso traz um potencial de campanha maior”, afirma.
Partidos foram principal fonte de recursos
Apesar das diferenças nos gastos, as duas campanhas tiveram a maior parte da arrecadação proveniente dos próprios partidos. Celina recebeu R$ 8 milhões em doações do próprio partido, o Progressistas, o equivalente a 96% de suas receitas. As doações de pessoas físicas somaram R$ 336 mil.
Leandro Grass recebeu R$ 2,2 milhões da direção nacional e distrital do Partido dos Trabalhadores, correspondentes a 92% da arrecadação. A Direção Nacional do PT foi responsável pela maior parte dos repasses. As contribuições de pessoas físicas chegaram a R$ 114,3 mil, enquanto o financiamento coletivo acrescentou R$ 51,8 mil.
A prestação de contas, segundo Yasmin, existe justamente para permitir o acompanhamento da origem e da aplicação dos recursos durante a disputa. “Ela tem a finalidade de trazer rigidez ao processo eleitoral”, afirma. A advogada explica que a legislação estabelece regras para a arrecadação e os gastos das campanhas e prevê o acompanhamento das receitas e despesas pela Justiça Eleitoral ao longo do processo.
As fontes de financiamento podem incluir recursos públicos, como o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) – conhecido popularmente como “Fundo Eleitoral”, além de recursos próprios e doações de terceiros.
Militância orgânica
Segundo Yasmin Melo, uma arrecadação maior permite ampliar a presença territorial e digital da candidatura. “É um potencial de campanha que chega a espaços mais longevos, ocupa mais espaço na cidade, tem a possibilidade de contratação de cabos eleitorais, de utilizar mais o impulsionamento nas redes sociais e, via de consequência, alcançar um número maior de eleitores”, explica.
“Em contrapartida, uma campanha que não tem tanto recurso financeiro tende a ser mais propositiva e investir no crescimento orgânico”, destaca a advogada.
Apoie a comunicação popular no DF:
Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para [email protected]
Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de WhatsApp do BdF DF: 61 98304-0102
Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.
Entre em nosso canal no WhatsApp e acompanhe as atualizações


