'Pirataria'

EUA interceptam navios e retêm milhões em combustíveis com destino a Cuba, ampliando cerco energético

Vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío rebate medidas coercitivas e defende direito ao comércio internacional

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A ilha tem enfrentado constantes apagões devido ao bloqueio energético
A ilha tem enfrentado constantes apagões devido ao bloqueio energético | Crédito: Angelo Mastrascusa / Anadolu / Anadolu via AFP

Mais de 600 mil galões de combustível com destino a Cuba foram retidos nos Estados Unidos, impedindo que chegassem à ilha. A carga estava avaliada em US$ 2,8 milhões. A ação faz parte da asfixia energética que Cuba sofre por parte de Washington desde janeiro passado, com o objetivo de estrangular a economia da ilha.

A operação foi anunciada nesta quarta-feira (7), durante uma coletiva de imprensa em Miami. José R. Figueroa, agente especial responsável pelas Investigações de Segurança Interna — HSI, na sigla em inglês —, apresentou o caso ao lado de representantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras e do Departamento de Comércio dos Estados Unidos.

Segundo informaram as autoridades estadunidenses, a operação foi realizada no início de setembro, quando foram “apreendidas” 71 cargas que continham aproximadamente 500 mil galões de biodiesel, retidos no porto de Port Everglades, na Flórida. Outras 19 cargas, com cerca de 120 mil galões, foram retidas no porto de Houston, no Texas.

As autoridades estadunidenses alegam que o combustível tinha como destino a Enetec S.A., uma empresa estatal cubana dedicada à importação e exportação de combustíveis e lubrificantes. Em julho passado, a empresa foi incluída por Washington entre as entidades sujeitas a medidas coercitivas unilaterais (as chamadas “sanções”).

Após o anúncio, o vice-chanceler cubano Carlos Fernández de Cossío questionou a atuação dos Estados Unidos e defendeu a legalidade das operações de comércio de combustível com Cuba. Em suas redes sociais, afirmou que a importação de combustíveis por entidades estatais e privadas cubanas de qualquer país é legal de acordo com o Direito Internacional.

“O que é ilegal é intimidar Estados soberanos com ameaças de represálias do governo dos EUA caso exportem combustível para Cuba ou contra empresas exportadoras ou transportadoras de qualquer país por participarem de operações comerciais dessa natureza. É ilegal perseguir e interceptar em águas internacionais navios que transportem combustíveis para Cuba, assim como são ilegais a pirataria e o saque”, afirmou.

Fernández de Cossío classificou ainda como “ilegal, imoral e criminosa” a política dos Estados Unidos de submeter o povo cubano à “asfixia econômica como punição coletiva com fins políticos”.

Uso da força

O anúncio desta quarta-feira ocorre poucos dias depois de a Guarda Costeira dos Estados Unidos confirmar outra operação contra uma carga de combustível com destino a Cuba.

Na última sexta-feira (2), o órgão informou que, no início de setembro, também havia interceptado o navio Grace, que transportava combustível para a ilha. A embarcação, de aproximadamente 91 metros de comprimento, foi abordada militarmente no mar do Caribe e obrigada a se retirar em direção a Progreso, no México.

A quantidade exata de combustível transportada pelo Grace não foi divulgada. Também não foi informado publicamente o país de origem da carga nem seu fornecedor. O último porto de escala conhecido do navio foi Colón, no Panamá, e registros de rastreamento marítimo indicam que ele deixou o país em 31 de agosto, antes da interceptação.

A Guarda Costeira acusou o Grace de fazer parte de uma “frota escura”, termo empregado pelas autoridades estadunidenses para se referir a embarcações que ocultam suas operações ou dificultam o rastreamento de suas cargas.

O órgão também informou que, durante o “verão boreal”, havia realizado uma operação militar semelhante contra o Jaira Provider, outra embarcação que, segundo Washington, transportava combustível para Cuba e que foi abordada e detida. Nesse caso, as autoridades estadunidenses afirmaram que o navio transportava cerca de 795 mil litros de diesel.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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