A intensificação do genocídio em Gaza completa três anos nesta quarta-feira (7), com o agravamento da tragédia humanitária que já matou mais de 70 mil pessoas e sem qualquer sinal de que fim da gana expansionista de Israel. O plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a região completou um ano e não houve qualquer sinalização de recuo, e os bombardeios contra o povo palestino seguem diariamente.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Ualid Rabah, presidente licenciado da Federação Palestina (FEPAL), critica o cessar-fogo anunciado há um ano e avalia que é preciso conhecer o que acontece no território, sob pena de acabar acreditando nas narrativas dos EUA e Israel. “Israel e EUA tinham um objetivo: destruir totalmente Gaza e não permitir a sua reconstrução. Por isso, Gaza segue bloqueada. Temos ainda 1,9 milhão de palestinos em Gaza que seguem deslocados desde o início do conflito. Então, esse alegado acordo de cessar-fogo não foi de cessar-fogo, nem para reconstruir o território e nem para entrar ajuda humanitária”, afirma.
Rabah cita o último relatório da ONU, que aponta pelo menos 2 milhões de palestinos em Gaza ainda com “fome crônica”, 200 mil crianças sem escolas e 8 mil desaparecidos sob escombros. “Isso configura o genocídio em curso, já que a definição de genocídio identifica que não é apenas a morte de um grupo, mas impor condições que levem à morte”, pontua.
Apesar da distância geográfica, também nesta terça-feira houve protestos pró-Palestina em frente à Câmara dos Vereadores de São Paulo, onde, na véspera, o major Rafael Rozenszajn, porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI) para países de língua portuguesa, foi homenageado.
Ualid Rabah afirma que esse tipo de situação não surpreende, porque “é preciso que haja apoiadores no mundo todo para que o genocídio continue”. Ele explica que Israel está em uma ampla campanha internacional para melhorar a imagem diante de tantas evidências do extermínio contra os palestinos. Os aliados privilegiados de Israel, quer dizer, todo tipo de extremismo à direita que envereda para o fascismo, passam a participar ativamente desse processo”, afirma.
O presidente da Fepal analisa o episódio em que o plenário da Assembleia Geral da ONU se esvaziou quando o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, subiu ao púlpito, com pouco impacto prático. Rabah destaca que, dentro do contexto do Ocidente, ainda existe uma hegemonia estadunidense. Apesar de alguns países se indignarem e se solidarizarem com a situação em Gaza, os EUA ainda têm o poder de veto no Conselho de Segurança da instituição.
“E ainda há a parte da indústria cultural que passa uma imagem positiva de Israel e negativa do Oriente Médio, do mundo árabe. Tudo isso impede que haja punição. Os EUA passaram a impor sanções a juízes do Tribunal Penal Internacional e a outros atores internacionais que se opõem ao genocídio”, ressalta.
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